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Anti-fascism

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brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Monday August 27, 2018 10:50 byBrunoL

A partir de 2014 o país se viu diante de um avanço das ideias oriundas daquilo que se convencionou chamar de neoliberalismo selvagem ou ultra liberalismo. Motivos não faltariam para fazer uma lista de pessoas físicas e jurídicas que diuturnamente operam para poluir o debate político com parâmetros estadunidenses ou paradigmas absurdos como da “escola austríaca”. A sociopatia desta gente ultrapassa qualquer possibilidade de diálogo, e justo por isso, para evitar problemas legais e manter o tom da crítica, não vou me referir a nenhum instituto com pessoa jurídica no Brasil, mas às suas ideias gerais assim como uma de suas matrizes no coração do Império, talvez a baboseira mais citada. Fica subentendido do que e a quem se trata e que vistam as devidas carapuças.

26 de agosto de 2018, Bruno Lima Rocha

A partir de 2014 o país se viu diante de um avanço das ideias oriundas daquilo que se convencionou chamar de neoliberalismo selvagem ou ultra liberalismo. Motivos não faltariam para fazer uma lista de pessoas físicas e jurídicas que diuturnamente operam para poluir o debate político com parâmetros estadunidenses ou paradigmas absurdos como da “escola austríaca”. A sociopatia desta gente ultrapassa qualquer possibilidade de diálogo, e justo por isso, para evitar problemas legais e manter o tom da crítica, não vou me referir a nenhum instituto com pessoa jurídica no Brasil, mas às suas ideias gerais assim como uma de suas matrizes no coração do Império, talvez a baboseira mais citada. Fica subentendido do que e a quem se trata e que vistam as devidas carapuças.

O que se difunde no país é uma soma do mais nefasto individualismo – até em termos filosóficos – com a noção de que o papel do Estado como garantidor do serviço público e da ampliação dos direitos políticos, sociais, econômicos e civis, seria algo como uma heresia ou um ato autoritário. Todo esse tipo de afirmação estapafúrdia não passaria de simples bobagem se não fosse reproduzido pelos grupos de mídia em alguma escala. Uma mentira repetida mil vezes se torna uma meia verdade na mente das maiorias destreinadas na lida política e em especial no que diz respeito às medidas e instrumentos de política econômica para disputar o controle dos gigantescos recursos do Brasil.
Todos os dias a lenga-lenga volta: “toda dona de casa sabe que ela não pode ir a um supermercado e gastar mais do que recebe no salário e nem sequer ficar super endividada a ponto de comprometer seus ingressos e patrimônio”. O que parece ser uma frase razoável não passa de perigosa mentira. Uma família chefiada por alguém, homem ou mulher, não se assemelha em nada a um governo pois não pode emitir moeda, não tem poder de gerar e rolar a própria dívida, não encarcera e nem cobra tributo e menos ainda detém o monopólio da força e nem de longe administra um sistema de Justiça. Ou seja, uma família não é um governo e menos ainda um Estado. Mas, ao comparar uma “banana com um parafuso”, a propaganda neoliberal avança na mente do cidadão comum. E, ao fazer uso desta mentira já difundida para aplicar conceitos ainda mais nefastos, como na confusão entre direito e serviço “eficiente”, a população fica sem o grau de certeza necessário para rechaçar o engodo.
Se os grupos de mídia e seus “colonistas” de plantão repetem a analogia tão correta como a comparação de uma fruta com um parafuso (a dona de casa com o Estado), a ladainha dos porta-vozes dos institutos, os chamados “empreendedores comunicacionais” treinados pela Rede Atlas (atlasnetowrk.org) ou por seus reprodutores, financiados pelos Irmão Koch (charleskochfoundation.org), boa parte destes fazendo cursos de “liderança” em cursinhos de verão na Georgetown University, dentre outras formas de influenciar a soberania da América Latina, é outra. O palavrório preferido é o tal “índice de liberdade econômica”, uma indicação de quanto menos regulados são os mercados internos de alguns países, obviamente sem entrar no mérito dos direitos políticos. A origem desta célula morta que se reproduz em metástase é a Heritage Foundation (heritage.org), um think tank conservador criado em 1972 justo no período do auge da Cruzada Conservadora de Richard Nixon (sim, ele próprio, também conhecido à época como “Dick Vigarista”, tal como o personagem dos desenhos). O índice se encontra no domínio heritage.org/index/e é um indicador repetido como mantra pelo conjunto de ultra liberais, liberais e liberais conservadores. O mesmo besteirol é repetido pelo Fraser Institute (fraserinstitute.org) cuja missão na Terra é extinguir as políticas sociais no Canadá, país cujos índices de Bem Estar se comparam com os da Europa, ao contrário dos EUA. A difusão é tamanha que no ranking da Forbes em 2018, a Heritage é o mais citado em mídias sociais que circulam nos Estados Unidos, ganhando do também conservador embora mais respeitável, Brookings Institution (brookings.edu).
Recentemente tive a tenebrosa experiência de dividir um debate televisivo com dois fieis adeptos deste peculiar sistema de crença. O nível de absurdo sociológico e econômico é surreal. O “consultor e experto empresarial” me disse que: “Keynes era socialista, mas também era fascista”; “quase não existe capitalismo no mundo, o Brasil é parcialmente socialista e mesmo os EUA tem uma economia mista”; “tu – eu – confundes ‘socialismo’ com ‘comunismo’ e que pela falência deste último, o denominamos de ‘totalitarismo’”. Era daí para baixo, e sem pudor algum e suponho que reputação intelectual alguma a ser defendida. Ao contrário. Quanto mais estapafúrdias forem as afirmações, mais adeptos sem noção se sentirão confortáveis ao repetir a estupidez. Ou seja, qualquer semelhança com a Alt-Right e outras aberrações que garantiram a vitória eleitoral de Donald Trump nos EUA não se trata de coincidência alguma, justo pelo contrário. É intencional, seja por ilusão coletiva ou razão cínica expressa por convictos mentecaptos.
Repito, já não se trata mais “apenas” do jogo da mídia “econômica”, que escuta como fonte especializada consultores interessados na jogatina ou defensores da privatização. O perigo ganha proporção quando para além das mentiras midiáticas, vociferadas pelos defensores da especulação financeira e do “tal do mercado de capitais”, a noção do individualismo como fim último do ser humano é espalhada pelas versões brasileiras dos institutos financiados por grandes empresas. Para piorar, quando tais ideias reacionárias e conservadoras adquirem nova roupagem, se propagam pela internet como metástase avançada e terminam por ocupar o imaginário de auto realização de jovens até bem pouco tempo atrás encantados com o debate político de duas patas: uma linguagem da cultura nerd e os mais nefastos preconceitos para quebrar a suposta hegemonia das esquerdas nas áreas de humanidades nos centros de educação.
A ameaça ganhou forma política, entra nos discursos de várias candidaturas e chega a ter um “herói social” no pleito de 2018: “o especulador esclarecido”, conformado por candidatos ou supostos gurus econômicos, todos enriquecidos com fundos de renda de fixa e literalmente mamando no Tesouro através das aplicações financeiras. São a versão no século XXI dos Chicago Boys brasileiros, raposas querendo ser gestoras do galinheiro, literalmente. Diante disso, todo cuidado é pouco, em especial com a linha chilena.

