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brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday August 12, 2018 10:22 byBrunoL

Ao que parece, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) emplacando como vice o general da reserva (quatro estrelas) Antonio Hamilton Marques Mourão marca uma nova etapa da relação das Forças Armadas (FFAA) e a sociedade brasileira. Bolsonaro, em seu afã de homenagear os facínoras dos porões, vai desmontar o "legado" da obra conjunta de operadores como Orlando Geisel (no desenho da estrutura da guerra interna) e do então capitão Carlos Alberto Brilhante Ustra, na montagem dos DOIs. DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), com ramificações por todo o país e concentração nas maiores cidades da época (São Paulo, Rio de janeiro e Recife, dentre outras), como a sigla já diz, era para agir como Destacamentos operando unidades semi-autônomas e conjuntas subordinadas ao comando da Força Terrestre.

10 de agosto de 2018, Bruno Lima Rocha
Ao que parece, a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) emplacando como vice o general da reserva (quatro estrelas) Antonio Hamilton Marques Mourão marca uma nova etapa da relação das Forças Armadas (FFAA) e a sociedade brasileira. Bolsonaro, em seu afã de homenagear os facínoras dos porões, vai desmontar o "legado" da obra conjunta de operadores como Orlando Geisel (no desenho da estrutura da guerra interna) e do então capitão Carlos Alberto Brilhante Ustra, na montagem dos DOIs. DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), com ramificações por todo o país e concentração nas maiores cidades da época (São Paulo, Rio de janeiro e Recife, dentre outras), como a sigla já diz, era para agir como Destacamentos operando unidades semi-autônomas e conjuntas subordinadas ao comando da Força Terrestre.
Assim, as FFAA não se "queimavam" matando a luz do dia envergando uniformes verde oliva. Isso ocorreu no Araguaia, nas três campanhas (1972-1975) e na segunda guerra (concomitante a fundação da Comissão Pastoral da Terra, CPT), esta só contra camponeses e tendo como alvo os posseiros da região. Mas, tamanha exposição de chacinas e massacres com gente envergando uniformes militares não ocorreu em áreas de grande concentração urbanas. No combate aos GTAs nas cidades (Grupos Táticos Armados, unidades básicas das pequenas organizações guerrilheiras do Brasil), as veraneios cinzas e os agentes descaracterizados traziam o terror sem escancarar o papel dos quartéis. Havia medo, e muito, mas não uma condição tal como na Argentina, quando todo o aparelho militar nacional e das províncias (as polícias provinciais, equivalentes às PMs, além da ação da Polícia Federal Argentina, ostensiva), era obrigado a reprimir, entrando em rodízio na guerra suja de extermínio contra seu próprio povo.
Com a aventura da extrema direita do Século XXI explicitando a guerra interna e tendo um general recém passado para a reserva no palanque, Bolsonaro e Mourão vão cumprir o papel de queimar - de vez - o Exército (EB) e por tabela as duas outras forças, diante da população brasileira. No período anterior a ditadura, a Escola Superior de Guerra (ESG) ao menos cunhou um conceito estratégico “Segurança Nacional & Desenvolvimento”. Qual seria agora o conceito dos bolsonaristas? “Segurança Patrimonial, Conservantismo Social e Entreguismo”? Possivelmente. Como autênticos entreguistas colonizados, vão bater palma para o Império, se calarão diante da entrega do Pré-Sal e vão aumentar a incidência de oficiais dentro do aparelho de Estado. Se não o fizerem e terminarem - em um hipotético e nada desejado governo eleito (faremos todos os esforços para que isso não ocorra) - rompendo com os Chicago Boys (tipo o guru dos rentistas selvagens Paulo Guedes) aí vão governar sozinhos, com menos de 100 votos no Congresso e sem o apoio nem da Globo e sequer das aves de rapinha. Logo, quem irá governar de fato? Generais do EB. Ou seja, mesmo quando Bolsonaro é menos ruim, segue sendo horroroso, dado o risco que impõe ao país.
Outra possibilidade advinda do envolvimento direto de dois generais de quatro estrelas recém passados para a reserva, como Antonio Hamilton Mourão e Augusto Heleno Ribeiro Pereira, é expor o generalato à uma visibilidade fora do manto da técnica militar, conseguindo assim "contaminar politicamente" a hierarquia nas tropas. Ou seja, de volta ao passado, retornando ao ciclo iniciado no tenentismo, fortalecido em 1935 e em tese encerrado em 1988. Parece que não.
Simón Bolívar já vaticinou há muito tempo, "maldito seja o soldado que aponta a arma contra seu povo". Logo, se eleito for Bolsonaro já disse que vai empregar um grande número de oficiais da reserva, ou mesmo da ativa, algo que era corriqueiro na ditadura (como os famosos 'coronéis da Petrobrás') ou o superdimensionado aparato de vigilância e espionagem interna (SNI-SISNI). Assim, por diversas ocasiões esses oficiais em cargos de responsabilidade entrarão em conflito direto contra seu povo.
Bolsonaro não começou a lambança, mas a aprofunda
A presença de militares na crise brasileira é visível. Já houve uma quebra de acórdão político no desgoverno de Temer, quando Raul Jungmann (o eterno arrependido ex-partidão) deixou a pasta da Defesa e esta foi assumida por Joaquim Silva e Luna, um general da reserva de quatro estrelas (contrariando assim a condição de um paisano à frente da pasta, até para não melindrar a Marinha e a Aeronáutica). Jungmann passou o bastão logo após a crise pós carnaval (em 28 de fevereiro de 2018) assumindo um mentecapto Ministério Extraordinário da Segurança Pública (uma versão minguada dos famigerados Ministério do Interior nos países vizinhos) depois de haver sido desmoralizado justamente por Antônio Hamilton Mourão e a decisão unilateral do comandante em chefe do Exército, general Eduardo Villas Bôas de que não puniria o Mourão ("ele é um gauchão patriota" segundo Villas Bôas).
Assim, caso o capitão de artilharia que teve uma péssima folha de serviços na força terrestre vier a assumir o Palácio do Planalto, vários cargos de chefia, CCs e FGs serão disputados por oficiais generais e oficiais superiores das três forças. O resultado será institucionalmente desastroso, mas pode vir a servir para escancarar o período da ditadura militar e o fato - terrível - de que a ideia de nacionalismo passa bem longa da defesa do povo brasileiro. Parece que a oficialidade quando fala o que pensa realmente manifesta o mito de Guararapes. Quando muda é para pior, com tenebrosa idealização racial de Antonio Hamilton Mourão, muito semelhante às barbaridades proferidas por gente como o racista Nina Rodrigues ou o integralista e também general Olímpio Mourão Filho.
Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva estariam desesperados agora, vendo que toda a articulação para que os militares saíssem limpos do regime ditatorial que inventaram, após haverem cometidos crimes de lesa humanidade à frente do Estado, indo para o ralo. Enquanto os gênios da ditadura veem do além o caldo entornar, seus colegas de caserna vão sendo expostos ao vexame e ao repúdio iminente caso o desastre ocorra e o falastrão protofascista ganhe os votos da direita brasileira. Será que a ala profissional e constitucionalista das três forças irá se manifestar a tempo?

