CAPITALISMO NA ERA GLOBAL
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Monday September 12, 2005 16:37
by Manuel Baptista - Luta Social (Portugal)
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- OS SEUS QUATRO PÉS DE BARRO
Camaradas, não irei fazer uma exposição académica do capitalismo na era da globalização. Isto tem sido feito brilhantemente por um certo número de autores e qualquer um de vós poderá obter descrições e análises desse género, sem dúvida relevantes para colocar no devido contexto a discussão que desejo iniciar com este artigo.
Capitalismo na era global
Os seus quatro pés de barro
Camaradas, não irei fazer uma exposição académica do capitalismo na era da globalização. Isto tem sido feito brilhantemente por um certo número de autores e qualquer um de vós poderá obter descrições e análises desse género, sem dúvida relevantes para colocar no devido contexto a discussão que desejo iniciar com este artigo.
O que desejo fazer aqui é apontar as fraquezas de nosso inimigo, no presente e no futuro mais próximo, de forma a podermos delinear uma estratégia adequada para lutar contra ele.
Só conhecendo, o melhor possível, os pontos fracos do inimigo, se poderá começar a construir uma estratégia que faça sentido, ou seja, que nos aproxime do objectivo geral da abolição duma sociedade dividida em classes, do fim do reino da propriedade privada, que se sobrepõe ao direito à própria vida dos desapossados (os proletários, os escravos assalariados), dos que sustentam e perpetuam esta propriedade.
Os quatro pés de barro seleccionados, não apenas são simbólicos da «besta», mas sobretudo são – a meu ver – quatro pilares fundamentais pois, sem a sua existência, o funcionamento do sistema capitalista contemporâneo que designamos por neo-liberalismo, seria impossível. O encadeamento dos quatro “pés de barro” parece-me lógico pois, embora os quatro estejam articulados entre si, o nexo entre pés sucessivos surge como mais próximo, devido à escala em que se colocam as questões práticas.
Seleccionei quarto pontos fracos que os neo-liberais não podem ultrapassar, devido à própria natureza do sistema: o primeiro, é a perda da coesão social nas sociedades capitalistas chamadas de “desenvolvidas”; o segundo, é o comportamento aparentemente caótico de um sistema financeiro sujeito às forças cegas do mercado, ou seja, da especulação; o terceiro é a hegemonia exercida por um super-poder mundial, tentando mantê-la a qualquer preço, através de uma guerra sem fim, infinita, “contra o terrorismo”, uma guerra de pleno terrorismo de estado, contra quaisquer povos da Terra, incluindo os seus próprios nacionais; e o quarto, a irreversível degradação do ambiente devido à extracção dos recursos naturais mundiais e uma produção para o lucro, com a acumulação de todo o tipo de matérias degradadas e de poluentes, sem qualquer preocupação pela manutenção do equilíbrio ecológico.
Todas estas questões principais estão relacionadas entre si e não podemos compreender plenamente nenhuma delas sem nos referirmos às restantes três. Note-se que partilham alguns pontos, além de serem típicas da era da globalização capitalista neo-liberal:
Todas correspondem a fenómenos muito clara e objectivamente observáveis no mundo real, cuja existência não é posta em causa, nem mesmo pelos defensores ortodoxos dos dogmas capitalistas.
Outra propriedade que as caracteriza, é a irrevelsibilidade dos fenómenos que as subjazem: estes problemas são de tal modo estruturais que, dentro do sistema capitalista, é difícil conceber sequer um eventual caminho que pudesse revertê-los.
As mais poderosas forças, tanto dos governos, como das grandes corporações trans-nacionais, estão resignadas a aceitá-los, algumas até extraem daí importantes lucros.
De facto, nenhum dos apologistas do neo-liberalismo jamais tentou apresentar uma verdadeira solução para tais problemas. Para lá da propaganda, eles sabem muito bem que estes problemas não têm qualquer solução nos limites estabelecidos dentro da sociedade de classes.
Por último, estes problemas são - em si mesmos - outras tantas razões fortes para uma pessoa inteligente desejar a abolição da ditadura capitalista, dado que ao tomar conhecimento destes problemas, qualquer um ficará consciente de que esta sociedade nem sequer tem sido capaz de satisfazer os padrões mínimos de decência na vida de mais de quatro quintos da população mundial.
PRIMEIRO PÉ DE BARRO: o abandono do consenso social.
Quando o chamado “bloco socialista” existia e os trabalhadores dos países ocidentais desenvolvidos eram tentados a seguir os partidos “comunistas”, sobretudo na primeira década após a 2ª Guerra Mundial, a segurança social, o serviço nacional de saúde, e outras conquistas sociais importantes foram possíveis porque a burguesia estava numa posição defensiva. Um maior consenso social era imprescindível para o crescimento capitalista retomar, depois das devastações na Europa. Esta era então a frente entre os dois blocos e sistemas, os regimes “comunistas” (na realidade, capitalismos de Estado) do Leste, sob o domínio soviético e os capitalistas no oeste, sob os E.U.A..
