user preferences

New Events

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana

no event posted in the last week

A ex-esquerda caiu por sua derrota ideológica

category brazil/guyana/suriname/fguiana | miscellaneous | opinião / análise author Saturday January 28, 2017 10:34author by BrunoL - 1 of Anarkismo Editorial Groupauthor email blimarocha at gmail dot com Report this post to the editors

O lulismo se desarmou ideologicamente para prevenir um golpe dos aliados oligarcas.

Afirmo de maneira categórica: A ex-esquerda sucumbiu por ignorância ou subestimação do conceito de ideologia e a consequência direta da falsa ideia de hegemonia na sociedade brasileira. Como também afirmo há tempos, chegando ao ponto da exaustão por repetição do conceito, não trato da hegemonia de tipo superficial ou rasteira, quando se entende – de maneira equivocada – “ter hegemonia” a simplesmente impor alguns nomes para certos cargos-chave em instituições importantes dentro de uma sociedade estruturalmente desigual. Isso não é hegemonia, talvez hegemonismo, velho vício das esquerdas encantadas com a tentação autoritária.

O vice golpista, a presidenta deposta e o ex-presidente que se confundiu com o inimigo
O vice golpista, a presidenta deposta e o ex-presidente que se confundiu com o inimigo

Ouso afirmar que passamos ainda pela doença de um certo “hobbesianismo distributivista”, e muito além não vai o pensamento de tradição stalinista e também neovarguista. Neste segundo, tendo como aliado o primeiro, localizo a posição ideológica do ex-presidente Lula e do fenômeno do lulismo. E, assim como em 1964, perde-se tudo por não entender o tipo de sociedade pós-colonial onde nos encontramos. Ou pior. Perde-se tudo por acreditar na institucionalidade burguesa mais do que a própria oligarquia nacional e os estamentos que agora se aventuram na tomada do poder de Estado (tal como magistrados e procuradores). Enfim, perde-se o Poder Executivo por não acreditar em nenhum momento em criar ou reforçar agentes coletivos com poder de veto. Logo, perde-se o Poder Executivo Pós-colonial, criollo e burguês por não querer nada com o Poder Popular.

Muito se há especulado a respeito da perda absurda do poder por parte do segundo governo Dilma (2015-2016). Podemos realçar o papel das empresas de marketing digital e centros de fomento do neoliberalismo; também a função estratégica da mídia massiva para formar um novo consenso conservador; a ação do imperialismo através da Operação Pontes e com a instalação da Força Tarefa da Lava Jato (praticamente incontrolável e em cooperação direta com os EUA); e obviamente a ação traidora do ex-aliado político, encabeçado pelo vice-presidente eleito e reeleito com a ex-ministra da Casa Civil de Lula. Mas, insisto, a ação do inimigo estratégico era subestimada pelo lulismo, que a via apenas como adversário circunstancial. Logo, ao não assumir a impossibilidade de uma aliança de longo prazo e consequente “defesa da estabilidade institucional”, Lula, Rui Falcão, José Dirceu e outros dirigentes de peso, conseguiram impor seu consenso e autoconvencimento sobre uma legenda com milhares de filiados, mas com pouca democracia interna na tomada de decisões centrais.

A derrota ideológica passa por confiar em demasia e não ter um trunfo, uma carta na manga. Ninguém em sã consciência pode se “surpreender” com a conduta de Michel Temer – exemplificada na carta onde este se apresenta como “candidato” em pleno exercício da Vice Presidência – sendo o próprio, afilhado político de Adhemar de Barros e projetado nacionalmente através de Orestes Quércia. Considerando que a Direção Nacional do PT e o próprio Lula têm carreira em São Paulo, não se pode alegar desconhecimento ou má interpretação. Vou além no raciocínio. A derrota ideológica é uma posição de antemão, onde um dos agentes centrais em um conflito simplesmente o nega, por supor que o antigo inimigo já não o considera mais “inimigo” pelo fato do agente domesticado tentar se apresentar como “fiável e comportado”. Seria apenas mais um absurdo intelectual se não trouxesse uma desgraça societária. Aí perde a graça.

Basta um mínimo de compreensão das sociedades concretas da América Latina – Brasil incluído e não fora, como se estivéssemos de costas para o Continente – para verificar que a mesa pode ser virada a todo instante. Se não bastassem nossos mais que convincentes processos históricos, caberia observar os golpes brancos, institucionais e bem sucedidos de Honduras (com a deposição de Manuel Zelaya Rosales, assumindo em janeiro de 2006 e derrubado com o aval da Suprema Corte em junho de 2009) e Paraguai (quando o então presidente Fernando Lugo, assumiu em agosto de 2008 e derrubado após um controvertido impeachment em junho de 2012). Como a arrogância e a prepotência são filhas diretas do exercício do poder político, imaginaram que “no Brasil não ocorrem mais destas coisas; não somos uma republiqueta”. Não, claro que não, somos uma enorme República Oligárquica e Comodificada. O Bananão se afirmou por cima das instituições e o estamento togado trouxe para si o papel de Poder Moderador, legislando por jurisprudência e súmula vinculante.

