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Os cães de guarda da ordem social

category internacional | economia | other libertarian press author Friday June 02, 2006 23:59author by Francisco Trindade Report this post to the editors

Os cães de guarda da ordem social

Os cães de guarda da ordem social



Apresentamos o novo texto do blog http://www.franciscotrindade.blogspot.com



Texto intitulado


Os cães de guarda da ordem social


Segue-se excerto do texto que pode ser lido na íntegra em

http://www.franciscotrindade.blogspot.com



Empoleirados na posição de árbitros das habilidades tecnológicas da mídia, os jornalistas parecem isentos de qualquer crítica. Os seus mitos profissionais exaltam a autonomia, a liberdade, a busca individual, mas ignoram, quase em absoluto, a realidade social
Na noite do dia nacional de mobilização, 10 de Junho, a emissora de televisão TF1 dedicou três minutos e 47 segundos aos grevistas e manifestantes, contra 14 minutos e cinco segundos àqueles que os denunciavam. O mesmo equilíbrio na emissora France 2: o telejornal das 20 horas do dia 24 de Maio dedicara um minuto e meio à palavra dos manifestantes contra oito minutos e 50 segundos aos incómodos causados pelas greves.
Por pelo menos três vezes (13, 14 e 16 de Maio), os telespectadores do serviço público puderam se emocionar com os infortúnios de uma “emergente” parisiense, seguramente muito representativa dos trabalhadores franceses. Inversamente, a “França dos grevistas”, difamada como aquela dos “retardatários” e dos “privilegiados”, era simbolizada por Marselha. “Deve ser dito que nesta cidade os serviços públicos e para públicos ocupam um espaço muito grande e que existem inúmeros aposentados, desempregados e beneficiários da renda mínima”, salientava Patrick Poivre-d’Arvor na TF1 (4 de Junho).


“Fazendo a festa com a mídia”

Durante as grandes mobilizações dos meses de Maio e Junho, a “França dos grevistas” foi difamada pela mídia como a dos “retardatários” e dos “privilegiados”.
Seria necessária, então, toda a sofisticada perspicácia de David Abiker, comentarista do programa “Arrêt sur Image” (France 5), para deplorar o tratamento favorável reservado aos grevistas: “Olhando estas imagens, eu disse a mim mesmo que a greve pode ter sido uma série de pequenas felicidades (...). Não tenho certeza, tendo constatado ao redor, com meus colegas, que isso foi, de forma autêntica e sistemática, um prazer. Deve ser possível encontrar um ou dois usuários que tenham fervido interiormente de raiva, ou que tenham ficado injuriados1.” Sim, eles os encontraram...
Uma ideia muito difundida, no entanto, pretende que o tratamento dado pela mídia aos conflitos sociais seja a resultante das estratégias de comunicação empreendidas pelos actores do conflito. A imprensa serviria então de caixa de ressonância para os protagonistas. Ela relataria seus esforços para ter acesso à mídia, ganhando assim a simpatia da “opinião pública2”. Por meio de diferentes abordagens, ela restituiria todos os pontos de vista. No caso contrário, a divulgação, através de pesquisas, da popularidade de uma contestação iria obrigar as empresas de comunicação a equilibrar suas linhas editoriais para conservar a clientela. Em virtude desse postulado, um dirigente de um instituto de pesquisa de opinião afirmou: “Não se pode dizer que em 1995 os grevistas não tenham feito a festa com a mídia3.”




Saudações proudhonianas

Até breve

Francisco Trindade

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