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A verdade crua da “crise” do capitalismo.

category international | economy | opinion/analysis author Thursday July 02, 2009 10:38author by Bruno - 1 of Anarkismo Editorial Groupauthor email blrocha at autistici dot org Report this post to the editors

A FAG analisa a mega estafa e a quebra do modelo de abusos do capitalismo financeiro

Hoje, neste mundo atravessado pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), o inimigo, os inimigos, antes de se valerem de repressão direta na forma de violência física, nos atacam com a luta de idéias. Uma destas idéias espúrias, de mentira visceral, é chamar de “crise” aquilo que deveria ter o nome de “natureza criminal do sistema capitalista”. A “crise”, além de ter sido uma deliberação intencional de operadores econômico-financeiros no comando dos EUA na última década, tampouco é uma novidade para as maiorias. Quando todo mundo fala na tal da “crise” é como se para o povo trabalhador viver em “crise” fosse novidade. Mudou o mundo, mudaram os Estados e no arranjo da dominação capitalista, nós perdemos força e espaço. Nós quem? Nós CLASSE OPRIMIDA, especialmente a fração de classe chamada de TRABALHADORA FORMAL.

O Sistema Swift (Society for Worldwide Interbank Finance and Telecommunication) é a materialidade da globalização capitalista
O Sistema Swift (Society for Worldwide Interbank Finance and Telecommunication) é a materialidade da globalização capitalista

A intencionalidade do capitalismo é o crime quase suicida

Por isso a Federação Anarquista Gaúcha não pode aceitar a simples explicação de crise cíclica em função de uma inerência do Sistema Capitalista. Vamos, com calma e em detalhes, explicar o porquê de nosso argumento. O capitalismo é um marco civilizatório, um mecanismo de transformação dos aspectos da vida societária em mercados. Também é um complexo sistema de dominação. A base do capitalismo globalizado é sua versão financeira.

Para esta forma de capital, não houve queda na taxa de lucros das mercadorias no formato de carteira de títulos financeiros até este mesmo capital, que é fictício, perder qualquer tipo de lastro. A quebradeira surge do aumento da taxa de juros (desregulados, flutuantes) nos Estados Unidos. Esse aumento é uma decisão de governo que controla o Estado mais poderoso do planeta. A razão disso é o financiamento da Guerra de Ocupação do Iraque. Na última década, a maior parte dos gastos do Pentágono com o esforço de guerra imperial sequer era divulgado, ficando sob a rubrica de “gastos secretos”. Para cobrir essa estupidez, para pagar o custo de torturar, matar e saquear o Iraque e o Afeganistão foi preciso vender mais títulos da dívida pública dos EUA, forçando a países como a China e o Brasil a adquirir esses papéis.

Com o próprio Tesouro estadunidense sofrendo rombo devido ao financiamento das transnacionais petrolíferas e das prestadoras dos serviços de guerra, aumentar a taxa de juros no final do governo Bush Jr. teve como meta remunerar os compradores de títulos de sua dívida pública. Ao mesmo tempo, esta remuneração atende o crescimento da China, que é a maior credora dos EUA. Ou seja, a crise cíclica foi fruto de uma seqüência de decisões políticas, já que o único país rico do planeta que estava com super produção de mercadorias era a própria China, parceira interdependente do Império estadunidense que ameaçava se desintegrar caso Obama não saísse vitorioso nas eleições de 2008.

O que é a bolha imobiliária?

A farra dos chamados ativos tóxicos, foi um jogo de má fé onde todos sabem que os títulos negociados não têm valor e nem lastro (valor real onde se baseia a estimativa de valor de um título). Isso materializa a verdadeira “essência” do capitalismo. Antes, a picaretagem triangulada entre Empresas – Seguradoras – Análise de Risco – Consultoria ganhou forma e lugar no caso Enron, emblemático do início do século XXI. Um dos maiores conglomerados econômicos estadunidenses aplicou mais de 1600 empresas laranjas como sendo parte de sua dívida ativa. Portanto, com suposto dinheiro que teria para receber. Ao fabricar falsos balanços, quebrar a empresa e roubar o dinheiro dos acionistas no varejo, a Enron materializa o conceito de que os grandes operadores do capital financeiro são a versão sofisticada da agiotagem em larga escala. Já o comportamento dos executivos das grandes companhias é o de corsários, abocanhando uma fatia dos lucros fraudulentos destas organizações empresariais.