Mídia, bestialização e a ausência das ideias de câmbio

“E o povo bestializado, assistiu à proclamação da tal da república”. Assim encerra a narrativa clássica dos que acompanharam o golpe militar de 15 de novembro de 1889, quando o gabinete da Guerra derruba a monarquia brasileira a quem o marechal Deodoro da Fonseca servia. A mudança de regime político sempre tende a ser um momento traumático para operadores, elites em disputa ou setores de classe dominante perdendo interesses diretos. Mas, para a maioria, ainda quando há alguma inclinação popular no governo de turno, se esta não for organizada na defesa de suas bandeiras e conquistas diretas, a tendência é se dedicar a sobrevivência diária. Na ausência de sujeitos sociais com organicidade e referências desde a base, o povo brasileiro, infelizmente, percebe os sintomas dramáticos apenas quando se sente atingido. É como alguém caminhando no escuro e recebendo murros, sentindo as dores, mas não reconhecendo quem golpeia.
Quando temos um país com sujeitos sociais desorganizados, mesmo sendo estes são beneficiados por programas de governo, não é a melhoria material que vai levar a uma significação ou câmbio de consciência. Assim, ainda que a vida melhore, a maioria vai perceber que o dinheiro em conta, o emprego direto e os benefícios materiais vão implicar em mais trabalho e compromisso, e não em mudança ideológica. Por um período, estes beneficiados terão alguma identidade com o líder carismático – no caso, o ex-presidente Lula. Mas, assim que o modelo começa a ruir, o voto cativo fica “liberto”, em geral caindo na abstenção, branco ou nulo, conforme se verificou no primeiro turno das eleições municipais de 2016.

Como a vida cotidiana de amplas camadas das classes C e D melhoraram, mas não ao ponto de transformar as relações cotidianas, e nem mesmo diminuindo significativamente os índices de violência urbana, a identidade política com o “ex-sindicalista que nunca foi de esquerda” (frase do próprio Lula) não chega ao ponto de ser totalmente transferida para a sucessora. A ruína do modelo macroeconômico caminhou lado a lado e foi impulsionada pela permanente exposição seletiva e julgamento midiáticos, com foco no “conjunto da obra” do lulismo. Diante da possibilidade de subordinar o governo que fez de tudo para agradá-los, os conglomerados de mídia, liderados pela Globo e secundados por Estadão, Folha e Abril, costuraram o consenso conservador, auxiliados pelos neoliberais no andar de cima e os neopentecostais na base da pirâmide social. Deu no que deu.

Apontando a conclusão óbvia

Na ausência de organização social, é impossível defender práticas indefensáveis sem sequer entender a perda de direitos que já está ocorrendo. Para organizar a maioria, é urgente construir, pouco a pouco, um novo consenso dos sujeitos sociais que conformam esta maioria, apontando para a defesa de interesses e identidade popular totalmente antagônica às representações simbólicas da classe dominante colonizada.
Bruno Lima Rocha é professor de ciência política e relações internacionais
(www.estrategiaeanalise.com.br / blimarocha@gmail.com para E-mail e Facebook)

This page can be viewed in
English Italiano Deutsch

Front page

Strike in Cachoeirinha

(Bielorrusia) ¡Libertad inmediata a nuestro compañero Mikola Dziadok!

DAF’ın Referandum Üzerine Birinci Bildirisi:

Cajamarca, Tolima: consulta popular y disputa por el territorio

Statement on the Schmidt Case and Proposed Commission of Inquiry

Aodhan Ó Ríordáin: Playing The Big Man in America

Nós anarquistas saudamos o 8 de março: dia internacional de luta e resistência das mulheres!

Özgürlüğümüz Mücadelemizdedir

IWD 2017: Celebrating a new revolution

Solidarité avec Théo et toutes les victimes des violences policières ! Non à la loi « Sécurité Publique » !

Solidaridad y Defensa de las Comunidades Frente al Avance del Paramilitarismo en el Cauca

A Conservative Threat Offers New Opportunities for Working Class Feminism

De las colectivizaciones al 15M: 80 años de lucha por la autogestión en España

False hope, broken promises: Obama’s belligerent legacy

Primer encuentro feminista Solidaridad – Federación Comunista Libertaria

Devrimci Anarşist Tutsak Umut Fırat Süvarioğulları Açlık Grevinin 39 Gününde

The Fall of Aleppo

Italia - Ricostruire opposizione sociale organizzata dal basso. Costruire un progetto collettivo per l’alternativa libertaria.