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e jornalismo (www.estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday July 29, 2018 23:59 byBrunoL

O abraço dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de opções, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de São Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado “Centro Democrático” seria a continuidade do Centrão da Constituinte, décadas após veio a ser chamado de Blocão na Era Cunha e retornando ao nome de Centrão no Brasil pós-golpe. Se formos avaliar a condição da aliança, além de razoável consonância programática – que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro – significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na União como nos estados.

29 de julho de 2018,
Bruno Lima Rocha

Aproximam-se as candidaturas definitivas à Presidência e parece que há um enorme vazio político mais à direita no Brasil. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), campeão da “nova-velha” direita nas redes sociais, baluarte das posições retrógradas e reacionárias, chegando ao ponto de ser um conservador social, simplesmente não emplaca nos palanques. Nota-se a dificuldade em fechar o nome do candidato à vice, e a causa é simples. A primeira meta dos operadores políticos profissionais é seguir nos mandatos, conseguindo o acesso aos postos de poder dentro do aparelho de Estado e aos recursos coletivos. Ainda que no Brasil existam medidas legais, pesos, contrapesos e formas de controle cada vez mais rígidas, ainda assim há uma razoável margem de manobra para o Poder Executivo e suas maiorias parlamentárias, tributárias do semiparlamentarismo e da composição de governo no terceiro turno sem o escrutínio popular.

Por outro lado, se o “mito” da direita saudosa da ditadura e defensora de gestos que atentam contra os direitos humanos e valores democráticos não emplacam, reconhecemos, não foi por falta de tentativa. Bolsonaro e seus parcos aliados formais votaram em uníssono com o governo ilegítimo de Michel Temer (ex-vice eleito e reeleito com Dilma Rousseff), Henrique Meirelles (ex titular da Fazenda de Temer e por oito anos presidente do Banco Central com Lula) e Ilan Goldfajn (à frente da autoridade monetária sem haver recebido voto algum a não ser a sabatina do Senado que apoiou o golpe). Assim, um pacto de classes e acórdão de governabilidade rompido resultou no golpe com apelido de impeachment entre os tortuosos meses de abril e agosto de 2016. E justamente a dificuldade de refazer este pacto mantendo um mínimo de legitimidade é o que está minando as candidaturas mais à direita.