Empresários, executivos, tecnocratas e analistas de plantão sabiam de tudo quando arriscavam as riquezas sob seu controle na roleta russa do cassino da globalização. Aqui, nos EUA, na Europa e em qualquer lugar do mundo. Houve intencionalidade desde o começo. Processo semelhante aconteceu no sudeste asiático na segunda metade dos anos ’90. Começa quando a Tailândia libera a flutuação de sua moeda nacional. A falsa crença, de base fraudulenta, acredita ou finge acreditar publicamente, que existe um suposto equilíbrio e que as leis “científicas” vão designar o valor justo para algo. Pura balela. Os então chamados tigres asiáticos são alvo da ação de mega apostadores, incluindo a falência criminosa do Banco Barings, fruto já de operações financeiras do mercado de derivativos. Como sempre ocorre, um operador pagou de bode expiatório, sendo acusado de sozinho quebrar a Malásia.

A tal da crise atual é puro comportamento fraudulento acelerado pela velocidade das novas tecnologias e da perda do lastro do capital fictício (financeiro).

De onde vem tanto descalabro? O Sistema Swift de compensação bancária via satélite

Na origem da picaretagem dos derivativos atuais está o conjunto do sistema financeiro e bancário mundial. O mecanismo central surge em 1973, quando as 10 maiores instituições financeiras do mundo criaram, em plena escassez do petróleo devido às guerras imperialistas no Oriente Médio, uma forma global de compensação bancária automática e mundial. Para garantir o bom funcionamento, este sistema opera por satélites e não sofre regulação de governo algum no ato da transação. Vem daí a expressão “capitalismo telemático”. Isto, a informática mais as telecomunicações para acelerar a velocidade de circulação de um capital em formato de dígito bancário.

O Sistema Swift contempla 99,9% das operações bancárias do mundo, agindo como prestador de serviços. A velocidade adquirida com as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) acelerou de tal forma as transações financeiras que no auge dos derivativos, os canalhas chegaram a negociar um ativo tóxico a cada 4 segundos. O tamanho do rombo se fez notar no final de 2007 e estourou de vez no fim de festa do governo de Bush Jr.

Mas, antes da bolha imobiliária dos EUA ser estourada pelo aumento dos juros em função dos custos da Guerra de Ocupação no Iraque, por mais de vinte e cinco anos, o Sistema Swift acelerou as transações bancárias, sendo o portador e transmissor do dinheiro eletrônico do mundo. Todos os capitais em formato de depósito bancário, com o Swift, ganharam a capacidade de circular livremente pelo mundo. Neste bolo de dinheiro digitalizado, incluem-se as contas secretas de serviços de inteligência, os tesouros da corrupção nos países subdesenvolvidos e todos os volumes existentes nos chamados paraísos fiscais. Estas ilhas de ilegalidade capitalista assumida servem como esgoto cloacal, onde um dinheiro com origem suja pelas regras do próprio sistema começa a circular de forma legalmente aceita, através da primeira infovia globalizada.

Para acabar com a farra da jogatina especulativa, bastava com fechar os paraísos fiscais e proibir a circulação através do Swift. Isso seria a morte do jogo dentro das próprias regras do capitalismo globalizado. Como nenhum sistema de suicida nem se autodestrói, isso somente vai acontecer quando os povos em luta forçarem os governos de turno a mudar a correlação de forças, diminuindo a lucratividade do capital fictício, que é o capital financeiro.

O texto é um extrato da análise da FAG feita no ato de 1o. de maio de 2009

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