Após o colapso do bloco soviético, a burguesia compreendeu que estava num momento favorável para intensificar a exploração, obter margens de lucro maiores na economia ocidental, aplicando uma política agressiva de privatizações, criando um mercado para os serviços privatizados, nos ramos essenciais: saúde, educação, telefone, água, electricidade, transportes, etc.
Ao mesmo tempo, os trabalhadores eram sujeitos à precarização do seu contrato de trabalho; já não tinham contratos por tempo indeterminado, mas por um ano apenas, quando não por um mês. Isto retirava-lhes qualquer capacidade de negociação frente aos todo-poderosos patrões.
Os que ficavam sem emprego era sujeitos a múltiplas pressões para aceitar quaisquer empregos que lhes fossem oferecidos, mesmo sendo qualquer coisa indiferenciada e não de acordo com a especialização prévia do trabalhador, com a chantagem de corte do subsídio de desemprego, caso não se submetesse a esse novo emprego.
A aceitação complacente dos governos face à estratégia dos grandes capitalistas de deslocalizar as fábricas para zonas onde os custos salariais e sociais fossem muito mais baixos (entre os destinos preferidos contava-se a Europa de Leste não integrada na União Europeia e Ásia do Sudeste), mesmo tendo estes beneficiado de diversas ajudas especiais, sempre com o pretexto de assegurar os postos de trabalho, mostra a conivência desavergonhada entre uns e outros, o que para nós não é novidade.
Ao mesmo tempo, uma classe de «sub-homens», os imigrantes clandestinos ou ilegais, geralmente provenientes de regiões não europeias, iria ocupar os postos de trabalho mais humildes e deixados vagos pela classe trabalhadora do respectivo país de acolhimento, sempre sujeitos ao mais completo arbítrio patronal, à chantagem do despedimento imediato, sem qualquer justificação e indemnização, sendo a categoria dos imigrantes «legais» apenas um pouco menos duramente tratada, não deixando porém de estar sujeitos à chantagem do visto de residência, apenas concedido e renovado se –e somente se- o imigrante tivesse trabalho. Este influxo foi aproveitado pelas forças de extrema-direita, racistas e xenófobas, fazendo inclusive muitos adeptos entre uma fracção dos trabalhadores autóctones que estiveram sob influência dos partidos “esquerdistas”. Assim, a classe trabalhadora deixou-se fraccionar em categorias estanques, para maior gáudio e lucro dos patrões.
Todas estas situações (precariedade, desemprego, deslocalizações, imigração) foram-se instalando de maneira progressiva, por vezes com a cooperação dos sindicatos, ao firmarem os chamados “pactos sociais” com os governos.
Ao nível político, os mais activos capatazes deste programa neo-liberal não foram os partidos conservadores ou liberais, mas antes os “socialistas”, por vezes em coalizão com partidos “verdes” e até com “comunistas”.
Uma lição que se deve tirar daqui é que o capital prefere que a “esquerda” faça as tarefas sujas, sendo aproveitada a conexão orgânica dos partidos de “esquerda” com os sindicatos reformistas, o que torna mais fácil derrotar qualquer resistência dos trabalhadores. Com efeito, a classe trabalhadora tem estado indefesa estes anos todos (pelo menos, desde o início dos anos oitenta). As liderança do movimento dos trabalhadores tornou-se uma classe por si própria: alguns chamam-na classe coordenadora, outros chamam-na burocracia.
Enquanto houver uma crença alargada sobre a capacidade reformista de melhorar a situação dos trabalhadores, será impossível que as coisas mudem. Mas, nos dias de hoje, não há realmente nada que os reformistas possam oferecer aos trabalhadores. Apenas palavras e mais palavras. Os trabalhadores não podem esperar qualquer melhoria na sua condição, engajando-se nos becos sem saída que são as pseudo formas de luta conduzidas pelos reformistas; até mesmo quando se chamam a si próprios de “revolucionários”.
Eis a razão porque creio ser fundamental fazer uma crítica certeira das diversas lideranças reformistas, fazendo isto no seio de movimento dos trabalhadores, não em pequenos círculos auto-marginalizados.
A experiência de muitos militantes revolucionários tem mostrado ser inútil o trabalho num sindicato burocrático ou reformista, de modo isolado.
Se existirem sindicatos alternativos por perto, seria melhor entrar-se neles e torná-los mais fortes e melhores. Chamo «sindicato alternativo», a um sindicato que tenha uma organização de base (horizontal), um modo de decisão por democracia directa, orientado para a acção directa, claramente independente do Estado e anti-capitalista.