Assim, o abraço dos desesperados pode se dar na aposta, ou falta de opções, em torno de Geraldo Alckmin (PSDB-SP). O ex-governador de São Paulo recebeu ainda no final de julho o apoio formal de DEM, PP, PR, PRB, SD. O autointitulado “Centro Democrático” seria a continuidade do Centrão da Constituinte, décadas após veio a ser chamado de Blocão na Era Cunha e retornando ao nome de Centrão no Brasil pós-golpe. Se formos avaliar a condição da aliança, além de razoável consonância programática – que difere pouco ou nada das ideias manifestas sem definir um programa fechado com Jair Bolsonaro – significa uma chance real de disputar parcelas de poder, tanto na União como nos estados.

Parece que teremos consolidadas disputas. Uma, dentro do legado do lulismo e tendo como favorito o possível indicado do ex-presidente, que já larga com 15% das intenções de voto. Este “campo” vai do trabalhismo (com Ciro Gomes que insiste em não decolar) ao reformismo radicalizado, ocupando um espaço no sistema político que seria do PT nos anos ’80 e no século XXI passa a ser do PSOL, ainda que a legenda e sua organicidade sejam muito distintas do que se apresenta com densidade eleitoral. Assim, o “centro” da centro-esquerda é o próprio ex-presidente preso sem demonstrações cabais de provas materiais contundentes. Ele seria o conciliador dos interesses embora polarize os afetos. Neste último quesito, a nova-velha direita cibernética aproveita-se para fazer seu proselitismo político em cima de uma moralidade seletiva. Como afirmei em textos anteriores, continua sendo a Bala de Prata da campanha.

Já a outra disputa se dá dentro da direita com chances eleitorais e alguma base definida. Há um embate, onde Geraldo Alckmin insiste em apresentar-se como “moderado” diante da falta de pudor de Jair Bolsonaro. Não seria exagero afirmar que o conservantismo social do ex-capitão reformado da força terrestre (e político profissional de seguidos mandatos) chega a ser obscena. Aproveitando esta fragilidade composta de falta de apoio de oligarquias estaduais; ausência de organicidade e instrumento partidário (Bolsonaro favoreceu sua prole e não um instrumento político neofascista de massas) e, por fim, a altíssima rejeição superior ao apoio virtual do “mito”, criaram as condições necessárias para que a base do governo Temer visse na criatura política do ex-governador Mário Covas sua saída de tipo “mal menor”.

Mas, cabe uma ressalva. A “moderação” de Alckmin não coaduna com sua conduta à frente do Palácio dos Bandeirantes em várias oportunidades. Tanto em “suposta participação” de escândalos vultosos como o Trensalão, DERSA/Rodoanel e Merendão; passando por fechamento de escolas em 2015 e garantindo a “pax paulista pós-2006” exemplarmente retratada pelo jornalista Luis Nassif. Iniciada a campanha os embates não serão cordiais e submissos como a vergonhosa “entrevista” realizada em 23 de julho para o moribundo programa Roda Viva, outrora orgulho do telejornalismo nacional. Se alguém quiser observar a “moderação” de “Geraldo”, basta observar tanto sua política de segurança pública como a mão de ferro sobre a Fundação Padre Anchieta, especificamente no setor de jornalismo.

Como na Assembleia Nacional Constituinte, a direita articula uma saída possível e pragmática. Na década de ’80 do século passado, ninguém queria estar associado à ditadura, ainda que o então vice de Tancredo, que viria a tomar posse, era o ex-presidente nacional da ARENA quando esta se transforma em PDS após a reorganização partidária promovida por Golbery do Couto e Silva. A partir do terceiro turno “venezuelizado” de 2014 – porque antes o terceiro turno era a composição de maioria e da tal da governabilidade – o Brasil virou à direita nas redes sociais e no proselitismo primeiro golpista, e depois entreguista e antipovo. Isso pode servir para derrubar governo eleito, iniciado o desastre já na administração de Joaquim Levy como timoneiro do austericidio, mas não opera para convencer o eleitorado para cargos majoritários. Assim, toda a direita oligárquica e neopentecostal “virou ao centro” magicamente embora tanto a base de Alckmin como a de Bolsonaro, tenha apoiado o governo Temer e votado nas retiradas de direitos coletivos. E, para não tergiversar, nunca é demais lembrar que metade desta base ou mais compuseram as maiorias parlamentares dos três governos e meio de Lula e Dilma. Logo, seria um pacto de classes e elites conservadoras reconstruído, mas sem o elemento geração de emprego e renda da era anterior.

