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Anti-fascism

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brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Thursday June 14, 2018 06:31 byBrunoL

No texto abaixo, realizo três comentários rápidos a respeito desta situação inusitada, onde a democracia indireta, liberal, representativa e delegativa no Brasil pós-golpe coxinha pode levar a um protofascista ao segundo turno, e quiçá, ao Palácio do Planalto.

13 de junho, Bruno Lima Rocha
No texto abaixo, realizo três comentários rápidos a respeito desta situação inusitada, onde a democracia indireta, liberal, representativa e delegativa no Brasil pós-golpe coxinha pode levar a um protofascista ao segundo turno, e quiçá, ao Palácio do Planalto.
Primeiro comentário, o fator Bolsonaro
Como quase todos do ramo fui chamado a opinar sobre a pesquisa do Datafolha lançada no final de semana de 09 e 10 de junho. Desta derivaram alguns números e outras reflexões. Como dos números tanto eu já falei em certos veículos de comunicação do Rio Grande do Sul, assim como dezenas de colegas, me atenho às reflexões.
A primeira é mais óbvia: estamos diante de um fenômeno eleitoral protofascista ou neofascista chamado Jair Bolsonaro. O capitão de artilharia da reserva do Exército, deputado federal hoje no PSL-RJ, além de ter feito das redes sociais a antessala do manicômio judiciário e haver eleito sua prole de machos supostamente alfas (isso até terem de debater ao vivo na TV), não tem estrutura político-partidária, carece de base social concreta de apoio e caso seja eleito, a probabilidade de uma convulsão social, concomitante a um colapso econômico e a convocatória de uma constituinte exclusiva com a intervenção do estamento togado é enorme. Ou seja, mesmo as agrupações à esquerda da esquerda que não estão no jogo eleitoral, acabam estando no anti-jogo, diante da possível presença de um discurso de corte fascistoide, misógino, racista, homofobico, a favor da violência policial, condescendente com execuções extra-judiciais e para culminar, entreguista e pró-EUA. Jair Bolsonaro é todo o chorume ao mesmo tempo agora, e pode polarizar o pleito brasileiro.
Não se trata de alarmismo, mas sim de alerta. Proporcionalmente a Ação Integralista Brasileira (AIB) e os "galinhas verdes" de Plínio Salgado seriam mais complicados, com razoável inserção social e penetração no aparelho de Estado do governo pós-34 até 1938. Mas, o problema maior dos apoiadores de Bolsonaro é sua dispersão através do comportamento enfermo nas redes sociais e o limite da racionalidade como a confirmação de identidades sociais de tipo pós-colonial, com toda a carga genocida e de extermínio que isso pode significar. Mesmo bufão e manipulando bases patológicas, Bolsonaro está na disputa e não há como negar a possibilidade absurda deste protofascista chegar ao segundo turno.

Segundo comentário, o efeito Temer
A segunda reflexão é o fator Michel Temer. Toda correlação com este governo, que hoje bate 82% de rejeição, ultrapassando o governo Sarney e Collor nos seus piores momentos, reflete a afirmação do Brasil em Transe. Todo governo eleito em democracia liberal tem um grau elevado de frustração e não realização dos atos prometidos. O sistema liberal é paradoxal. Feito por e para a burguesia ascendente nas ilhas britânicas após a "Revolução Gloriosa", foi estruturado para um governo de classe - burguesia nacional, quando esta ainda existia em sua forma predominante - e desenvolveu suas instituições para a projeção de poder da potência ultramarina.
Ainda assim, com os votos de massas e a expansão dos direitos políticos, os processos legítimos de escolha do governo - não do exercício pleno dos poderes no capitalismo ou em sua etapa atual, talvez de transição para outro modelo de domínio e exclusão - tendem a acalmar a maioria. Enfim, justificando que a escolha foi justa, dura mais tempo a perda de capital político quando a maioria se dá conta que o governo não exerce o Bom Governo e não provê o Bem Comum mas sim as vantagens para setores de sempre, e com uma postura com maior ou menor subordinação dentro do Sistema Internacional. Temer junta o pior dos mundos e quem grudar seu nome como candidato ou candidata ao período MT verá sua campanha transformada em fiasco. Usando a mesóclise de costume, Meirelles afundar-se-á na corrida eleitoral assim como ele e Pedro Pullen Parente deixaram o país na bancarrota.