No caso de não haver tais sindicatos, será mais adequado construir tendências dentro de sindicatos burocráticos, eventualmente fazendo uma cisão e criando um novo sindicato, quando oportuno. E não deveríamos – de modo algum- ter receio disto por causa de um falso entendimento sobre o que seja a “unidade da classe trabalhadora”. Se nós não combatermos os nossos inimigos de classe, e isto inclui os burocratas que estão na direcção dos sindicatos e partidos e seus activos apoios, como falar de “unidade” de classe? Com quem estamos prontos a fazer unidade? Esta é a questão a ser colocada. Podemos procurar unidade na acção, nas ruas e nos locais de trabalho, mas isto é completamente diferente de unidade dentro das estruturas de cúpula de um sindicato burocrático.
A oportunidade está aqui, de retomar a tradição de um sindicalismo de luta de classes, antagonista e não dependente de quaisquer partidos. De facto, seria mais uma invenção do que um retomar. Precisamos de sindicatos para o século XXI, e não de sindicatos que olham para trás para os anos 20 do século passado. Mas, sem dúvida as condições estão amadurecidas, o discurso capitalista já nem hipocritamente fala da “harmonização” dos interesses dos trabalhadores com os seus. Eles sabem que não existindo ameaça de subversão, não precisam de desviar uma parte dos seus lucros para sustentar um “estado social” e, por isso, não desistem de desmontá-lo, peça a peça.
Estão claramente na ofensiva e consideram que este é o momento de irem tão longe quanto possível na destruição dos direitos dos trabalhadores e das suas salvaguardas.
Por outro lado, a política reformista chegou a um beco sem saída, não havendo maneira de credibilizá-la, quando não se podem esperar quaisquer reformas, apenas a destruição dos direitos laborais mais básicos. O descrédito das tácticas reformistas dificilmente poderia ser maior. Se os sindicatos alternativos obtêm sucesso na defesa dos direitos dos trabalhadores e alcançam algumas vitórias, isso deverá torná-los mais conhecidos e prestigiados. Tal parece ser o caso, com vários graus de sucesso, com várias confederações sindicais que não fazem parte da CES (Confederação Europeia de Sindicatos), em países da Europa ocidental, como Espanha (CGT; CNT-AIT; e outras, com base regional), Itália (UNICOBAS, CUB, USI, USI-AIT, e outras), França (SUD, CNT, CNT-AIT) e Suécia (SAC).
Além das instituições mais específicas do movimento dos trabalhadores, muito pode ser feito. Por exemplo, se os trabalhadores conseguirem articular verdadeiras cooperativas com o movimento sindical, isso daria uma base material mais vasta para a resistência destes segmentos do proletariado que estão mais sujeitos ao trabalho precário e a uma exploração sem limites. Se isto é possível na periferia das zonas urbanas na América do Sul, nomeadamente com cooperativas de reciclagem de lixo e outras, porque seria impossível existirem, nestes ou em quaisquer outros ramos, nas sociedades europeias? Quando o “Estado Providência” não é mais do que a memória de uma era passada, como poderão os trabalhadores ignorar todo e qualquer meio de levar a cabo, fora do Estado, a verdadeira solidariedade?
Os sindicatos de base, as cooperativas e outras entidades do movimento social são a base para outra cultura. É necessária uma cultura anti-capitalista e anti-autoritária, sem a qual é impossível esperar qualquer abordagem nova da revolução. Isto aplica-se no período mais ou menos longo que antecede a revolução, pois não será sequer imaginável que esta cultura comece a brotar apenas no momento da revolução ou do curto período de transição após o derrube da ordem antiga, que irá conduzir à sociedade sem classes.
Logicamente, todas as forças revolucionárias deveriam, conscientemente, sem quaisquer pretensão de vanguardismos esterilizantes, participar na construção permanente e no fortalecimento daquelas entidades do movimento social.
SEGUNDO PÉ DE BARRO: o mundo financeiro caótico
Todos os economistas ao serviço dos poderes tentam fazer-nos crer que existe uma força mágica, chamada “Mercado”, que teria a propriedade miraculosa de regular (auto-regular) toda a economia, influindo nos fluxos de capitais.
Acontece que esta visão nada mais é do que lixo ideológico neo-liberal para consumo das massas. Nenhum deles realmente acredita nesta instância divina, o Mercado.
Embora pareça que o mercado de capitais seja uma coisa independente dos governos, é evidente que não é, se incluímos no conceito de governo os directores dos bancos centrais, que, não obstante sua nominal independência em relação a quem os nomeou, não deixam de fazer parte da classe política, da “elite” que dirige o mundo.
Mas, para que o capital esteja devidamente resguardado, o sistema financeiro tem de tolerar os diversos paraísos fiscais, onde somas realmente colossais fogem ao fisco dos respectivos países. Estes paraísos são também locais preferenciais de lavagem de dinheiro das mais diversas actividades criminosas: do tráfico de droga, de armas, de escravos, etc. As estimativas da economia criminal são difíceis de fazer, mas há quem considere que esta movimenta globalmente cerca de um quarto da economia mundial...