Vale ressaltar que a “moderação” de Geraldo Alckmin é de forma e não de conteúdo. Se nas relações sociais o PSDB flerta com a pós-modernidade lúcida de estilo europeu, na política econômica é puro neocolonialismo entreguista, sem tirar nem por com Bolsonaro e adjacências. O cenário é interessante. Podemos ver o engajamento das hordas virtuais com o “outsider” confrontando as cúpulas partidárias do Centrão da Direita. No segundo turno, possivelmente será o “centro” da centro-esquerda versus o “campeão da direita”. O desconforto do PSDB é um pouco maior do que os defensores da “linha chilena”, a que vai mesclando um protofascismo social e a aplicação de medidas neoliberais selvagens. A alta cúpula tucana alinha-se com uma subordinação incondicional ao Partido Democrata, mas entra em crise quando nos EUA tem uma política protecionista, isolacionista e sem a elegância do multilateralismo aparente de Clinton e Obama. Enfim, ambas as chapas, Bolsonaro (simulando ser um Trump subalterno) e Alckmin (a continuidade do colonialismo “responsável”) concordam com a pauta econômica entreguista, mas distanciam-se nas condições de execução de governo. O troglodita pode ganhar na urna, mas não governa. Já o “ponderado” conseguirá governar até o fim do mandato e executa o mesmo programa econômico do rival.

Triste escolha que não se soluciona nem com saídas de tipo mal menor e menos ainda desorganizando a população para assegurar a tal da governabilidade a qualquer custo, como ocorreu até 2013.

Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, cientista político e professor de relações internacionais e jornalismo (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Sunday July 15, 2018 01:59 byBrunoL

Estamos em plena crise política, uma crise que abala as instituições da chamada "Nova república", fruto da transição inaugurada a partir da Abertura Lenta, Gradual e Segura de tipo GGG (Geisel e Golbery, elogiada por Gaspari) e garantida pela Anistia, Ampla, Geral e Irrestrita - na sua segunda versão e através de jurisprudência obtida com o fim do AI-5. Na sequência, o Brasil quebrou mas, simultaneamente, a classe trabalhadora aparecia na cena política através do reformismo radical, então de base e legítimo. Graças a essa luta social intensa - mesmo que discorde das opções, as quais sigo em discordância - tivemos a versão substantiva da transição do autoritarismo na metade dos anos '80, através da Constituição de 1988. Pois bem, é esta versão de democracia liberal com traços oligárquicos e elementos, contraditoriamente, substantivos e representados até há pouco, na tentativa de controle do orçamento público que está em jogo. E estamos perdendo o jogo.

14 de julho de 2018, Bruno Lima Rocha
Trago estas notas analisando um problema de fundo, os ovos das serpentes do fascismo sócio-empresarial (linha chilena) estão sendo chocados em escala industrial. Estamos em plena crise política, uma crise que abala as instituições da chamada "Nova república", fruto da transição inaugurada a partir da Abertura Lenta, Gradual e Segura de tipo GGG (Geisel e Golbery, elogiada por Gaspari) e garantida pela Anistia, Ampla, Geral e Irrestrita - na sua segunda versão e através de jurisprudência obtida com o fim do AI-5. Na sequência, o Brasil quebrou mas, simultaneamente, a classe trabalhadora aparecia na cena política através do reformismo radical, então de base e legítimo. Graças a essa luta social intensa - mesmo que discorde das opções, as quais sigo em discordância - tivemos a versão substantiva da transição do autoritarismo na metade dos anos '80, através da Constituição de 1988. Pois bem, é esta versão de democracia liberal com traços oligárquicos e elementos, contraditoriamente, substantivos e representados até há pouco, na tentativa de controle do orçamento público que está em jogo. E estamos perdendo o jogo.
Alguém pode afirmar que a disputa entre neoliberais e social-democratas não é para a esquerda se meter. No embate político eleitoral entendo que a afirmação está correta. Na disputa pelos rumos da sociedade brasileira, é justo ao revés. Minha maior preocupação neste momento é, modestamente, fornecer capacidade analítica por esquerda tentando, ao mesmo tempo, não ficar a reboque dos apoiadores do governo deposto através de um golpe jurídico-midiático-parlamentar e, menos ainda, colocando quem atua pela esquerda da política ainda mais à margem da centralidade dos acontecimentos.
Infelizmente, circula um discurso obtuso por uma parte da esquerda brasileira - minoritária, é verdade - que confunde o momento estrutural vivido no país - o da crise político-institucional, quebra do modelo econômico do capitalismo periférico e a ascensão das carreiras jurídicas como setores protagonistas no Estado brasileiro - com a radicalidade discursiva. Entendo, respeito e repito ser a capacidade de alinhamento fundamental para fazer política, ainda mais importante quando o sistema de crenças tem de estar acima das alocações de recursos de poder disponíveis na concorrência permitida no liberalismo. Mas, como costumo afirmar, a melhor posição é combinar serenidade, frieza analítica e fervor ideológico. Acontece, que tal combinação é difícil, bem difícil.