Terceiro comentário, o efeito MT ampliado
Ainda no efeito MT, as chances do tucanato são pequenas com Geraldo Alckmin, mas muito diminutas se o ex-ministro da Fazenda de Temer, ex-CEO da J&F e ex-presidente do Banco Central nos dois governos de Lula, Henrique Meirelles, insistir em concorrer como cabeça de chapa. Caso isto ocorra, os preciosos minutos da campanha expressa - apenas 45 dias - serão atirados ao léu, fortalecendo ainda mais a máquina política que conseguir operar a partir da internet. Hoje, o MDB em escala nacional seria mais prudente - para seus próprios interesses e, logicamente, para a mazela do país - se ficasse escondido em uma grande aliança de "centro" (ou seja, de direita envergonhada) e fortalecesse uma candidatura leal aos capitais paulistas, como seria uma chapa Marina e Alckmin.
Já a capacidade de transferência de votos e reputação dos tucanos foi corroída pelo efeito Aécio Neves, ainda que o senador pelas Gerais tenha sido devidamente fritado pelo diretório paulista, especificamente pelos "correligionários" de Serra e cia. FHC de sua parte, parece insistir em triturar a candidatura de Geraldo - sim, acreditem, o médico de Pindamonhangaba já usou o primeiro nome em 2006 - e buscar saídas midiáticas, como o do já ex-prefeito e arrivista político João Dória Jr ou o apresentador de TV Luciano Huck. Surpreende que as baterias da Força Tarefa começaram a vazar emails e comunicações privadas de Fernando Henrique Cardoso, dando a crer que a relação entre o estamento togado e o Principado de Higienópolis já não opera como antes, nos idos de 2014 até o ano passado, quando da aventura de Joesley Batista e o grampo do presidente que disse "para manter isso aí, viu". Será que o defensor explícito do desgoverno Michel Temer, o jornalista também vazado pela Lava-Jato, Reinaldo Azevedo, está certo ao afirmar que os lavajateiros e adjacências defendem a candidatura de Bolsonaro para assim poderem usufruir de mais e mais prerrogativas considerando que seu hipotético governo provavelmente mal comece e sequer termine?

greece / turkey / cyprus / anti-fascism / non-anarchist press Tuesday April 24, 2018 22:57 byÖnder Kulak and Kansu Yıldırım

After declaring a state of emergency in the country, the decree laws of the government have replaced the law and therefore the constitution (already suspended partially) in Turkey.

The main aim of the government since the failed coup attempt is quickly avoiding the cases slowing down or hindering the construction of the new structure of the state. So that merging the security apparatuses and connecting them directly to the ruler has been undertaken. What is expected is to maintain the absolute power of the ruling party and to surpass the threats against accumulation of capital without any economic or political lost.

These aims were almost achieved in 2017 – especially by the referendum in April 2017. That is to say, the referendum in 2010, that annihilated the division of powers, has been sustained and advanced further by the decree laws since July 2016 to the present and the referendum in 2017. Five major themes have emerged as critical issues in the consolidation of the new structure.

1. The government, ever since the beginning of its rule, has begun to try seizing all public organizations or establishing alternative ones when it has not been strong enough to seize. This effort has now entered a new phase. Article 108 of the constitution has been amended after the referendum in April 2017. This amendment has authorized the state auditing board of the presidency (DDK) to undertake “administrative investigations” for all public agencies and institutions and professional organizations that have the status of public agency or institution. As a result of that authorization, the government has announced that the possible independent structure of organizations except the state is not recognized any longer. That is to say, from now on all independent public organizations are under threat.

2. There has always been a tension between the police and the army in Turkey. Most of the underlying reasons have already been eliminated in favour of the government. Definitely, the main reasons were accepted as the relatively autonomous administration and resource management of the army in comparison to the other. In addition to this, the army had been accepted as the protector of the Kemalist ideology. As is mentioned, most of the reasons have already been eliminated, and the remaining ones have been eliminated by the authorization given to the police department to use the vehicles, arms and properties of the military police department in need without any special permission by Article 12 of the decree law numbered 668.[1] Therefore, the police department, always known as loyal to the ruler, has gained more power against the relatively less loyal structures in the past.