É dentro e não fora ou à margem deste sistema financeiro que as diversas redes do terrorismo movimentam somas, consideráveis à escala individual mas totalmente despercebidas à escala de um grande banco, o que nos parece estranho sabendo nós como os mesmos bancos obtêm e armazenam dados pessoais sensíveis sobre os cidadãos e recorrem a eles para um simples empréstimo, destinado a compra de casa ou algo do género .
Igualmente, pessoas como Jorge Soros ou outros especuladores profissionais servem-se do sistema para obter monumentais lucros, nem que seja à custa da ruína das economias de países menos afortunados, especulando com as suas divisas.
Presentemente, a China tem vindo a realizar uma política de penetração nos diversos mercados através de uma política de indexação da sua moeda o Yuan ao dólar dos EUA.
Os EUA têm tentado obter, sem sucesso, que a China abandone essa política de indexação.
Sabe-se que os fluxos de capital que correspondem a verdadeiras trocas comerciais de bens e serviços, corresponde a apenas alguns porcento do fluxo total de capitais ao nível mundial. Isto quer dizer claramente que a maior parte dos movimentos de capitais são meramente devidos a negócios de especulação bolsista.
Outro mito constantemente alimentado junto das pessoas comuns é de que as bolsas são indispensáveis para esta «economia de mercado»; que, sem elas, os negócios não seriam realmente possíveis. Isto é uma grande mentira, pois estas acções, sujeitas a especulação não têm correlação verdadeira com a economia real (produtora de bens e serviços). Para avaliar esta realidade basta saber-se que os especialistas da bolsa desprezam títulos que não alcancem uma rentabilidade mínima de 8 a 10 % e – no entanto- os dividendos que são distribuídos aos detentores dessas mesmas acções, nos melhores dos casos, ou seja, de empresas com lucros, são da ordem de 0,5% por acção.
Além disso, as empresas cotadas em bolsa não são mais do que uma fracção da economia de um país, podendo dar-se o caso de empresas muito rentáveis não quererem entrar na bolsa. Talvez o caso mais paradigmático seja o grupo Carlyle, fora das bolsas de acções e dos olhares indiscretos, que detém empresas de armamento com imensos lucros. Este grupo exerce uma influência directa muito grande na Administração Bush.
O imenso amontoar de capital especulativo é de tal ordem que o excesso do dinheiro em circulação se tornou grotesco. A maior parte é dinheiro electrónico. Aquele que está presente em contas bancárias e noutras formas não materiais. Ele perfaz actualmente cerca de sete vezes tudo o que poderia ser comprado (quer esteja ou não à venda) em toda a Terra. Então o dinheiro, já não é, deixou de ser há muito, um símbolo do trabalho. Já não faz sentido o conceito marxista do “trabalho morto = capital” Este período histórico do capitalismo já acabou há muito. O dinheiro, o capital, é uma entidade totalmente abstracta, nos nossos dias, com o poder de escravizar os que não o possuem ou que possuem muito pouco, isto porque a economia do dinheiro se tornou praticamente universal. Ninguém pode –praticamente- viver sem dinheiro. Há cerca de meio século, em várias regiões da Europa, ainda se podiam observar restos de uma economia de troca, nas aldeias onde os vizinhos trocavam trabalho nos campos, ou a utilização de instrumentos de trabalho e bens diversos, animais de capoeira, etc. sem recurso ao dinheiro.
O sistema financeiro de hoje é um sistema totalmente artificial. Um certo número de pessoas está realmente a viver à sua custa, como fazedores de lucros ou como assalariados. Periodicamente há uma crise financeira mais forte e centenas de milhares de empregos e milhares de empresas são desaparecem. Das empresas obrigadas a fechar suas portas, uma percentagem delas estava realmente satisfazendo necessidades sociais reais. É por demais evidente, que um tal sistema é auto-destrutivo e, por si só, apenas pode continuar a gerar mais e mais pobreza a uma escala global.
Muito mais poderia ser dito sobre o sistema financeiro internacional, em especial sobre as instituições que têm sido pontas de lança da globalização, o Banco Mundial e o FMI, principalmente. Não é por acaso que estas instituições escapam completamente ao controlo dos povos pois nem sequer respondem a governos que muito indirectamente ainda se poderia considerar terem algo que ver com a vontade das pessoas. Na verdade, apenas respondem perante um conjunto de grandes bancos que emprestam dinheiro a países sujeitos a situações de insolvência e que são pressionados de forma impiedosa, para que os seus bens, matérias primas, recursos naturais, produtos agrícolas, sejam canalizados para o pagamento dos juros da dívida, a qual em vez de decrescer, vai-se acumulando à medida que o tempo passa.