Recordando a César Roa, luchador de la caña

Prison Sentence to Managing Editor of Anarchist Meydan Newspaper in Turkey

Liberación de la Uma Kiwe, autonomía y territorio: una mirada libertaria para la comprensión de la lucha nasa

Misunderstanding syndicalism

American Anarchist and Wobbly killed by Turkey while fighting ISIS in Rojava

Devlet Tecavüzdür

Brazil/Guyana/Suriname/FGuiana | Miscellaneous | pt

Fri 28 Apr, 23:48

browse text browse image

textNovo site do Arquivo Bakunin 00:50 Wed 17 Aug by Arquivo Bakunin 0 comments

Curta a página do Arquivo Bakunin: https://www.facebook.com/Arquivo-Bakunin-1088745281220411/

viacampesina2.jpg imageMulheres Em Ação, Eucalipto No Chão! 06:06 Sat 14 Mar by da redação 0 comments

Na madrugada de 8 para 9 de março mais de 600 mulheres do MST ocupam a fazenda Ana Paula na metade sul do estado do RGS (Brasil) para fazer ação direta contra a monocultura do eucalipto que invade a geografia do pampa. As árvores exóticas do agronegócio derrubadas pelo machado, a foice e o facão, formam os maiores investimentos dos capitais transnacionais que vem ao campo se associar com o latifúndio e se apropriar dos bens naturais para fazer produtos de exportação. As camponesas dispararam luta de massas no marco do dia da mulher trabalhadora para reivindicar sem mediações reforma agrária para produção de alimentos. Aqui entrevistamos duas companheiras libertárias: Lizandra e Gerusa vinculadas aos processos de luta e organização do MST e Via Campesina que nos falam mais dessa última jornada:

textA farsa do referendo 16:50 Tue 11 Oct by Federação Anarquista Gaúcha 2 comments

Dizemos que este referendo é uma farsa. Queremos ter voz, sim. Mas não somos tontos, o governo não quer nossa participação real... Nossa participação conquistamos lutando.

imageLutar e vencer fora das urnas. Oct 04 by FAG 0 comments

As mobilizações de massa da juventude que escreverem um pedaço da história recente do Brasil com as Jornadas de Junho ainda não tiveram um final. A explosão das ruas anunciada pelos estudantes-trabalhadores do regime flexível, sujeitos da rotina neurótica e estafante das grandes cidades, agravada pela deterioração dos serviços e dos bens públicos, não foi satisfeita. As urgências populares pela ampliação dos seus direitos continuarão em cena, são dramas brasileiros cotidianos, e ainda vão latejar muito. Terão que ganhar potência em organizações de base e com um federalismo que una as rebeldias e não se deixe capturar pelas instituições. Não serão as eleições e a oferta dos partidos da democracia burguesa que confortarão o mal-estar que provoca o sistema.

imageAberrações e caricaturas da ex-esquerda brasileira a partir do lulismo Sep 03 by BrunoL 0 comments

Bruno Lima Rocha, 02 de agosto de 2014

Neste breve texto, aponto três aberrações, duas sistêmicas e uma na forma de pessoa física, todas estas características da ex-esquerda outrora reformista. Hoje a legenda de Luiz Inácio, José Dirceu e José Genoino amarga uma eleição apertada e com reais chances de sair derrotada para uma dissidência personalista de si mesma.

imageOs Limites do Neodesenvolvimentismo e o Preço do Pacto de Classes Mar 26 by Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) 0 comments

Frente aos episódios vividos nas ruas do país em meados de 2013, cabe apontar que houve sensíveis mudanças na conjuntura política brasileira. Parece que estamos transitando de uma etapa em que o consenso conservador dá as primeiras mostras de seu esgotamento, abrindo um novo ciclo de luta de classes no país. Para análise desse contexto, nós, da Coordenação Anarquista Brasileira, apresentamos alguns elementos.

imageNo país de Natan Donadon Sep 06 by Bruno Lima Rocha 0 comments

Natan Donadon, ex-PMDB e PSC, é conduzido preso. O parlamentar não cassado em plenário representa a excrescência, mas não é nenhuma exceção.

imageLula, indicação particular e o senso comum Dec 07 by Bruno Lima Rocha 0 comments

O senso de oportunidade política por cima das convicções ideológicas já se manifestava no longínquo ano de 1978, quando Luiz Inácio apóia o ex-professor da USP para o senado, correndo pelo MDB.

more >>

textA farsa do referendo Oct 11 FAG 2 comments

Dizemos que este referendo é uma farsa. Queremos ter voz, sim. Mas não somos tontos, o governo não quer nossa participação real... Nossa participação conquistamos lutando.

© 2005-2017 Anarkismo.net. Unless otherwise stated by the author, all content is free for non-commercial reuse, reprint, and rebroadcast, on the net and elsewhere. Opinions are those of the contributors and are not necessarily endorsed by Anarkismo.net. [ Disclaimer | Privacy ]