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Geórgia: Rasto de morte, na estrada do gás e do ouro negro

category rússia / ucrânia / bielorússia | imperialismo / guerra | comunicado de imprensa author Wednesday August 13, 2008 18:58author by FdCA (tradução de M. Baptista, para Anarkismo.net) - Federazione dei Comunisti Anarchici – FdCA Report this post to the editors

A guerra entre a Geórgia e a Rússia na rota da seda do século XXI

Não haverá paz nem estabilidade no Cáucaso enquanto os povos não obtiverem a plena autonomia e autodeterminação para seu próprio destino, cooperando entre si a produção e transporte de matérias-primas, contra os ditadores e as classes governantes locais, contra todas as formas de nacionalismo, contra todos os imperialismos e contra o capitalismo.

Mikhail Saakashvili e seu Movimento Nacional direitista foram empossados na Geórgia na onda da “revolução cor-de-rosa” em 2004. Nestes últimos quarto anos a Geórgia reforçou os seus laços com a NATO e com a UE, mas teve que aguentar um embargo pesado, de exportações de seus bens para a Rússia, a qual promove as duas regiões separatistas da Abcásia e da Ossétia do Sul, ambas efectivamente fora do controlo georgiano.

Saakashvili, como presidente, não cumpriu as suas promessas. Pelo menos um terço da população da Geórgia vive abaixo da linha de pobreza; o desemprego oficial é de 16%, mas é muito mais elevado, na realidade; a pensão mensal é de 16 €. A presente legislação laboral permite que os patrões despeçam os trabalhadores sem justa causa. O descontentamento popular explodiu no momento das últimas eleições presidenciais, convocadas após enormes manifestações em Novembro de 2007: a pobreza estava a crescer na mesma taxa do crescimento económico. Saakashvili obteve um segundo mandato, mas para o conseguir, foi forçado a reprimir dezenas de milhares de manifestantes na capital, Tbilisi, que protestavam contra as fraudes eleitorais, corrupção, autoritarismo e desastre económico.

Mas, que importa isso?! O controlo estratégico da Geórgia vale muito mais do que o estado no qual a sua população é obrigada a viver. Por outro lado, a autonomia de facto, garantida pela Rússia, à Ossétia do Sul, é uma preocupação não desprezível para os interesses dos EUA e da EU na área. A entrada da Geórgia na NATO iria justificar a presença militar internacional com o objectivo de proteger e controlar dois imensamente importantes corredores estratégicos para o Ocidente: o famoso gasoduto Baku-Tbilisi-Cehyan (BTC) que trás o gás do Mar Cáspio para o Mediterrâneo e o gasoduto Baku-Tbilisi-Erzerum que trás o gás cáspio para a Turquia, onde está previsto que se una com o TIG ("Nabucco") o gasoduto que irá ligar a Turquia com a Grécia e com a Itália. Ambos estes passam muito próximos da fronteira sul da Rússia e na vizinhança da Ossétia. Certamente, a Rússia (e a Gazprom) não ficarão, olhando, sentadas e sem fazer nada! Enquanto houver tensão no Cáucaso, não haverá lugar para a NATO e a Europa será forçada a negociar com a Rússia, se quiser o petróleo e o gás do Cáspio.

O ministro dos negócios estrangeiros de Itália está preocupado de que o conflito alastre para a Abcásia… mas, de facto, os seus receios são mais por causa dos interesses da ENI (que possui 5% de participação no BTC) e da Edison (BTE), estando já a oferecer o envio de uma missão “de manutenção da paz” para o Cáucaso com base num mandato europeu.

Ao longo desta rota da seda do século XXI, as vidas dos 70 mil habitantes da Ossétia do Sul (à qual se nega a independência, ao contrário do Kossovo) de nada valem; tal como as vidas da população da Geórgia – dois povos aparentemente divididos por conflitos étnicos, mas na realidade reféns do conflito inter-imperialista pelo controlo de matérias-primas e corredores estratégicos.

Não haverá paz nem estabilidade no Cáucaso enquanto os povos não obtiverem a plena autonomia e autodeterminação para seu próprio destino, cooperando entre si a produção e transporte de matérias-primas, contra os ditadores e as classes governantes locais, contra todas as formas de nacionalismo, contra todos os imperialismos e contra o capitalismo.

Cessar-fogo permanente. Solidariedade internacional com os trabalhadores no Cáucaso.

Federazione dei Comunisti Anarchici
12 de Agosto de 2008

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