Gostaria de esclarecer o meu ponto de vista sobre a questão, perspectivando as fraquezas, pondo-as em evidência e desenhando uma estratégia para derrotar o monstro.
Contrariamente aos defensores duma taxa Tobin (ATTAC) outras “soluções” reformistas semelhantes, não acredito que o capital jamais consinta em se auto-limitar.
Pode-se dizer, num certo sentido, que os capitalistas são internacionalistas verdadeiros e que o capital não tem pátria.
Não penso que o capitalismo e suas instituições globalistas (OMC, FMI, etc.) possam ser batidas apenas por mobilizações de massas, de cada vez que ocorre uma cimeira. Estas mobilizações são parte do processo de educação, espalhando as sementes de colectivos de base e anti-capitalistas de amanhã; muitas pessoas irão regressar dessas manifestações com maior desejo de participar e de lutar.
Mas a única maneira de nos livrarmos dos predadores financeiros é fazer uma revolução coroada de sucesso. Acontece que não precisamos de nos inquietar demasiado com a desorganização causada pela abolição do sistema financeiro, no momento em que a revolução estiver ocorrendo ou imediatamente a seguir.
A única preocupação será com os empregados das instituições bancárias e similares, escravos assalariados como os restantes trabalhadores; terão de orientar-se para tarefas mais construtivas.
Na verdade, o sistema produtivo não está dependente do sistema bancário. É este o predador, que vive dos lucros do sistema produtivo. Parece que isto ainda não é óbvio para muita gente. A maior parte acredita no mito do dinheiro criando dinheiro. O sistema bancário não cria nem um grama de valor; todos os seus lucros são de facto resultantes do desvio dos lucros gerados pelas empresas produtoras de bens e serviços.
O capitalismo de hoje, totalmente dominado pelas corporações financeiras, parte significativa das maiores corporações trans-nacionais, é um sistema caótico.
É tão frágil que a qualquer momento pode ser afundado na depressão apenas por uma série de coincidências imprevisíveis. Muito recentemente, o furacão Katrina veio confirmar –de forma trágica- esta fraqueza característica do capitalismo.
Neste momento está-se a entrar numa fase de depressão da economia ao nível mundial. Apesar das consequências maciças na produção, causadas por tal depressão mundial, isso não é um problema de maior, desde que exista o super-poder dos E.U.A. para garantir que a ordem mundial permaneça essencialmente a mesma.
Mas quem apostaria que será sempre assim, indefinidamente, a cada crise financeira mundial que o sistema vai gerando?
TERCEIRO PÉ DE BARRO: a guerra infinita contra o terror
Quando o Muro de Berlim foi derrubado e o império soviético se desmoronou como um castelo de cartas, muitas pessoas, nos países ocidentais, acreditaram que o capitalismo seria superado por uma série de reformas, dado já não haver um inimigo exterior obrigando a despender parte da energia da sociedade em armamentos, etc., etc.
Todo esse pensamento míope, de quem toma os desejos pela realidade, foi cedo negado quando a Jugoslávia foi empurrada para uma selvática guerra civil, com pesadas responsabilidades de alguns estados da União Europeia, nomeadamente da Alemanha e Áustria, e uma mãozinha do Vaticano, governado pelo muito reaccionário João Paulo II.
Esta guerra culminou com uma campanha destinada a destruir a Sérvia, sob o pretexto de salvar a população albanesa do Kosovo. O resultado disto é uma espécie de não-estado, um protectorado da NATO e da UE.
No médio oriente, a primeira guerra do Golfo contra o Iraque foi seguida por um conjunto de sanções cruéis, que puniram a população civil, não Saddam Hussein ou os seus acólitos.
Os palestinianos não conseguiram que a sua exigência de reconhecimento do seu país fosse inteiramente satisfeita, ao assinarem os acordos de Oslo com Israel, sob os auspícios dos E.U.A. Disto se aproveitaram os israelitas, apoiados por Washington, para a instalação de mais e mais colonatos e a extensão dos já existentes em terras que eram palestinianas e como tal reconhecidas por todos os tratados internacionais.
Depois do 11 de Setembro de 2001, os E.U.A., sob George W. Bush, lançaram um ataque punitivo contra o Afeganistão cujo regime taliban estava hospedando Bin Laden. Este regime tinha um acordo com os EUA, ao abrigo do qual conseguiu erradicar grande parte da produção de papoila (matéria prima do ópio). Pelo contrário, hoje em dia, o Afeganistão é novamente um dos maiores produtores mundiais.
O resultado da guerra foi mais de 10 000 mortos civis, mas não sabemos ao certo quantos, pois o invasor não os contabilizou. O novo regime, instalado pelos EUA, continua a ser constantemente ameaçado pelas guerrilhas taliban. A situação eterniza-se e as forças EUA/NATO parecem estar atoladas, exactamente como as forças soviéticas há duas décadas (nessa altura combatidas , com apoio dos EUA, pela Al Quaida).