Antes nem farda nem toga. Agora, nem toga e nem farda.
Recentemente afirmei em programa local de TV - local, digo, transmitido para a Região Metropolitana de Porto Alegre/RS - que não me entusiasmava um ambiente político onde as pessoas sabiam de cor nomes de magistrados, ministros de tribunais superiores, delegados da PF e procuradores federais. Isso por si só já caracterizava a presença de uma - algumas - tecnocracias de carreira em franca ascensão dentro do aparelho de Estado. E, estas carreiras, pelo próprio poder da caneta e da toga, podem operar como - de fato - Poder Moderador nos atos da república. Acontece que o caldo já entornou e hoje, quem estiver fazendo política - mais dentro do que fora das urnas - necessariamente deve contar com bases e contatos no mundo jurídico.

Neste sentido, há algum paralelo com os anos '50, quando o Estado-Maior do Exército estava dividido em Progressistas, Nacionalistas, "Democratas" e Intervencionistas. Estes últimos, gestando na Escola Superior de Guerra (ESG) dois partidos políticos, duas facções interna corporis e que viriam a disputar todo o poder do Estado para além da capacidade de governo. Na década em que Vargas pela primeira vez eleito presidente viria a se matar para não ser deposto, as forças políticas profissionais contavam com marechais - como o Marechal Henrique Teixeira Lott e o golpe preventivo que garantiu a posse de JK eleito -, aviadores - como os golpistas João Paulo Moreira Burnier, Haroldo Veloso e sua referência política Eduardo Gomes -, e navais como o contra-almirante Cândido Aragão (progressista) ou o almirante fascista Penna Botto -, dentre centenas de outros militares.
O outro paralelo se dá na interna do desenho de Estado no Brasil. Se a Nova República acabou, e acabou mesmo, e há uma evidente e brutal regressão de direitos, logo, é de se esperar um embate dentro das elites política, caos na interna do Estado e algum tipo de conflito social organizado. Mas, este último, o mais relevante para estruturar a sociedade debaixo para cima, precisa ser organizado e ter alguma referência para além do reboquismo ou a retomada do pacto anterior do governo deposto. E isso está bem difícil, embora sempre desejado. Talvez seja esta a dimensão mais complicada que torna vitoriosa a pauta baseada na luta pela recondução do governo deposto e, ao mesmo tempo, a necessidade de articulação cada vez maior das esquerdas mais à esquerda - onde me incluo como analista e apoiador.

Cabe observar o perigo real de avanço fascista em nossa sociedade. Explico.
Não se trata “apenas” da aventura de Bolsonaro no rumo da Presidência, embora este fenômeno por si só já assuste o bastante. Mas a difusão de um punitivismo baseado no pior do conservadorismo colonial - racista, elitista, nababo, misógino, entreguista, viralata - que agarra corações e mentes, tanto na geração de concurseiros profissionais, como da classe média para cima, na pirâmide que se entende olhando de cima para baixo - mesmo quando não passamos de uns pobres coitados com diploma, rezando para o mês acabar antes da chegada do próximo boleto de contas atrasadas - e vendo a maioria com asco e distância.
Nunca é demais recordar que o famigerado general Hamilton Mourão Filho, o militar que comandou a coluna golpista que desceu a estrada Rio-Bahia no sentido do Rio de Janeiro, era, na década de '30, membro do setor de inteligência da laia dos “galinhas verdes”, a famigerada Ação Integralista Brasileira. Ou seja, a difusão das estupidezes de Plínio Salgado e Gustavo Barroso - este por sua vida retrógrada era um anti-cristão na Restauração Católica, espécie de versão brasileira do franquismo - penetrou, e fundo, no Estado Brasileiro, em especial no período da ditadura getulista ainda sob a Lei de Segurança Nacional e depois no Estado Novo.
Se vale a comparação, ao difundir as cloacas jorrantes da nova-velha direita na América Latina - versões atuais dos Chicago Boys e posturas demenciais a favor do proto-fascismo militar - tais manifestações de pensamento entram com vigor no aparelho de Estado, assim como sempre seguiram atuando no aparelho policial deste nosso país campeão em execuções extra-judiciais. A manilha de esgoto já estourou, os dólares gastos pela fundação dos Irmãos Koch, a lavagem cerebral promovida pela Atlas Network e adjacências já penetrou em camadas sociais médias e a ideologia do empresariado selvagem pode vir a superar a velha panaceia oligárquica nacional.
Aconteça o que acontecer em outubro de 2018, a cancha está aberta em 2019 e tudo, absolutamente tudo, pode vir a acontecer. A esquerda mais à esquerda terá tanta chance de influenciar nos acontecimentos quanto mais força social e organização de base devidamente articulada e fazendo sentido com a maioria, estes setores puderem incidir. A campanha eleitoral formal ainda não começou, mas a luta antifascista não espera soar o gongo para entrar no ringue.
Bruno Lima Rocha é pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e de jornalismo, editor do portal Estratégia & Análise (estrategiaeanaliseblog.com / blimarocha@gmail.com)

brazil/guyana/suriname/fguiana / anti-fascismo / opinião / análise Thursday June 14, 2018 06:31 byBrunoL

No texto abaixo, realizo três comentários rápidos a respeito desta situação inusitada, onde a democracia indireta, liberal, representativa e delegativa no Brasil pós-golpe coxinha pode levar a um protofascista ao segundo turno, e quiçá, ao Palácio do Planalto.