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política (pela UFRGS), graduado em jornalismo (UFRJ), professor de relações internacionais, ciência política e jornalismo. (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

international / anti-fascism / non-anarchist press Wednesday August 15, 2018 16:51 byJohn Riddell

The following talk was given on 21 July 2018 to a two-day seminar at York University entitled “Historical perspectives on united fronts against fascism and the far right.”

The framework for our panel this morning is “Unity against the Right: A historical approach.”

There are in fact many histories of such united resistance, each with its own lineage. We could talk of how Louis Riel united Métis, First Nations, and many colonial settlers to battle for democracy and aboriginal rights. Or of how women debated how to find allies in their liberation struggle and the trade-off with partnerships with the sectors of the elite or of the subaltern masses. But I will not speak of this. I will also set aside the struggle of colonized peoples for unity against imperialism, so central to the socialist movement of the last century.

My topic relates to the origin of Fascism. It was born in Europe as an expression of the ideology of European supremacy, and my focus will thus necessarily be European as well. I’m going to speak of events in Italy a century ago, not simply because of their objective importance but because they carry great weight in our political memory and imagination.

Italy – Between the Wars


Italy then ranked as an imperialist power, although a weak and unstable one, the product of an incomplete bourgeois revolution in which owners of large estates and the Catholic Church held great power, while the majority of Italy’s immense peasantry were landless. A sizable industrial working class was largely socialist in conviction, and the Italian Socialist Party governed more than 2,000 municipalities.

Formally a winner in the First World War (28 July 1914 to 11 November 1918), the Italian ruling class had been weakened by the impact of great human and material destruction in this conflict. The war’s end brought economic crisis, the ruin of middle layers, a mass of discharged soldiers with no visible future, and a militant workers’ upsurge that for a moment seemed about to sweep all before it.

In September 1920 a great wave of factory occupations brought the country to the brink of revolution. However, the Socialists gave no leadership and the movement foundered, opening the gates to counterrevolution.

A wave of reaction was then sweeping across much of Europe. It brought many rightist dictatorial regimes to power, as in Hungary, where the regime executed 5,000 supposed Reds. The Hungarian regime was aristocratic in nature, a military dictatorship based on upper-class cadres. Italy was different: the reactionary movement seemed to emerge from among the masses themselves.

Commandos Right and Left

In Italy, after the war ended, the spearhead of reaction emerged: the Arditi, or “commandos,” a network of anti-labour mercenaries led mainly by former army officers. But the most successful such force, the Fascists, was plebeian. Its leader, Benito Mussolini, had been a left-wing Socialist; the group, founded in 1919, posed as supporters of strikes and workers’ management and of land to the peasants. Yet their ideology was pro-capitalist, rooted in worship of the state and the nation. They acted as murderous anti-labour militia, financed by elements of the ruling class and tolerated or supported by the police and army. The Fascists backed up violence with a forceful ideology rejecting reason and fact while appealing to mysticism and religious-like idolatry of the state and the “man from destiny.”