3. Within the old structure of the state, every security apparatus had its own intelligence section. The reason was the different needs and the different uses of the information. Beside this, because of the legal and administrative obstacles, investigating individuals and organizations was not easy “enough” to perform for the intelligence services. These all have been changed by Article 62 of the decree law numbered 694. First of all, the national intelligence coordination council (MIKK) was established under the administration of the president. The main tasks of the MIKK have been defined as merging and managing all the intelligence services both inside and outside of Turkey, providing the coordination between the offices, the public agencies and institutions and also monitoring their tasks and responsibilities, and announcing security forces about them if it is needed. What is more, the MIKK has the authority to perform security clearance for any person, agency or institution. This means everyone and every organization might be monitored – with or without any legitimate reasons.

4. There are many active pro-government paramilitary groups in Turkey. After the declaration of state of emergency, many of them began searching for a way to legalize themselves. Despite their unrecognized status among the state institutions, the groups had the direct support of whom they were working for. Moreover, each was benefiting from many official opportunities. They were more like official organizations rather than civil ones. However the groups were still feeling themselves uncomfortable because of the unofficial recognition of their position in the state. Then the state, under the decree law published with the number 696 on 24th of December 2017, has finally recognized the official status of the paramilitary organizations that were already responsible for many dirty jobs such as using violence against the peaceful opposition.

5. The government has undertaken the revision of the election system in February 2018 by the amendment of many articles in the constitution. Many groups in the opposition describe the revision as the annihilation of the elections due to legitimating some of the anomalies in a possible fair election. One of them is the repeal of the article that the voting envelopes and papers have to be signed and approved officially. The opposition claims that this amendment makes possible to use fake voting envelopes and papers in the upcoming elections. In addition to that amendment, security forces have gained the right to remove everyone in the polling stations if it is needed. It is well known that security forces are mostly supporting the government. Who could claim the privacy of the voting polls any longer by this amendment?

Another amendment is the repeal of the article that makes compulsory for an individual to use voting IDs with the other individuals living in the same location and therefore being on the same voting list. The consistency between the locations and the voting lists was accepted as a measure to prevent giving vote by fake identities. But now the Article is no longer available. However that is not all. Furthermore, the assignment of the chairman of the board of polling stations has been taken over by the government. It is an amendment clearly against the neutrality principle of the chairman.

People from other countries are usually curious about how an anti-intellectual political organization could be so influential on the masses. There are many reasons for this. But one of the main reasons is the bourgeois press. The bourgeois represented in the government owns 90 per cent of all the press in Turkey including TV and radio channels, newspapers, journals, etc. It means when someone relates with a media organ, she or he sees, listens and reads only the same source.

The Press as the Means of Politicization and Depoliticization of the Masses
Today the press is accepted as the fourth power with legislative, executive and judiciary in most countries experiencing a working bourgeois democracy. Besides this, in countries faced with authoritarian or fascist state forms, the press is a crucial part of the total power. However, under all forms of capitalism, the main point of the bourgeois press is to take part in the maintenance of the existing social relations. It is not possible to think otherwise after realizing that the press is usually under the private property of one or two monopolies. It does not matter how much the organs of these monopolies refer to the words “impartial”, “independent”, “objective” press and moreover. By using the term ideological state apparatuses of Louis Althusser, it could be mentioned that the bourgeois press defines the borders and the limits of an official ideology or ideologies to keep the subjects inside the existing order.[2]

As for Turkey, it might be seen that the press is an important instrument of the existing order to persuade the masses for a country without law. The law in Turkey is actually the sum of decisions given by the ruler and his officials. At exactly this point, the need for legitimacy of their decisions is conveniently supplied by the bourgeois press. This could only be done by the press itself. It gathers all individuals together into a common place. Using this opportunity, it gains the chance to persuade or threaten the subjects in favour of the government. And it does not hesitate to use different kinds of manipulation and disinformation for this mission.