Quer em termos militares, quer políticos, o Afeganistão não tem sido um sucesso. Os objectivos proclamados de derrotar os taliban, de eliminar ou capturar Bin Laden e de acabar com a sua rede, não foram atingidos até agora.
No ano de 2003, após uma campanha enganosa para convencer o público de que o regime de Saddam Hussein tinha assustadoras armas de destruição maciça, os EUA com o auxílio da Grã-Bretanha e doutros estados vassalos, lançou nova guerra, matando, ferindo e destruindo a infra-estrutura já fragilizada do Iraque.
Até ao presente, a invasão sangrenta e a não menos mortífera ocupação já fizeram cerca de 100 mil vítimas.
Também neste caso, não conseguiram levar a cabo quaisquer dos objectivos proclamados. O país é agora um campo de treino e uma frente de luta real para as diversas guerrilhas fundamentalistas. E, tomando pretexto desta invasão, uma vaga de atentados bombistas estendeu-se desde Bali (Indonésia), a Londres, passando por Marrocos, Arábia Saudita e Madrid. Todos os dias, no próprio Iraque, há vários ataques à bomba, causando perdas severas na polícia, nas forças armadas iraquianas, na população civil. Também soldados dos EUA e dos outros exércitos invasores têm sido mortos ou feridos em números significativos.
O governo iraquiano fantoche não consegue manter-se sem a ajuda constante das forças dos EUA, e não há perspectivas de uma retirada ou solução diplomática, tal como aconteceu, há mais de três décadas, no Vietname.
Toda a estratégia da “guerra contra o terror” é um absurdo, se acreditarmos nas intenções proclamadas do super-poder mundial. Uma luta contra o terror é apenas possível tendo na devida conta as razões políticas que criam o terreno para tais actividades terroristas . E as questões básicas a examinar são o domínio americano na região e o seu apoio à dominação colonial do estado de Israel sobre o povo palestiniano.
Temos de procurar uma outra explicação, para além da propaganda: a chamada “guerra ao terror” é o meio que o capital trans-nacional, por detrás da administração Bush, encontrou para pôr em prática um plano já existente antes da primeira “eleição” de George W. Bush., o PNAC (“Plan for a New American Century”).
As grandes corporações e os seus parceiros políticos estão apostados numa estratégia de hegemonia. Apenas desta maneira poderão continuar a sua predação dos recursos planetários; só assim poderão continuar a ser a nação com o maior défice comercial e orçamental, sem que nada de mal aconteça à sua economia; a nação mais poluidora e com uma contribuição muito pequena para a resolução dos problemas que ela própria criou; a nação com capacidade para declarar que determinado estado é um alvo legítimo, para imposição da sua “democracia”, à custa de bombardeamentos e invasões militares.
Se pensarmos na História, nomeadamente sobre os anteriores impérios, não existe nada de muito especial acerca do pensamento estratégico dos EUA. Tornar-se o mais poderoso, controlando o acesso aos recursos estratégicos, petróleo, gás, água, urânio... de tal maneira que possam obter tanto quanto precisem e forçando os outros a jogar o jogo se quiserem ter direito a algumas fracções diminutas dos mesmos.
Para tal, a enorme despesa causada para manter o aparato militar necessário pode ser uma fonte de grande lucro para um certo número de empresas e grupos, mas o Estado em si mesmo fica enfraquecido. Se o Estado existe, em primeiro lugar, para servir a classe dos capitalistas e as grandes empresas, é com certeza verdade que estas não podem estar interessadas na bancarrota do Estado. Se ele não conseguir atender às suas obrigações sociais, e os pobres ficarem demasiado infelizes e frustrados, a agitação social vai começar a tornar-se um problema.
O enorme orçamento de despesas com armas, equipamento militar, pessoal e investigação com fins bélicos, cresceu para níveis nem sequer atingidos durante os piores anos da Guerra fria. Este nível não é sustentável durante um longo período.
Basta considerar-se o seguinte: toda a operação do Iraque foi lançada na suposição de que os rendimentos do petróleo iriam pagar a ocupação militar no longo prazo. Os EUA deverão aí permanecer pelo maior tempo possível, sob o pretexto de garantirem a segurança do governo fantoche. Mas isto irá tornar-se um peso demasiado se os rendimentos do petróleo não estiverem disponíveis para pagar os custos da ocupação. A sabotagem constante das instalações petrolíferas e dos oleodutos pela resistência está a diminuir cada dia que passa as possibilidades desse plano ser coroado de sucesso.
À escala global, os EUA e seus aliados estão confrontados com a proliferação de armas nucleares, a única arma vista como dissuasória de uma brutal agressão dos EUA.
A invasão do Iraque deu ao Irão e à Coreia do Norte a certeza de que, visto estarem incluídos na lista negra, o seu único meio de sobrevivência é contrariar a ameaça com uma capacidade nuclear própria.