By mid-1921 Fascism was a menacing mass movement. How did its opponents respond?

  • The Socialist Party relied on the state to rein in the Fascists. Rejecting organized self-defense, it pressed the regime to take action against lawless Fascist gangs, while rejecting entry into government. At one point it signed a “truce” with the Fascists, which the latter quickly cast aside. (The Socialist refusal to join a bourgeois-dominated government, while consistent with Marxist principle, was out of step with the conduct of most Social Democratic parties in that period, which did often enter such governments.)

  • The democratic parliamentary parties did in fact pass laws and regulations aimed against the fascists. For example, guns were to be reregistered and seized if due cause for ownership was not produced. Barricades were to be erected on highways to block Fascist flying squads. However, implementation depended on police and judges mostly sympathetic to the far right. As a result, little was done to enforce such measures.

  • The Italian Communist Party, which separated from the Socialists early in 1921, did not perceive the distinction between fascism and the democratic forms of capitalist rule. The Communists were for self-defense against fascists, to be sure, but without alliances and only when attacked. In practice, the Communist Party as an organization largely stood aside from the struggle.

  • Meanwhile, a spontaneous rank-and-file self-defense organization the Arditi del Popolo (People’s commandos), sprang up and won wide support. Both the communists and socialists were hostile to the new organization, ordering their members to leave its ranks. Alone, the Arditi del popolo could not win against a fascist host financed and supported by the ruling class and aided by the regular army. Even so, the Arditi led and won pitched battles against the Fascists on several occasions, indicating the road by which a united working class could have got the upper hand.

    At the end of 1922, the Fascists consummated their one-sided civil war with a parliamentary deal, in which they were appointed to government by the king and mainstream capitalist parties. During the half-decade that followed, the Fascist regime hardened into a totalitarian dictatorship that lasted until 1943.

    Two conclusions jump out from this depressing story:

  • First, the Socialists were wrong to believe the bourgeois democratic state could provide effective protection from fascism.

  • Second, the Communists were wrong to believe that they could deal with fascism on their own.

    During the years of Mussolini’s rise, however, the policy of the Communist International on alliances evolved greatly in a direction that, if applied in Italy, might well have changed the outcome. Five stages in this process should be noted:

    a. First, in 1920, far-right generals in Germany carried out a coup against the republican government. Social-democratic trade union leaders called a general strike that swept the country, while workers in many areas took up arms and gained effective control. The coup lasted only four days. This outcome proved the power of united workers’ resistance to the far right.

    b. After the coup collapsed, workers refused to end their strike and demanded effective protection against the far-right conspirators. The social-democratic trade-union leaders then came up with a novel proposal: a workers’ government including all workers’ parties and based on the unions. Although that government did not come to be, the idea behind it gained support and the Communist movement took note.

    c. The next year, the Communist International (Comintern) adopted the policy that had found expression in resistance to the German putsch, calling on workers’ parties to unite in struggle against the far right and for basic demands they had in common. This policy was known as the “united front.” It was not applied in Italy. Internationally, it met with resistance from Social Democratic leaderships. Why was this policy not applied by the Italian Communists? Their failure to conform indicates that descriptions of the Comintern’s supposedly excessive “centralism” in that period are often exaggerated.

    d. Another year passed, and the Comintern adopted the workers’ government approach broached during the great German general strike of 1920. Such a government would be sustained by the workers movement, not the state, and could serve as a transitional stage to revolution. A workers’ and peasants’ government of this general type was actually established by the October 1917 Russian revolution.

    e. Finally, in 1923, the Comintern adopted a strategy for resisting fascism. It was elaborated and presented by Clara Zetkin, drawing on the experience above all of the German workers’ movement. Her plan consisted of four major propositions:

    i. Workers self-defence against fascist violence: not through individual terror, but through “the power of the revolutionary organized proletarian class struggle.”

    ii. United front action against fascism “involving all working-class organizations and currents regardless of political differences.” By endorsing the Arditi del Popolo, the Comintern indicated willingness to join in anti-fascist struggle with non-working-class forces. They rejected, however, the perspective of a bloc with capitalist parties for government.

    iii. An ideological campaign to reach the best of the young people influenced by fascism who, in Zetkin’s words, “are seeking an escape from deep anguish of the soul. We must show them a solution that does not lead backward but rather forward to communism.”

    iv. Demonstration of “absolute determination to fight to take power out of the hands of the bourgeoisie in order to resolve capitalism’s social crisis,” including by “cementing the alliances necessary to do so.” Zetkin insisted that the perspective of a workers’ and peasants’ government “is virtually a requirement for the struggle to defeat fascism.”