The press has always been influentially used during the AKP rule. Many visual and printed media organs have established without caring about their ratings. Here the only measure has usually been making the party ideology, Political Islam more apparent and more effective. What is important is the concrete consequences of the influence performed by the press. And these consequences have been the direct products of the Political Islamist intelligentsia not having any academic or intellectual formations but having fake or fictional titles. These “experts” aim to determine and control the minds of people by the media organs. Various subjects from daily problems to social events are being undertaken by the “experts” at the media organs.

By focusing the minds, Political Islamists have two main ends. One is politicization; and the other is depoliticization of the masses.

For the goal of politicization, the first thing is to polarize and divide the masses for the negative cases in charge of the government. Then passing the buck to the opposition, even if it is the victim. By this process, it is as easy as pie to mark workers, peasants, students, academicians, intellectuals, journalists, engineers, lawyers and many others who protest the violation of their rights as “the devils in human form.” Here the press is the major instrument to declare who is enemy and who is not.[3] After that, it mobilises the masses against the opposition.

The goal of depoliticization is the other side of the coin. It is a process keeping the masses ready to mobilize against the opposition but hindering them to not listen to or to take part in the opposition. The main point here is making people irrelevant to politics up to the call by the ruler. By forming cynic supporters like these, neutrality or apathy of the masses is expected on the decisions of the government. The result of cynical supporters is a relatively social silence which protects the powerful from possible wave of resistance and struggle against the coming violation of rights.[4]

The government has escalated the repression against the opposition after declaring state of emergency by the effective usage of the politicization and depoliticization processes. Also the bourgeoisie has designed its press once more after the accomplishment of the five critical domestic security issues mentioned above. Hereafter the expectation from the press is to formulate every act of the government as “national will” and to mask the class character of the state. •

Endnotes

[1]Actually, Article 12 was planned to be put in to place nearly four years ago. However there were no really adequate technical conditions to realize that process, and then the regulations were postponed for a future time.
[2]Louis Althusser, “Ideology and Ideological State Apparatuses,” trans. Ben Brewster, Marxists.org, 1971.
[3]This situation is like the term mass mobilization against a political ideology belonging to Jacques Ellul in Propaganda: The Formation of Men’s Attitudes. It uses the term in the sense of the power which uses TV, radio and printed media to specify and begin a mobilization against its enemies.
[4]This point should be thought of by the term transformismo associated with Antonio Gramsci and his idea of the formation of passive consent.
aotearoa / pacific islands / anti-fascism / interview Thursday April 19, 2018 07:01 byAlex Pirie

This is part 2 of an interview between social activist Alex Pirie and New Zealand based anarchist and Aotearoa Worker's Solidarity Movement (AWSM) member Barrie Sargeant. It discusses anti-fascism.

https://www.facebook.com/alex.pirie/posts/10156397894458628
iberia / antifascismo / comunicado de prensa Saturday March 31, 2018 14:28 bySecretariado Permanente del Comité Regional de CNT Catalunya

«La desobediencia es el verdadero fundamento de la libertad.
Los obedientes deben ser esclavos.
»
Henry David Thoreau.

Los sindicatos de la CNT de Catalunya y Baleares queremos dar a conocer nuestro posicionamiento frente a la actitud autoritaria del Estado en estos momentos de extraordinaria gravedad.

Los encarcelamientos, las constantes agresiones policiales a las movilizaciones ciudadanas, el ataque a la libertad de expresión, la supresión y/o reducción de los derechos más básicos y elementales (pensiones, vivienda, energía, etc.), la amenaza constante que sufre el modelo que instruye y educa a nuestras hijas e hijos, el resurgir del fascismo, son una muestra inequívoca de la escalada incontrolable de valores reaccionarios que se están desplegando contra el pueblo de Catalunya y que también se está viendo en el resto del Estado.