As aventuras militares dos EUA estão a criar por todo o lado um risco aumentado, tanto dos grupos radicais fundamentalistas islâmicos, como de um renovo da corrida aos armamentos nucleares.
Outras potências nucleares, nomeadamente a Rússia e a China, estão atentas ao facto de que têm de actualizar permanentemente a tecnologia dos seus armamentos nucleares, porque vêm a natureza do jogo que a liderança dos EUA está jogando. Estão tão atentas que têm estreitado relações de cooperação em vários campos, desde a economia (a Rússia pode vender as vastas quantidades de petróleo que a China precisa para a sua economia em rápido crescimento) até ao desenvolvimento de armamento (a Rússia anunciou há algum tempo que possui um sistema que neutraliza o sistema anti-balístico dos EUA e poderá fornecer informações à China).
Então, o poder dos EUA pode ser mantido em cheque a vários níveis e em vários cenários. Algumas pessoas argumentam que não houve ataques dos EUA a outros países por causa do seu fracasso no Iraque.
Muito provavelmente, o todo poderoso império será incapaz de usar as suas forças em larga escala, em duas ou três frentes em simultâneo; isto daria a oportunidade de um processo revolucionário se desenrolar nalguma parte do Mundo, num dado momento, sem que houvesse possibilidade de ser esmagado pelos imperialistas.
Ao nível militante há muitas coisas que podem ser feitas.
Nunca se deve esquecer que as guerras não poderiam ser combatidas sem homens (e mulheres).
Portanto, as potências têm de ter um certo número de jovens dispostos a irem para a guerra, de outro modo não será realístico lançar uma guerra. Mesmo as guerras dos nossos dias precisam de um exército que ocupe uma determinada área geográfica. Fazer com que a ideia da guerra se torne repulsiva para a juventude é portanto um poderoso instrumento contra o imperialismo.
De novo, tal como para a secção anterior, o facto de se participar em manifestações e outros protestos é válido pelo seu valor educacional. Precisamos também e sobretudo de campanhas de informação para contrariar a propaganda servil da média corporativa.
Há necessidade urgente de informar as pessoas sobre a responsabilidade criminosa de Bush, Blair, Putin, etc. nestas guerras. Devem-se mostrar imagens da guerra como é na realidade: os cadáveres horrivelmente mutilados, que são sistematicamente escondidos do olhar do público. Isto iria fazer as pessoas pensar duas vezes antes de irem para a guerra, ou de enviarem os seus filhos. Devemos apoiar os objectores de consciência, recolher fundos para a sua defesa legal, etc. Deveríamos apoiar activamente os ramos não-fundamentalistas da resistência iraquiana, especialmente os sindicatos operários, as associações de desempregados e os movimentos de mulheres.
Deveríamos fazer campanha para que as tropas estrangeiras abandonem o Iraque.
Mais globalmente, deveríamos utilizar toda a informação que possuímos para fazer campanha contra o imperialismo, não esquecendo outros cenários de crimes como o genocídio na Tchechénia ou nalguns regimes assassinos de África, apoiados pelos poderes ex-coloniais europeus, que continuam a dominar este continente como se ele fosse o “quintal das traseiras” da Europa.
No longo prazo, na sua luta pela hegemonia, o imperialismo não poderá deixar de se confrontar com outros poderes imperialistas, menos fortes, tentando subjugá-los. No meio das guerras e destruições trazidas pelos inimigos de classe, existem algumas oportunidades de derrubar o poder e de iniciar o caminho revolucionário para uma sociedade de autêntico comunismo livre. No entanto, esta sociedade apenas pode ser plenamente alcançada quando os capitalistas forem varridos do mapa. Isto é uma conclusão que se pode retirar das revoluções passadas e com as quais devemos aprender.
QUARTO PÉ DE BARRO: o pesadelo ambiental
Os poderes que detêm o controlo dos recursos da Terra estão mais preocupados com extraírem lucros do que com qualquer outra coisa.
Enquanto havia tantas terras por explorar, tantas florestas para serem usadas como fonte de madeira, tantos rios com peixe, etc. parecia que as riquezas da Terra eram inesgotáveis e que se podia viver para sempre usando aquilo que a Mãe Natureza nos dava.
Sabemos que esta era passou, irremediavelmente. Temos de lutar pela sobrevivência do ecossistema mundial, fazendo face a problemas que vão do aquecimento climático à extinção em massa de espécies e à disseminação mundial de doenças letais.
Mas o que é que o neo-liberalismo tem a dizer perante a isto? Nada; absolutamente nada!
O neo-liberalismo assume a existência de um crescimento linear, um modelo de continuidade, que não pode ser mais distante da verdade, da mais clara evidência científica. Ele postula que a Terra tem uma quantidade de recursos não esgotáveis e que a economia está aí para os transformar em mercadorias, tal como o fazia nos séculos XVIII ou XIX..