    Essence of Fascist Doctrine

    There’s something missing here: an analysis of the racist and xenophobic essence of fascist doctrine. It was the reverse side of the fascists’ worship of an aggressive nationalism, which rested on plans for conquest of south Slavs, Greeks, Turks, Africans – all viewed as inferior peoples. In German fascism, such racial stereotyping became more explicit, maturing into a project of genocide against Jews, Poles, Russians, Roma, and other peoples.

    Despite this weakness, Zetkin’s report and resolution, adopted by the Comintern in June 1923, stand as the outstanding exposition of a Marxist response to fascism during its heyday in the 1920s and 1930s. It theorized the lesson of the Italian Arditi del Popolo experience while fusing it with a perspective for workers’ power. Alternatively, the Comintern position can be seen, as Leon Trotsky later insisted, as an application of the Bolsheviks’ united front policies in the run-up to the Russian October revolution of 1917.

    Given the strategic force of this position, it may seem surprising it was applied during only two brief periods of Comintern history. Comintern anti-fascist policy proved to be unstable, going through no less than six reversals up to the International’s dissolution in 1943. Two of these turnabouts were particularly significant:

  • In 1928 the Comintern reverted to the sectarian stance of Italian Communists during Mussolini’s rise, refusing to seek alliances with non-Communist workers’ organizations. The Social Democrats, for their part, refused of united action with the Communists. The absence of workers’ unity in action, opened the door to Hitler’s victory.

  • In 1935 the Comintern switched to a policy of unity with Social Democrats while adding two significant innovations: first, unity was now to embrace progressive forces in the imperialist ruling class and, second, the project was now basically parliamentary in nature: to form a progressive coalition encompassing bourgeois forces.

    In my opinion, the 1935 policy, known as “popular frontism,” brought the Comintern into broad alignment with Social Democracy as regards the strategic alternative to fascism. The goal of socialist revolution was set aside in favour of a project for defense of democratic capitalism and alliance with forces within the imperialist ruling class.

    This occurred at the height of Stalin’s murderous repression of Bolshevik cadres, and this witch-hunt also infected the Comintern and its “people’s front.”

    To conclude, the responses of socialists to the first 15 years of fascism fall into three categories: sectarian isolation, an alliance for progressive reform, or a united front to bring working people to power. Despite the immense transformation in social structure and global geopolitics, these divergent impulses continue to find expression today, as we feel our way toward an effective defense against fascist dangers today. •


    A Note on Sources

    Some of the material in this text is also discussed in Fumble and late recovery: The Comintern response to Italian fascism.

    Clara Zetkin’s contribution to developing the Marxist position on Fascism is documented in Clara Zetkin, Fighting Fascism: How to Struggle and How to Win, Mike Taber and John Riddell, ed., Chicago: Haymarket Books, 2017. For the introduction to this book, see “Clara Zetkin and the struggle against fascism.”

    Sources for this text include:

    Tom Behan, The Resistible Rise of Benito Mussolini, Bookmarks: London, 2003.
    Jonathan Dunnage, The Italian Police and the Rise of Fascism: A Case Study of the Province of Bologna, 1897-1925, Westport Conn: Praeger, 1997.
    Georgio Galli, Storia del socialism italiano, Milan: Baldini Castoldi Dalai, 2008.
    Daniel Guérin, Fascism and Big Business, New York: Monad, 1973 (1939).
    Rossi (Angelo Tasca), The Rise of Italian Fascism 1918-1922, New York: Howard Fertig, 1966 (1938).
    Paolo Spriano, Storia del Partito comunista italiano, Turin: Einaudi, 1967.
  • brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday August 12, 2018 10:22 byBrunoL

    Ao que parece, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) emplacando como vice o general da reserva (quatro estrelas) Antonio Hamilton Marques Mourão marca uma nova etapa da relação das Forças Armadas (FFAA) e a sociedade brasileira. Bolsonaro, em seu afã de homenagear os facínoras dos porões, vai desmontar o "legado" da obra conjunta de operadores como Orlando Geisel (no desenho da estrutura da guerra interna) e do então capitão Carlos Alberto Brilhante Ustra, na montagem dos DOIs. DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), com ramificações por todo o país e concentração nas maiores cidades da época (São Paulo, Rio de janeiro e Recife, dentre outras), como a sigla já diz, era para agir como Destacamentos operando unidades semi-autônomas e conjuntas subordinadas ao comando da Força Terrestre.