Debemos tener muy claro que este Estado tirano y represor es el heredero directo de las estructuras judiciales y de gobierno franquistas que diseñaron la mal llamada transición, régimen del 78, y que rehuyeron sus responsabilidades y que amnistiaron a sus responsables criminales de postguerra. La CNT ya lo denunció en aquel momento, pagando un precio muy caro en forma de palizas, represión, infiltraciones, montajes y asesinatos policiales, que acabó con una calculada marginación.
Queremos dejar muy claro que las y los anarcosindicalistas haremos valer nuestros valores de solidaridad, apoyo mutuo y acción directa y los pondremos al servicio de la causa del progreso social y del pueblo trabajador.

Hacemos un llamamiento a toda la clase trabajadora de Catalunya para reencontrarnos y utilizar todas las herramientas de movilización que más éxito han demostrado a través de nuestra historia para así descubrir de nuevo la fuerza que tenemos si actuamos colectiva y masivamente.

La CNT, como organización histórica del anarcosindicalismo en Catalunya, da un paso adelante para declarar públicamente que hará todos los esfuerzos necesarios para combatir estos momentos de injusticia y dictadura. Para ello, en estos momentos en que mucha gente quiere cambios reales, haremos público pronto un programa de acción para dar forma a una sociedad donde la autogestión y la participación de la clase trabajadora en la organización de la economía sean los principios rectores.

Secretariado Permanente del Comité Regional de CNT Catalunya i Balears.

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Saturday March 31, 2018 10:24 byBrunoL

O tema é preocupante e agora deixou de ser uma especulação para entrar no campo das probabilidades. Para o fascismo avançar, de forma "clássica", seria preciso uma estrutura organizada, um partido organizado de fato, algo que nem sequer o Dr. Enéas Carneiro arriscou organizar. Massificar a extrema-direita - por uma vertente de verniz nacionalista-conservador ou mais alinhada com a "linha chilena" - não é tarefa fácil e menos ainda controlável. Na ausência de um partido fascista, não tendo nem sequer uma legenda eleitoral nitidamente identificada com as duas vertentes listadas acima, passamos para uma segunda caracterização.