13 de junho, Bruno Lima Rocha
No texto abaixo, realizo três comentários rápidos a respeito desta situação inusitada, onde a democracia indireta, liberal, representativa e delegativa no Brasil pós-golpe coxinha pode levar a um protofascista ao segundo turno, e quiçá, ao Palácio do Planalto.
Primeiro comentário, o fator Bolsonaro
Como quase todos do ramo fui chamado a opinar sobre a pesquisa do Datafolha lançada no final de semana de 09 e 10 de junho. Desta derivaram alguns números e outras reflexões. Como dos números tanto eu já falei em certos veículos de comunicação do Rio Grande do Sul, assim como dezenas de colegas, me atenho às reflexões.
A primeira é mais óbvia: estamos diante de um fenômeno eleitoral protofascista ou neofascista chamado Jair Bolsonaro. O capitão de artilharia da reserva do Exército, deputado federal hoje no PSL-RJ, além de ter feito das redes sociais a antessala do manicômio judiciário e haver eleito sua prole de machos supostamente alfas (isso até terem de debater ao vivo na TV), não tem estrutura político-partidária, carece de base social concreta de apoio e caso seja eleito, a probabilidade de uma convulsão social, concomitante a um colapso econômico e a convocatória de uma constituinte exclusiva com a intervenção do estamento togado é enorme. Ou seja, mesmo as agrupações à esquerda da esquerda que não estão no jogo eleitoral, acabam estando no anti-jogo, diante da possível presença de um discurso de corte fascistoide, misógino, racista, homofobico, a favor da violência policial, condescendente com execuções extra-judiciais e para culminar, entreguista e pró-EUA. Jair Bolsonaro é todo o chorume ao mesmo tempo agora, e pode polarizar o pleito brasileiro.
Não se trata de alarmismo, mas sim de alerta. Proporcionalmente a Ação Integralista Brasileira (AIB) e os "galinhas verdes" de Plínio Salgado seriam mais complicados, com razoável inserção social e penetração no aparelho de Estado do governo pós-34 até 1938. Mas, o problema maior dos apoiadores de Bolsonaro é sua dispersão através do comportamento enfermo nas redes sociais e o limite da racionalidade como a confirmação de identidades sociais de tipo pós-colonial, com toda a carga genocida e de extermínio que isso pode significar. Mesmo bufão e manipulando bases patológicas, Bolsonaro está na disputa e não há como negar a possibilidade absurda deste protofascista chegar ao segundo turno.

Segundo comentário, o efeito Temer
A segunda reflexão é o fator Michel Temer. Toda correlação com este governo, que hoje bate 82% de rejeição, ultrapassando o governo Sarney e Collor nos seus piores momentos, reflete a afirmação do Brasil em Transe. Todo governo eleito em democracia liberal tem um grau elevado de frustração e não realização dos atos prometidos. O sistema liberal é paradoxal. Feito por e para a burguesia ascendente nas ilhas britânicas após a "Revolução Gloriosa", foi estruturado para um governo de classe - burguesia nacional, quando esta ainda existia em sua forma predominante - e desenvolveu suas instituições para a projeção de poder da potência ultramarina.
Ainda assim, com os votos de massas e a expansão dos direitos políticos, os processos legítimos de escolha do governo - não do exercício pleno dos poderes no capitalismo ou em sua etapa atual, talvez de transição para outro modelo de domínio e exclusão - tendem a acalmar a maioria. Enfim, justificando que a escolha foi justa, dura mais tempo a perda de capital político quando a maioria se dá conta que o governo não exerce o Bom Governo e não provê o Bem Comum mas sim as vantagens para setores de sempre, e com uma postura com maior ou menor subordinação dentro do Sistema Internacional. Temer junta o pior dos mundos e quem grudar seu nome como candidato ou candidata ao período MT verá sua campanha transformada em fiasco. Usando a mesóclise de costume, Meirelles afundar-se-á na corrida eleitoral assim como ele e Pedro Pullen Parente deixaram o país na bancarrota.