    10 de agosto de 2018, Bruno Lima Rocha
    Ao que parece, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) emplacando como vice o general da reserva (quatro estrelas) Antonio Hamilton Marques Mourão marca uma nova etapa da relação das Forças Armadas (FFAA) e a sociedade brasileira. Bolsonaro, em seu afã de homenagear os facínoras dos porões, vai desmontar o "legado" da obra conjunta de operadores como Orlando Geisel (no desenho da estrutura da guerra interna) e do então capitão Carlos Alberto Brilhante Ustra, na montagem dos DOIs. DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), com ramificações por todo o país e concentração nas maiores cidades da época (São Paulo, Rio de janeiro e Recife, dentre outras), como a sigla já diz, era para agir como Destacamentos operando unidades semi-autônomas e conjuntas subordinadas ao comando da Força Terrestre.
    Assim, as FFAA não se "queimavam" matando a luz do dia envergando uniformes verde oliva. Isso ocorreu no Araguaia, nas três campanhas (1972-1975) e na segunda guerra (concomitante a fundação da Comissão Pastoral da Terra, CPT), esta só contra camponeses e tendo como alvo os posseiros da região. Mas, tamanha exposição de chacinas e massacres com gente envergando uniformes militares não ocorreu em áreas de grande concentração urbanas. No combate aos GTAs nas cidades (Grupos Táticos Armados, unidades básicas das pequenas organizações guerrilheiras do Brasil), as veraneios cinzas e os agentes descaracterizados traziam o terror sem escancarar o papel dos quartéis. Havia medo, e muito, mas não uma condição tal como na Argentina, quando todo o aparelho militar nacional e das províncias (as polícias provinciais, equivalentes às PMs, além da ação da Polícia Federal Argentina, ostensiva), era obrigado a reprimir, entrando em rodízio na guerra suja de extermínio contra seu próprio povo.
    Com a aventura da extrema direita do Século XXI explicitando a guerra interna e tendo um general recém passado para a reserva no palanque, Bolsonaro e Mourão vão cumprir o papel de queimar - de vez - o Exército (EB) e por tabela as duas outras forças, diante da população brasileira. No período anterior a ditadura, a Escola Superior de Guerra (ESG) ao menos cunhou um conceito estratégico “Segurança Nacional & Desenvolvimento”. Qual seria agora o conceito dos bolsonaristas? “Segurança Patrimonial, Conservantismo Social e Entreguismo”? Possivelmente. Como autênticos entreguistas colonizados, vão bater palma para o Império, se calarão diante da entrega do Pré-Sal e vão aumentar a incidência de oficiais dentro do aparelho de Estado. Se não o fizerem e terminarem - em um hipotético e nada desejado governo eleito (faremos todos os esforços para que isso não ocorra) - rompendo com os Chicago Boys (tipo o guru dos rentistas selvagens Paulo Guedes) aí vão governar sozinhos, com menos de 100 votos no Congresso e sem o apoio nem da Globo e sequer das aves de rapinha. Logo, quem irá governar de fato? Generais do EB. Ou seja, mesmo quando Bolsonaro é menos ruim, segue sendo horroroso, dado o risco que impõe ao país.
    Outra possibilidade advinda do envolvimento direto de dois generais de quatro estrelas recém passados para a reserva, como Antonio Hamilton Mourão e Augusto Heleno Ribeiro Pereira, é expor o generalato à uma visibilidade fora do manto da técnica militar, conseguindo assim "contaminar politicamente" a hierarquia nas tropas. Ou seja, de volta ao passado, retornando ao ciclo iniciado no tenentismo, fortalecido em 1935 e em tese encerrado em 1988. Parece que não.
    Simón Bolívar já vaticinou há muito tempo, "maldito seja o soldado que aponta a arma contra seu povo". Logo, se eleito for Bolsonaro já disse que vai empregar um grande número de oficiais da reserva, ou mesmo da ativa, algo que era corriqueiro na ditadura (como os famosos 'coronéis da Petrobrás') ou o superdimensionado aparato de vigilância e espionagem interna (SNI-SISNI). Assim, por diversas ocasiões esses oficiais em cargos de responsabilidade entrarão em conflito direto contra seu povo.
    Bolsonaro não começou a lambança, mas a aprofunda
    A presença de militares na crise brasileira é visível. Já houve uma quebra de acórdão político no desgoverno de Temer, quando Raul Jungmann (o eterno arrependido ex-partidão) deixou a pasta da Defesa e esta foi assumida por Joaquim Silva e Luna, um general da reserva de quatro estrelas (contrariando assim a condição de um paisano à frente da pasta, até para não melindrar a Marinha e a Aeronáutica). Jungmann passou o bastão logo após a crise pós carnaval (em 28 de fevereiro de 2018) assumindo um mentecapto Ministério Extraordinário da Segurança Pública (uma versão minguada dos famigerados Ministério do Interior nos países vizinhos) depois de haver sido desmoralizado justamente por Antônio Hamilton Mourão e a decisão unilateral do comandante em chefe do Exército, general Eduardo Villas Bôas de que não puniria o Mourão ("ele é um gauchão patriota" segundo Villas Bôas).
    Assim, caso o capitão de artilharia que teve uma péssima folha de serviços na força terrestre vier a assumir o Palácio do Planalto, vários cargos de chefia, CCs e FGs serão disputados por oficiais generais e oficiais superiores das três forças. O resultado será institucionalmente desastroso, mas pode vir a servir para escancarar o período da ditadura militar e o fato - terrível - de que a ideia de nacionalismo passa bem longa da defesa do povo brasileiro. Parece que a oficialidade quando fala o que pensa realmente manifesta o mito de Guararapes. Quando muda é para pior, com tenebrosa idealização racial de Antonio Hamilton Mourão, muito semelhante às barbaridades proferidas por gente como o racista Nina Rodrigues ou o integralista e também general Olímpio Mourão Filho.
    Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva estariam desesperados agora, vendo que toda a articulação para que os militares saíssem limpos do regime ditatorial que inventaram, após haverem cometidos crimes de lesa humanidade à frente do Estado, indo para o ralo. Enquanto os gênios da ditadura veem do além o caldo entornar, seus colegas de caserna vão sendo expostos ao vexame e ao repúdio iminente caso o desastre ocorra e o falastrão protofascista ganhe os votos da direita brasileira. Será que a ala profissional e constitucionalista das três forças irá se manifestar a tempo?

    Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e jornalismo (www.estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

    ireland / britain / anti-fascism / non-anarchist press Friday August 10, 2018 17:14 byDavid Rosenberg

    NOT content with calling Jeremy Corbyn a “fucking anti-semite and racist,” and treating herself as the victim when the Labour Party threatened to act on a third party complaint about her use of outrageous and abusive language against a fellow Labour MP whom she has known for several decades, and is the leader of the Labour Party, Margaret Hodge has had the chutzpah to compare her fight against Corbyn’s alleged anti-semitism with her fight in her Barking constituency against the British National Party (BNP).

    She has cynically drawn on her family’s direct experience of the Holocaust to bolster her special right to pronounce on the subject.

    The usual suspects who regularly target their venom at Corbyn instead of the Tory Party — and happen, coincidentally, to be members of Labour Friends of Israel — Ruth Smeeth, Luciana Berger, Jess Philips, Chuka Umunna and others, have all lined up to defend Hodge’s comments and have praised to the hilt her proclaimed brave and courageous fight against the BNP.

    Let’s unpick this a little. In 2006, the BNP certainly pulled off a political surprise in the council elections when it won 12 seats in Barking and Dagenham, where the local MPs were Jon Cruddas and Hodge.

    Labour paid the price of taking votes for granted and not doing the work on the ground to counter the narratives of the BNP.

    The BNP replaced Labour councillors and former Labour voters provided most of the new voting strength of the BNP.

    Nine out of those 12 new councillors were in the brave and courageous and effective anti-racist Margaret Hodge’s constituency.

    It was certainly a failure of that Labour council but it was equally her failure. Maybe even more her personal failure.

    Singer and writer Billy Bragg, who grew up in Barking and still has family there, pointed out that she didn’t even have an office in the constituency until after those 12 BNP councillors were elected.

    She had effectively made a deal with the local Labour councillors that they look after the constituency and she would concentrate on her role at Westminster.

    But it gets worse the more you dig. In the run-up to the elections of 2006, Hodge claimed that eight out of 10 white working-class people were thinking of voting BNP.

    For the BNP activists this was manna from heaven. Those who were leaning towards the BNP policies but couldn’t necessarily see the point in voting as Labour always got in were suddenly very motivated to vote. Small wonder that the BNP sent Hodge a bunch of flowers to thank her.

    A year later, what do we find this brave and courageous anti-racist doing? She is busy advocating a housing policy that talks explicitly of privileging “the legitimate sense of entitlement felt by indigenous families” over the “legitimate needs demonstrated by new migrants.”

    Not exactly the words of an anti-racist champion who is entitled to casually throw accusations of racism at others.

    She was widely accused, not least by the Refugee Council and several other anti-racist bodies, of legitimising BNP arguments, competing with the BNP on the territory they were establishing by absolutely conceding to their arguments.

    Not surprisingly then BNP leader Nick Griffin saw Hodge’s seat as vulnerable to a far-right challenge at the next general election.

    It is just a tad embarrassing and tasteless even that a politician who wields her family’s Holocaust history as a weapon to give her licence to say what she likes in arguments with fellow Labour MPs was being criticised then by leading refugee bodies for bolstering the racism of a party whose roots were in classical nazism.

    What was Corbyn doing in the same period?

    The same as he has always done — taking on the racists and fascists within his own and other constituencies, in tireless door-to-door work, on public platforms and on the streets, supporting grassroots anti-racist and anti-fascist activists and always advocating principled arguments that gave no ground at all to racism and helping to make Islington a borough that was proud to welcome refugees.

    Hodge’s close pals on the right wing of the Labour Party talk of her “crushing the BNP in Barking.”

    Thankfully, the fascists were defeated, but Hodge was part of the problem not the solution. It was the round-the-clock efforts of local left-wing Labour activists, trade unionists and local and national anti-racist and anti-fascist organisations who were responsible for seeing off the BNP councillors and Griffin’s parliamentary challenge in 2010.

    It was an extraordinary effort. In every council seat the total number of voters went up, but the BNP vote went down. I did the easy bit with my fellow trade unionists — we put anti-racist and anti-fascist literature through the letter boxes of every home in Barking and Dagenham.