O tema é preocupante e agora deixou de ser uma especulação para entrar no campo das probabilidades. Para o fascismo avançar, de forma "clássica", seria preciso uma estrutura organizada, um partido organizado de fato, algo que nem sequer o Dr. Enéas Carneiro arriscou organizar. Massificar a extrema-direita - por uma vertente de verniz nacionalista-conservador ou mais alinhada com a "linha chilena" - não é tarefa fácil e menos ainda controlável. Na ausência de um partido fascista, não tendo nem sequer uma legenda eleitoral nitidamente identificada com as duas vertentes listadas acima, passamos para uma segunda caracterização.
O Brasil vive um clima fascista nas redes sociais e que vai ao encontro de dois fenômenos permanentes na estrutura social das classes sociais oprimidas no país. As duas estruturas abaixo incidem sobre a democracia brasileira (liberal, indireta, mas tensionada por uma Constituição Cidadã e o reconhecimento de direitos de 4a geração) e foram catalisadas pela força difusora do ódio e da imbecilidade através de dois expoentes desta demência coletiva. O deputado federal pelo Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência, Jair Bolsonaro (PSC/RJ) e o incansável difusor de teses conservadoras e estapafúrdias na rede, o astrólogo Olavo de Carvalho. Estes dois personagens acima seriam apenas ridículas caricaturas (pelo critério de razoabilidade) caso não tivessem sendo propaladas através da internet massificada no Brasil e indo ao encontro de duas instituições sociais - difusas, mas perenes - como as citadas abaixo.
Primeiro, o dia a dia da maior parte de nossa população, em especial das maiorias urbanas e periféricas (vivendo nas 30 Regiões Metropolitanas) é atravessado pela violência estatal, o controle estendido das facções oriundas do domínio do sistema prisional e da precariedade nos direitos civis. Isso cria um clima fascistoide, onde transitam com vigor as lógicas como "bandido bom é bandido morto". Mais à frente, em outras publicações, vamos debater (novamente) o carcomido modelo policial brasileiro.
A segunda permanência na estrutura social brasileira é o crescimento vertiginoso do neopentecostalismo. Estas "igrejas" de formato empresarial captam liquidez financeira (com doações desproporcionais a renda dos fieis e em espécie) e adesão nas bases da sociedade e não são unificadas, concorrendo entre si. Mas, estas “igrejas” acabam tendo alguns expoentes midiáticos como o "bispo" Edir Macedo (e seu sobrinho prefeito do Rio de Janeiro pelo PRB, Marcelo Crivella, PRB/RJ); o pastor e deputado federal por São Paulo Marco Feliciano (do Avivamento, um ramo da Assembleia de Deus e com mandato pelo PSC/SP) e o melhor polemista de todos e também o mais agressivo, líder da ala majoritária da Assembleia de Deus no Brasil, o pastor e psicólogo Silas Malafaia.
Essas duas presenças (violência policial e para-policial e neopentecostalismo conservador) e as consequentes compreensões de fenômenos como violência estatal, economia do crime, postura predatória e individualismo levam a um ódio entre os debaixo e o apoio consequente a práticas ilegais de repressão, chegando a apoiarem execuções extra judiciais.
O encontro é explosivo, pois a propaganda absurda do clã político dos Bolsonaro encontra eco na pregação do ódio por Marco Feliciano e dos giros cada vez mais à direita política, ideológica e eurocêntrica de Silas Malafaia. Ao mesmo tempo, esta mensagem ganha impacto nas camadas populares e entre operadores das Polícias Militares - que em geral não questionam o modelo da instituição - e defendem as práticas de violência excessiva, diuturnamente praticadas. É uma soma explosiva quando há vazio político, criminalização tanto dos intermediários profissionais (em geral oligarcas comprometidos consigo mesmos, vide o Congresso do golpe) como do empresariado familiar brasileiro (dilacerado após a Lava-Jato). Como a centro-esquerda após 13 anos de governo nacional com aprovação popular recorde não criou uma nova base social permanente, estamos diante do abismo ideológico a ser conquistado. Já soou o gongo.
2013, Venezuelização e os pregadores do ódio
Se formos recapitular os episódios brasileiros desde 2013, ficou evidente algo. Os governos lulistas (PT como partido de governo, PC do B como força aliada principal e a composição de pacto de classes) não criaram uma força social para servir como base para além do eleitoral. Daí a surpresa que todas e todos tivemos com a adesão massiva em 2013 - muito antes de junho, me refiro, por exemplo, à vitória do direito coletivo arrancado a unha em Porto Alegre ainda em maio daquele ano - e reorientação dos grupos de TV sobre o Junho. Recordo que os carros das equipes de televisão estavam sendo incendiados por quem ocupava a rua protestando contra o aumento das passagens e os repórteres trabalhando sem canopla, ou seja, sem identificação das emissoras. Em seguidos episódios, os editoriais foram modificados e as coberturas alteradas para louvar os "bons protestos" (sugiro conferir os trabalhos dos jovens jornalistas gaúchos Pedro Kessler e Anderson Huber).