Apesar das muitas declarações acerca de preocupações com o ambiente, os políticos da área liberal ou socio-liberal não se importam muito a esse respeito. Os economistas (a maior parte está ao serviço dos grandes negócios) também estão sempre a fazer as suas análises baseadas nas falácias acima referidas, sendo certo que para satisfazer seus patrões não se podem pôr a proclamar que o capitalismo é prejudicial para o conjunto da espécie humana.
A presente crise ecológica está relacionada com o domínio forte de umas escassas indústrias sobre a economia mundial, de modo que controlam as políticas das super-potências. São elas: a indústria petrolífera, a indústria de construção de automóveis, a indústria de armamento e a indústria aeronáutica. Toda a economia mundial está muito profundamente dependente do petróleo.
A capacidade de construir toda a espécie de máquinas (incluindo automóveis) movidos com fontes renováveis de energia está –desde já- presente. Trata-se de processos tecnológicos bem controlados, como o de carros movidos a hidrogénio. Este hidrogénio pode ser obtido da água por electrólise, com painéis solares. É um sistema essencialmente não poluente e que usa energia renovável. Ele não é posto em prática numa larga escala porque as indústrias de automóveis e de petróleo compraram as patentes relacionadas com estes processos e não deixarão ninguém explorá-las. Está nas suas mãos os carros moverem-se a hidrogénio e estas grandes indústrias apenas lançarão tais modelos para o público em geral quando acharem que isso é vantajoso para elas próprias. Até lá, os carros a gasóleo e gasolina continuarão a poluir e aumentar o efeito de estufa, enviando dióxido de carbono para a atmosfera.
Os painéis solares podem ser fabricados a baixo preço e equiparem todo o tipo de edifícios, escolas, hospitais, escritórios, casas de habitação… o calor necessário para obter água quente deveria ser obtido dessa maneira barata e não poluente.
Os painéis solares também são muito práticos para obter energia eléctrica. Em várias aldeias africanas é escolhido como meio de obter energia. Mas se fosse um processo de obtenção de energia eléctrica em pequena escala iria entrar em conflito com os grandes negócios de produção e distribuição de energia eléctrica, quer sejam privados ou estatais. Assim, a energia eléctrica continua sendo produzida - e de forma crescente- usando combustíveis fortemente poluentes, como o urânio ou o carvão. Estas pequenas fábricas locais de produção de energia eléctrica solar seriam demasiado perigosas em termos políticos também, porque as pessoas teriam maior grau de autonomia e meios para resistir a um poder central opressor.
Lançar e implementar tais projectos energéticos ao nível da comunidade local poderia ser muito positivo, especialmente se várias pessoas se juntassem para chegar a um objectivo comum.
O lançamento de projectos no âmbito da salvação do ambiente natural pode também ser muito educativo.
Ao nível mais geral, temos de reconhecer que há um certo número de actividades apresentadas como uma contribuição para o “crescimento” (o deus neo-liberal), que são de facto nefastas para o ambiente, destruindo-o de uma maneira ou de outra, sem satisfazer nenhuma necessidade humana verdadeira.
É realmente possível viver melhor, trabalhando muito menos.
Nos dias de hoje, a maior parte das pessoas perde a sua vida, tentando ganhá-la. Este sistema cruel é completamente contrário às necessidades das pessoas. Apenas o desejo pelo lucro o move. Temos de nos lembrar que os instrumentos e as máquinas são feitos para nos servir, não o contrário.
Apenas outra organização da sociedade- o comunismo libertário- poderia nos dar tanto a satisfação das nossas necessidades básicas, como do tempo para gozar a vida.
Na sociedade capitalista, o “progresso” tecnológico e científico são constantemente desviados para apoiar o capitalismo. Num contraste claro, a investigação e as aplicações tecnológicas seriam dirigidas, numa sociedade comunista libertária, à satisfação das necessidades individuais e colectivas.
É claro que uma preocupação pelo futuro dos nossos filhos e netos nos levaria repudiar essa espécie de ideologia monstruosa dos neo-liberais. Eles nem sequer estão preocupados com a sua própria descendência. Talvez julguem que a crise ambiental apenas irá afectar os mais pobres ou os que vivem em terras longínquas do “Terceiro Mundo”. Mas isto não é sensato, é realmente de vistas curtas, para não falar da absoluta falta de generosidade, no que diz respeito à humanidade no seu todo.
Precisamos de ensinar/aprender através de acções concretas, desde campanhas até oficinas (“workshops”), especialmente os/as jovens. Estas actividades têm a possibilidade de capacitar as pessoas para a transformação, de fazer delas protagonistas da mudança, de as fazer actuar segundo a sua autodeterminação e isto é uma boa introdução a uma consistente militância anti-capitalista, anti-autoritária.