    Bragg, though, returned to Barking and spent a month knocking on doors to have the face-to-face arguments with first-time BNP voters and to try to convince them to see things from a different perspective.

    We did a bit of joint personal work. I interviewed Bragg for the West Ham football fanzine. It was published about six weeks before the election.

    We discussed football and his feelings about the area he grew up in and its current social and economic problems, knowing that the cross-section of people buying that fanzine would have included a significant number of first-time BNP voters.

    He gave sophisticated arguments for them not to vote BNP, without talking down to the voters or dismissing their sense of disenfranchisement and neglect.

    In this, and in his work on the doorstep I am sure Bragg was much more effective than Hodge who had simply ended up boosting the BNP arguments in a typically unprincipled right-wing Blairite attempt at triangulation.

    Bragg who, like Corbyn, has impeccable anti-racist credentials, has also commented in recent days on the controversy around the International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) definition of anti-semitism.

    He is very supportive of those who have raised perfectly legitimate criticisms of it and in particular has praised and promoted the arguments of the Jewish academic Brian Klug, who in turn argued that what Corbyn and the NEC have done is a significant attempt at improving the IHRA document and making it fit to challenge anti-semitism and protect free speech and comment about Israel, Palestine and zionism.

    If Hodge was consistent she would have a go at Bragg, but she sees Corbyn as a more suitable target because this is not really about anti-semitism but is a battle to defeat the left of the Labour Party and defend Israel from criticism.

    If Hodge and her sisters in struggle, Smeeth and Berger, were not craven opportunists and selective anti-racists and defenders of human rights, they might have been speaking out more, or even at all, about the disgusting and openly racist nation state bill that the Israeli government has just approved while Benjamin Netanyahu was simultaneously hosting a visit from the Hungarian PM Victor Orban — a political leader who is pushing anti-semitic, anti-Roma and Islamophobic themes at every opportunity.

    You have chosen a side, Margaret. It is the wrong one. As The Beat sang about another Margaret, “Stand Down, Margaret, stand down please!”
    brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday July 29, 2018 23:59 byBrunoL

    O abraço dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de opções, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de São Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado “Centro Democrático” seria a continuidade do Centrão da Constituinte, décadas após veio a ser chamado de Blocão na Era Cunha e retornando ao nome de Centrão no Brasil pós-golpe. Se formos avaliar a condição da aliança, além de razoável consonância programática – que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro – significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na União como nos estados.

    29 de julho de 2018,
    Bruno Lima Rocha

    Aproximam-se as candidaturas definitivas à Presidência e parece que há um enorme vazio político mais à direita no Brasil. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), campeão da “nova-velha” direita nas redes sociais, baluarte das posições retrógradas e reacionárias, chegando ao ponto de ser um conservador social, simplesmente não emplaca nos palanques. Nota-se a dificuldade em fechar o nome do candidato à vice, e a causa é simples. A primeira meta dos operadores políticos profissionais é seguir nos mandatos, conseguindo o acesso aos postos de poder dentro do aparelho de Estado e aos recursos coletivos. Ainda que no Brasil existam medidas legais, pesos, contrapesos e formas de controle cada vez mais rígidas, ainda assim há uma razoável margem de manobra para o Poder Executivo e suas maiorias parlamentárias, tributárias do semiparlamentarismo e da composição de governo no terceiro turno sem o escrutínio popular.

    Por outro lado, se o “mito” da direita saudosa da ditadura e defensora de gestos que atentam contra os direitos humanos e valores democráticos não emplacam, reconhecemos, não foi por falta de tentativa. Bolsonaro e seus parcos aliados formais votaram em uníssono com o governo ilegítimo de Michel Temer (ex-vice eleito e reeleito com Dilma Rousseff), Henrique Meirelles (ex titular da Fazenda de Temer e por oito anos presidente do Banco Central com Lula) e Ilan Goldfajn (à frente da autoridade monetária sem haver recebido voto algum a não ser a sabatina do Senado que apoiou o golpe). Assim, um pacto de classes e acórdão de governabilidade rompido resultou no golpe com apelido de impeachment entre os tortuosos meses de abril e agosto de 2016. E justamente a dificuldade de refazer este pacto mantendo um mínimo de legitimidade é o que está minando as candidaturas mais à direita.

    Assim, o abraço dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de opções, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de São Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado “Centro Democrático” seria a continuidade do Centrão da Constituinte, décadas após veio a ser chamado de Blocão na Era Cunha e retornando ao nome de Centrão no Brasil pós-golpe. Se formos avaliar a condição da aliança, além de razoável consonância programática – que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro – significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na União como nos estados.