A outra "surpresa" veio na sequência, com a incrível capacidade da excrescência dar a cara na rua, no processo conhecido em 2014 e em 2015 como a "venezuelização da política brasileira". Ainda no final de 2014 já havia atos na Avenida Paulista com 20 mil alucinados convocados por pastores e o clã Bolsonaro contestando os resultados eleitorais. Isso concomitante à maturação da nova geração de neoliberais militantes, cujo expoente máximo é a empresa que atende pela sigla de MBL e sua incrível capacidade técnica de criar fatos políticos a partir de factoides digitais e a decorrente perseguição de seus alvos e desafetos.
Hoje, aqueles e aquelas que conhecem um pouco da nova direita cibernética brasileira (operando no Brasil seria o melhor termo) veem que há uma tendência à separação entre "liberais" x "conservadores", respectivamente estando os primeiros sob os holofotes do MBL e os segundos sob a liderança de Bolsonaro. As teses podem se aproximar, já que têm inimigos comuns, motivações semelhantes, a mesma incidência de valores e simbologia da política neoconservadora dos EUA e uma enorme munição de gerar fatos controversos e "fake news" através das redes sociais.
A soma destes setores é desproporcional à sua capacidade de convocatória pela internet. Mas tal como as fake news, alguém, alguns, pensam parecido e emitiram tais enunciados para um robô, empresa ou algoritmo cruzar e propagar. Ou seja, atrás desta fumaça, há fogo. Não apenas há fogo como há uma dimensão autorizativa de propagar o ódio, de virar o fio, algo que as maiores empresas de comunicação, a começar pela própria Globo, resolveram colocar um pé no freio - ao menos na rede aberta e em formadores de opinião conservadora - após os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Se há alguma responsabilização por este conjunto endêmico de ódio social, reproduzindo o pior do Brasil em todos os níveis, eu concordo com a tese de Luis Nassif e atribuo a campanha dos maiores grupos de mídia contra as tímidas políticas compensatórias do lulismo. A começar pela maldita campanha contra as cotas e a ridícula tese do Diretor Geral de Jornalismo e Esportes da Globo, Ali Kamel, com seu livro "Não somos racistas" (editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2006). Ou então na presença de Reinaldo Azevedo com seu blog à frente da Veja (onde trabalhou por doze anos, até maio de 2017) cunhando termos como "esquerdopata". Depois de propalado, com a potência que tinha a revista semanal dos Civita, o estrago encontra eco nas cloacas da sociedade e se dispersa perigosamente.
Para concluir esta breve série, é preciso compreender - interpretar ao menos - efeitos da Lava-Jato e do governo Temer sobre esta ameaça. Estamos diante da quebra do pacto de classes do lulismo- situação conjuntural que leva a uma derrota estrutural em termos econômicos - e do dilacerar da Constituição - esta sim uma derrota estratégica que todo o povo vem sofrendo - o país viveu um transe - que já passou - onde todas as piores teses, as mais asquerosas e horrendas, entre regressivas e racistas, vieram à tona. A agenda do Congresso antes do impeachment do segundo governo Dilma já era terrível e continuou sendo, ampliando ao máximo a regressão de direitos.
Outro fator importante é o isolamento societário do governo Temer, auxiliando-se cada vez mais em cima do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do ministro e general Sérgio Etchegoyen, nos decretos de GLO (Garantia da Lei e da Ordem, como no Rio, por exemplo) e agora na pirotecnia - já fracassada - da Intervenção Federal no Rio de Janeiro (a ressaca pós-carnaval de Temer). Este conjunto explosivo, mais as falas perigosas do general - agora na reserva - Hamilton Mourão, somado ao impedimento - fático - de Lula concorrer, coloca o ex-capitão Jair Bolsonaro com 20% de intenções de voto caso chegue ao segundo turno. Por direita, extrema ou lavada, o "mito" se torna a opção "mais viável" para tentarem vencer as eleições, e a certeza mais segura de não conseguir governar, transformando o país em um caos em todos os níveis.
A situação é bem difícil e traz o elemento incendiário dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes (em 14 de março de 2018). Em outras circunstâncias, estes crimes estariam atados ao terrível contexto do Rio de Janeiro, com para-militarismo, controle territorial e violência recheada de execuções extralegais. Mas, como os assassinatos se deram sob Intervenção Federal e nas horas seguintes sofreram uma enxurrada de Fake News e crime contra a honra da militante do PSOL, negra, homoafetiva, feminista e cria da Maré, nos deparamos diante de um divisor de águas. Antes e depois deste crime. Definição explícita de lados, e o flerte do fascismo com alguma chance de exercício de poder - basta observar a campanha do Trump e como estes métodos estão se reproduzindo no Brasil - enquanto os conglomerados de mídia tentam se desvencilhar do monstro que ajudaram a criar.
Como já disse antes, o gongo já soou para o povo brasileiro. Nenhuma expressão fascistoide, seja pela Intervenção Militar, seja na candidatura de Bolsonaro, seja na versão de linha chilena e "fascismo de mercado", nada disso pode passar!
Bruno Lima Rocha é cientista político, professor de relações internacionais e de jornalismo
(estrategiaeanalise.com.br / estrategiaeanaliseblog.com / Canal do Telegram t.me/estrategiaeanalise / blimarocha@gmail.com para E-mail e Facebook)

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Anti-fascism

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