Terceiro comentário, o efeito MT ampliado
Ainda no efeito MT, as chances do tucanato são pequenas com Geraldo Alckmin, mas muito diminutas se o ex-ministro da Fazenda de Temer, ex-CEO da J&F e ex-presidente do Banco Central nos dois governos de Lula, Henrique Meirelles, insistir em concorrer como cabeça de chapa. Caso isto ocorra, os preciosos minutos da campanha expressa - apenas 45 dias - serão atirados ao léu, fortalecendo ainda mais a máquina política que conseguir operar a partir da internet. Hoje, o MDB em escala nacional seria mais prudente - para seus próprios interesses e, logicamente, para a mazela do país - se ficasse escondido em uma grande aliança de "centro" (ou seja, de direita envergonhada) e fortalecesse uma candidatura leal aos capitais paulistas, como seria uma chapa Marina e Alckmin.
Já a capacidade de transferência de votos e reputação dos tucanos foi corroída pelo efeito Aécio Neves, ainda que o senador pelas Gerais tenha sido devidamente fritado pelo diretório paulista, especificamente pelos "correligionários" de Serra e cia. FHC de sua parte, parece insistir em triturar a candidatura de Geraldo - sim, acreditem, o médico de Pindamonhangaba já usou o primeiro nome em 2006 - e buscar saídas midiáticas, como o do já ex-prefeito e arrivista político João Dória Jr ou o apresentador de TV Luciano Huck. Surpreende que as baterias da Força Tarefa começaram a vazar emails e comunicações privadas de Fernando Henrique Cardoso, dando a crer que a relação entre o estamento togado e o Principado de Higienópolis já não opera como antes, nos idos de 2014 até o ano passado, quando da aventura de Joesley Batista e o grampo do presidente que disse "para manter isso aí, viu". Será que o defensor explícito do desgoverno Michel Temer, o jornalista também vazado pela Lava-Jato, Reinaldo Azevedo, está certo ao afirmar que os lavajateiros e adjacências defendem a candidatura de Bolsonaro para assim poderem usufruir de mais e mais prerrogativas considerando que seu hipotético governo provavelmente mal comece e sequer termine?

brazil/guyana/suriname/fguiana / economia / opinião / análise Monday May 28, 2018 10:00 byBrunoL

A paralisação e greve dos caminhoneiros deixou a nação estática. Iniciada na segunda dia 21 de maio, atravessou quatro dias até que na noite de 5ª, 24 de maio, o governo Temer teria “negociado” com “representantes” dos caminhoneiros. Vivemos o avesso do avesso. Quem assinou o “acordo” de 5ª à noite foi considerado pelo governo ilegítimo como sendo os “trabalhadores do transporte rodoviário”.