    Parece que teremos consolidadas disputas. Uma, dentro do legado do lulismo e tendo como favorito o possível indicado do ex-presidente, que já larga com 15% das intenções de voto. Este “campo” vai do trabalhismo (com Ciro Gomes que insiste em não decolar) ao reformismo radicalizado, ocupando um espaço no sistema político que seria do PT nos anos ’80 e no século XXI passa a ser do PSOL, ainda que a legenda e sua organicidade sejam muito distintas do que se apresenta com densidade eleitoral. Assim, o “centro” da centro-esquerda é o próprio ex-presidente preso sem demonstrações cabais de provas materiais contundentes. Ele seria o conciliador dos interesses embora polarize os afetos. Neste último quesito, a nova-velha direita cibernética aproveita-se para fazer seu proselitismo político em cima de uma moralidade seletiva. Como afirmei em textos anteriores, continua sendo a Bala de Prata da campanha.

    Já a outra disputa se dá dentro da direita com chances eleitorais e alguma base definida. Há um embate, onde Geraldo Alckmin insiste em apresentar-se como “moderado” diante da falta de pudor de Jair Bolsonaro. Não seria exagero afirmar que o conservantismo social do ex-capitão reformado da força terrestre (e político profissional de seguidos mandatos) chega a ser obscena. Aproveitando esta fragilidade composta de falta de apoio de oligarquias estaduais; ausência de organicidade e instrumento partidário (Bolsonaro favoreceu sua prole e não um instrumento político neofascista de massas) e, por fim, a altíssima rejeição superior ao apoio virtual do “mito”, criaram as condições necessárias para que a base do governo Temer visse na criatura política do ex-governador Mário Covas sua saída de tipo “mal menor”.

    Mas, cabe uma ressalva. A “moderação” de Alckmin não coaduna com sua conduta à frente do Palácio dos Bandeirantes em várias oportunidades. Tanto em “suposta participação” de escândalos vultosos como o Trensalão, DERSA/Rodoanel e Merendão; passando por fechamento de escolas em 2015 e garantindo a “pax paulista pós-2006” exemplarmente retratada pelo jornalista Luis Nassif. Iniciada a campanha os embates não serão cordiais e submissos como a vergonhosa “entrevista” realizada em 23 de julho para o moribundo programa Roda Viva, outrora orgulho do telejornalismo nacional. Se alguém quiser observar a “moderação” de “Geraldo”, basta observar tanto sua política de segurança pública como a mão de ferro sobre a Fundação Padre Anchieta, especificamente no setor de jornalismo.

    Como na Assembleia Nacional Constituinte, a direita articula uma saída possível e pragmática. Na década de ’80 do século passado, ninguém queria estar associado à ditadura, ainda que o então vice de Tancredo, que viria a tomar posse, era o ex-presidente nacional da ARENA quando esta se transforma em PDS após a reorganização partidária promovida por Golbery do Couto e Silva. A partir do terceiro turno “venezuelizado” de 2014 – porque antes o terceiro turno era a composição de maioria e da tal da governabilidade – o Brasil virou à direita nas redes sociais e no proselitismo primeiro golpista, e depois entreguista e antipovo. Isso pode servir para derrubar governo eleito, iniciado o desastre já na administração de Joaquim Levy como timoneiro do austericidio, mas não opera para convencer o eleitorado para cargos majoritários. Assim, toda a direita oligárquica e neopentecostal “virou ao centro” magicamente embora tanto a base de Alckmin como a de Bolsonaro, tenha apoiado o governo Temer e votado nas retiradas de direitos coletivos. E, para não tergiversar, nunca é demais lembrar que metade desta base ou mais compuseram as maiorias parlamentares dos três governos e meio de Lula e Dilma. Logo, seria um pacto de classes e elites conservadoras reconstruído, mas sem o elemento geração de emprego e renda da era anterior.

    Vale ressaltar que a “moderação” de Geraldo Alckmin é de forma e não de conteúdo. Se nas relações sociais o PSDB flerta com a pós-modernidade lúcida de estilo europeu, na política econômica é puro neocolonialismo entreguista, sem tirar nem por com Bolsonaro e adjacências. O cenário é interessante. Podemos ver o engajamento das hordas virtuais com o “outsider” confrontando as cúpulas partidárias do Centrão da Direita. No segundo turno, possivelmente será o “centro” da centro-esquerda versus o “campeão da direita”. O desconforto do PSDB é um pouco maior do que os defensores da “linha chilena”, a que vai mesclando um protofascismo social e a aplicação de medidas neoliberais selvagens. A alta cúpula tucana alinha-se com uma subordinação incondicional ao Partido Democrata, mas entra em crise quando nos EUA tem uma política protecionista, isolacionista e sem a elegância do multilateralismo aparente de Clinton e Obama. Enfim, ambas as chapas, Bolsonaro (simulando ser um Trump subalterno) e Alckmin (a continuidade do colonialismo “responsável”) concordam com a pauta econômica entreguista, mas distanciam-se nas condições de execução de governo. O troglodita pode ganhar na urna, mas não governa. Já o “ponderado” conseguirá governar até o fim do mandato e executa o mesmo programa econômico do rival.

    Triste escolha que não se soluciona nem com saídas de tipo mal menor e menos ainda desorganizando a população para assegurar a tal da governabilidade a qualquer custo, como ocorreu até 2013.

    Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, cientista político e professor de relações internacionais e jornalismo (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

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