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Wednesday March 22, 2006 09:32 by Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás proorganarquista_go at riseup dot net
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[Castellano]A Luta por Moradia em GoiâniaUm ano de Parque Oeste Industrial Casas derrubadas. Mulheres, homens e crianças sendo espancadas pela polícia. Trabalhadores e trabalhadores presas ou assassinados. Sonhos reais de dignidade massacrados pelos instrumentos de dominação. Operação triunfo. Era fevereiro de 2005 e estava ocorrendo uma das mais violentas desocupações da cidade de Goiânia. Após um ano do massacre ocorrido na desocupação do Parque Oeste Industrial, as famílias que ali buscavam seu direito de ter uma moradia digna, encorajadas pelas falsas garantias de políticos, continuam a morar em baixo de lonas, em situação degradante, porém mais afastados dos olhos da sociedade. Por outro lado, a área desocupada da região continua servindo à especulação, cumprindo o nobre papel da propriedade privada: servir de enriquecimento de poucos e escravização de muitos. A cidade de Goiânia hoje, segundo dados do próprio poder público, vive um défict de moradia de 20.000 famílias, ou seja 20.000 famílias em Goiânia não possuem nenhuma condição de moradia digna, muitas encontram-se nas ruas, em ocupações, favelas, sem nenhuma infra-estrutura. A resposta do poder público a essa realidade é uma só: a prefeitura não tem área disponível nem dinheiro para investir em projeto de moradia. E ao que podemos perceber, também não tem nenhum interesse em saber o que é preciso fazer para resolver tais problemas. Nada mais natural, afinal de contas, quem está dentro do poder público possui planos bem diferentes para a questão imobiliária (para eles, questão imobiliária negócios, dinheiro; para nós, questão de moradia sobrevivência, dignidade). A questão da moradia na cidade de Goiânia passa assim por vários mecanismos de defesa da classe dominante e opressão da classe explorada. O principal inimigo dos povos dos tetos de lona e dos povos da rua são as empresas do mercado imobiliário. Desde as grandes imobiliárias que possuem grandes latifúndios na cidade, passando pelas grandes construtoras, a especulação imobiliária gera fortunas. A luta pela moradia passa por lutar contra os interesses desta burguesia imobiliária que ganham o seu lucro do monopólio das terras urbanas. A ADEMI (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário) é um sindicato da burguesia que age pressionando os governos para manter e expandir seus privilégios e para reprimir qualquer ação direta dos sem-tetos. A ADEMI possui grande força nos governos municipais e estaduais, elegendo vereadores e indicando secretários, tendo um poder forte para utilizar a máquina do Estado ao seu favor. Além da ADEMI e dos governos, um outro instrumento fundamental da burguesia imobiliária é a grande mídia. Exercendo pressão sobre a luta dos sem-tetos, desmerecendo suas causas, distorcendo os fatos, transformando os trabalhadores em vagabundos, ela consegue dominar a opinião pública em favor da repressão contra a luta direta dos explorados sem moradia. Assim, a organização da luta por moradia, passa por enfrentar estes três instrumentos da classe dominante: ADEMI, GOVERNOS e GRANDE MÍDIA. Por isso, se ficarmos esperando dos governos solução para a questão da moradia, essa espera será eterna. Só nos resta unirmos em movimentos sociais, para poder lutar contra essa realidade e exigirmos nossos direitos. Realmente a história nos mostra que nenhuma conquista do povo oprimido veio da ajuda de “bondosos” políticos ou empresários. Pelo contrário, nossos inimigos de classe sempre deixaram bem claro que qualquer tentativa de organização para transformar essa realidade de injustiças será tratada na bala, com muitas leis e armas para garantir os privilégios de quem tem, não só um, mas vários tetos para todos os dias dormir tranquilamente com seus filhos. Sabemos que todas as conquistas do povo oprimido veio de muita luta e resistência. Foi com o povo se organizando e partindo para ação direta que as condições mínimas de vida foram conquistadas. Com a questão da moradia não será diferente. Sem a organização popular e a disposição para a luta direta, a moradia continuará sendo um privilégio da classe dominante, ficando para os trabalhadores as ruas e favelas. Em Goiânia, as 20.000 famílias de sem-tetos não encontram um movimento social através do qual possa gerir a sua luta por moradia. Movimentos como o MNCR (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis) surgiu na cidade e vem organizando grande parte dos catadores que se encontram nas favelas, na rua e nos depósitos. Esses catadores, além de lutar por melhores condições de trabalho, também enfrentam o problema da falta de moradia e lutam para conquistar seu teto. Mas ainda assim, movimentos como o de trabalhadores desempregados e movimentos específicos de sem-teto são instrumentos fundamentais para a luta por condições mínimas de existência. O anarquismo como ideologia da classe explorada vem para estimular a organização de nossa classe na luta contra os patrões e o Estado. Estimular a organização dos sem-tetos, catadores, desempregados e todos aqueles que sob diversas profissões não possuem um pé de chão para morar. Enfrentar as grandes imobiliárias e os poderes municipais e estaduais, com a força organizada dos sem-tetos, fazer o Sonho se tornar Real, honrar o sangue derramado dos companheiros há um ano atrás. Eis a luta que não abandonaremos jamais. Texto retirado do Informe Anarquista nº04, publicação trimestral do Coletivo Pró Organização Anarquista em Goiás
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Comments (1 of 1)
Jump To Comment: 1pelo texto! muito bom!
acrescentando: justo agora, nas vésperas da campanha eleitoral, as pessoas começam a ser transferidas do acampamentos para a área definitiva. a conquista dessa área foi muito importante, custou muitas mortes, muito sofrimento e como sempre, tende a ser utilizada para fins eleitoreiros.