27 de maio de 2018, Bruno Lima Rocha
A paralisação e greve dos caminhoneiros deixou a nação estática. Iniciada na segunda dia 21 de maio, atravessou quatro dias até que na noite de 5ª, 24 de maio, o governo Temer teria “negociado” com “representantes” dos caminhoneiros. Vivemos o avesso do avesso. Quem assinou o “acordo” de 5ª à noite foi considerado pelo governo ilegítimo como sendo os “trabalhadores do transporte rodoviário”. Logo na sexta dia 25 de maio, a paralisação continuava, até porque no meio da reunião de 24 de maio, o presidente da Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCAM) se retirou. Evidentemente que as reivindicações mais óbvias não estavam sendo atendidas. Sem a previsibilidade mínima, não há como seguir rodando “ganhando” bruto R$ 1,20 o quilômetro. Quanto à redução definitiva do valor dos derivados de petróleo, diesel, gasolina e querosene, nada feito porque além dos 10% a menos no preço da refinaria, a diretoria da Petrobrás não se compromete com mais nada. Trata-se de outro capítulo da crise, a dependência do modal rodoviário e a subordinação da Petrobrás às determinações dos especuladores paralisaram o Brasil.
Vale observar, novamente, o fenômeno. Os dados coletados foram vários, e nos dias durante a greve e paralisação, a trama do transporte foi verificada. A terceira semana de maio de 2018 viu-se diante de um fato. O país roda a diesel e os preços praticados pela Petrobrás levaram algumas categorias de transportadores ao desespero. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN), rodam no país 2,7 milhões de caminhoneiros. Deste total, os chamados caminhoneiros autônomos são proprietários de cerca de 70% da frota e os demais, 30%, pertencem a empresas de logística e outros setores. De acordo com o Cadastro Geral de Emprego (CAGED) trabalham nas transportadoras 360 mil motoristas de carga, enquanto os autônomos são 1,8. Tal condição aproxima a maioria dos caminhoneiros de algumas reivindicações das empresas do setor, mas essa é uma aproximação. Os interesses não são os mesmos e menos ainda as representações.
Vale repetir. O governo ilegítimo tratou de “negociação” quem estava fazendo locaute e depois compôs com as emissoras de TV e conglomerados de mídia a “grande narrativa”. Houve locaute e segue havendo! A alegação é do núcleo duro de MT. E quem seriam os operadores máximos do locaute? Justo os autônomos, que trabalham por conta ou como locatários de donos de caminhões. O discurso de “minoria radical” não colou nada bem e a revolta se somou com a necessidade da luta. O apoio popular para a causa, não baixou, de jeito algum. Os dias seguintes foram intensos: sexta dia 25, sábado 26, domingo 27 de maio; e a pressão continuou. É necessário reafirmar. Em Brasília, as duas entidades presentes na reunião do dia 24 de maio, no Palácio do Planalto, onde teriam chegado a algum tipo de acordo, não representavam a maioria dos caminhoneiros autônomos. É como se o “representante não representasse”. O mesmo pode-se afirmar quanto à Petrobrás. Sua diretoria indicada após o golpe parlamentar que levou Michel Temer ao Poder Executivo não representa nem os interesses do país e, menos ainda, tem o respaldo dos trabalhadores do setor.
Não resta sombra de dúvida. A primeira reação de Pedro Parente já merecia a demissão sumária e imediata dele e de toda sua diretoria. Depois, em rede nacional, outra pérola do entreguismo a favor dos especuladores.
“Nosso objetivo é gerar valor para os acionistas no médio e no longo prazo”, afirmou o presidente da Petrobrás, Pedro Parente, ao vivo, no Jornal Nacional, de 24 de maio.
Parente opera contra os interesses do país. Correu o país o texto da Associação de Engenheiros da Petrobrás (AEPET) e é necessária a sua repetição: A partir de outubro de 2016, passou a praticar preços mais altos para os combustíveis, viabilizando a importação de derivado. Com isso, a Petrobras perdeu mercado e a capacidade ociosa das refinarias saltou para 25%. Com menos refino, explodiram as exportações de óleo cru e as importações de derivados. O maior beneficiado foram os Estados Unidos: enquanto as importações de diesel se multiplicaram por 1,8 desde 2015, a importação de diesel dos EUA dos EUA aumentou 3,6 vezes. Passou de 41% em 2015 para 80% do total de importados pelo Brasil, ao mesmo tempo em que a Petrobras abria mão da refinaria de Pasadena. Os grandes ganhadores foram os “traders” internacionais, dentre as quais o maior é a Trafigura, a gigante que montou o maior esquema de corrupção da história de Angola, estava envolvido até o pescoço com os escândalos da Petrobrás e foi surpreendentemente liberada pelos procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro.
Cabe perguntar, porque a Federação Única dos Petroleiros (a FUP) e mesmo os setores dissidentes à esquerda desta entidade, não coordenaram esforços para lançar uma campanha em defesa da Petrobrás, da composição nacional de preços e não subordinada aos especuladores transnacionais (os chamados traders). Seria o momento perfeito para tentar uma greve de trabalhadores do setor de óleo e gás, visando à retomada do controle nacional sobre o setor mais importante do país.
A falta de alianças políticas no nível social é proporcional ao abandono do trabalho na base da sociedade complexa que se formou no período do boom econômico, fomentado tanto pelo auge das commodities como pela dominação do capitalismo pós-fordista no regime de extração de mais valia coletiva e acumulação flexível. A identificação imediata dos caminhoneiros autônomos é com motoristas de vans – como os transportadores escolares – motoboys, taxistas e até condutores de aplicativos. A sociedade brasileira tem uma complexidade nas relações econômico-produtivas e o sindicalismo verticalizado sozinho já não dá conta da organização do mundo do trabalho.
Mesmo com todas estas dificuldades somadas à confusão e o oportunismo ideológico da tentativa de captura pela extrema direita da justa luta dos caminhoneiros autônomos, o momento é de mais crise para o governo ilegítimo, aproximando o debate de necessidade de projeto de país e defesa incondicional dos interesses da maioria do povo brasileiro. A legitimidade dos grupos de mídia também se fragiliza nesta semana de paralisação de caminhoneiros, pois a partir de 6ª dia 25 de maio, começaram a fazer o infame esforço de criminalizar a luta e acusar de locaute justamente quem trabalha por conta.
É o momento ideal para popularizar o tema da defesa da Petrobrás pública e a serviço da soberania popular. Razões para esta luta não faltam, embora sejamos bombardeados, 24 horas por dia, com mentiras em relação ao Petróleo e o Pré-Sal.
Bruno Lima Rocha é vice-coordenador do Grupo de Pesquisa Capital e Estado, pós-doutorando em economia política, doutor e mestre em ciência política, professor de relações internacionais e jornalismo (https://estrategiaeanaliseblog.com/ blimarocha@gmail.com / canal no Telegram t.me/estrategiaeanalise)

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