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brazil/guyana/suriname/fguiana / imperialismo / guerra / opinião / análise Sunday October 18, 2020 07:51 byBrunoL

No início deste século, quando da conjunção de governos social-democratas e nacional-desenvolvimentistas fomentados pela Venezuela chavista e Aliança Bolivarian (ALBA), nossos países experimentaram um momento superior de aproximação e conjunção. De novo, longe estávamos de formar exércitos populares, como o republicano liberal-radical que enfrentou a invasão gringa, a ditadura de Santa Anna, fizeram a Guerra da Reforma e expulsaram os invasores franceses, mas era um passo relevante, em especial para os estamentos que formam a espinha dorsal das instituições castrenses. Neste sentido e com todos os “senões” a Escola de Defesa Sul Americana (EDSA) foi um dos passos mais audaciosos de integração regional na área de Defesa e Segurança já realizados.

Por Pedro Guedes e Bruno Lima Rocha, ilustração de Rafael Costa

Existe uma polêmica, dilema de profundidade, debatendo qual o papel, quais os papéis das Forças Armadas na América Latina. Um conceito demonstrado nas décadas de ’60 e ’70 do século XX dizia que “nenhuma força reacionária é anti-imperialista”. No auge do realismo regional, a Guerra das Malvinas demonstrou cabalmente essa hipótese. Na América Central, havia dois caminhos. Um, mais formal, o Exército era transformado em Guarda Nacional operando como defesa interna, ou a manutenção da ordem. Outro, menos cínico, era Guarda Nacional de Somoza, da dinastia dos três somozas, varridos para o lixo com a Revolução Nicaraguense.

Outro problema grave é o nacionalismo, ou a falta deste, ou a noção do que seria um “nacionalismo latino-americano”. Nosso continente tem uma dimensão profunda, de povos originários, territórios resistentes de matrizes afro-americanas, lutas sem trégua de uma pobreza miscigenada e que a modernização não incorporou em definitivo. Por outro lado, nossos países têm, em maior ou menor grau – e o Brasil em elevadíssimo grau – uma noção de “nacionalismo” onde a nação não é o espelho do povo, dos povos dos brasis, mas sim um espelho retorcido de uma elite reacionária, patética, colonizada e submissa. É nojento mesmo, incluindo o alto escalão das forças armadas, cuja versão mais “sincera” é a nata dos milicos de Pinochet, que acabaram com a infraestrutura independente do país e o deixaram empobrecido e totalmente incorporado às redes transnacionais do eixo do Pacífico, capitais asiáticos incluídos.

No início deste século, quando da conjunção de governos social-democratas e nacional-desenvolvimentistas fomentados pela Venezuela chavista e Aliança Bolivarian (ALBA), nossos países experimentaram um momento superior de aproximação e conjunção. De novo, longe estávamos de formar exércitos populares, como o republicano liberal-radical que enfrentou a invasão gringa, a ditadura de Santa Anna, fizeram a Guerra da Reforma e expulsaram os invasores franceses, mas era um passo relevante, em especial para os estamentos que formam a espinha dorsal das instituições castrenses. Neste sentido e com todos os “senões” a Escola de Defesa Sul Americana (EDSA) foi um dos passos mais audaciosos de integração regional na área de Defesa e Segurança já realizados.
Sua criação adveio da necessidade de coordenar esforços de defesa em âmbito regional na América do Sul. É da lógica, se os Estados Maiores das forças armadas fomentam e insuflam competições regionais (como Brasil X Argentina; Chile X Argentina; Peru X Chile, Bolíva X Paraguai; Peru X Equador; Venezuela X Colômbia, Venezuela X República da Guiana), a mentalidade de competição no mesmo bloco continental chega a um nível de tensões como o já vivido na década de ’70 (na disputa argentina e chilena), ou nos anos de ’90 (com peruanos e equatorianos declarando guerra). Ainda que o subcontinente seja uma região considerada pacifica, se comparada com outras regiões do ponto de vista geopolítico, possui problemas e gargalos, como narcotráfico, políticas de modernização que não ensejem corridas armamentistas e a criação de políticas de segurança regional que se encaixem nas peculiaridades da região. Logo, se em última análise a Escola ampliasse visões anti-imperialistas deixando de priorizar as agendas securitárias do Comando Sul do Império dos EUA já significaria um considerável avanço.

A EDSA foi criada tendo estes problemas em mente. A princípio, este órgão seria o espaço onde militares dos países membros completariam seus estudos, objetivando responder a essas questões, com o mínimo de ingerência ou doutrinação de países externos à realidade e especificidades da América do Sul[1]. Ainda, esta Escola Militar serviria como fórum de discussão de políticas conjuntas de defesa entre os países membros, dentro do âmbito do Conselho de Defesa da UNASUL (Consejo de Defensa Suramericano em espanhol, sigla:CDS)[2]. Logo, em se mantendo a União das Nações do Sul e garantindo a coexistência da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) e a projeção maior, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a Escola seria uma anti-Escola das Américas, um intento de contrapor a permanente influência dos gringos e potências com tradição imperialista nas fileiras de oficiais das forças armadas de nosso Continente. É importante compreender que quanto mais integradas, menor o risco de cair em manipulações da CIA, DEA, FBI, NSA e outras ingerências clássicas dos Estados Unidos em nossas sociedades.

Como explicamos acima, mesmo que sem maiores conflitos desde a Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870[3], a América do Sul experimentou uma série de conflitos militares ao longo do Século XX. Ainda que a maioria destas conflagrações seja de caráter fronteiriço, como a Guerra do Chaco, de 1932 a 1935 e mais recentemente a Guerra de Cenepa, de 1995[4], houve ainda um enfrentamento armado envolvendo um país sul americano ante uma potência imperialista europeia. Esse conflito, ocorrido entre abril e junho de 1982, foi a Guerra das Malvinas/Falklands, opondo a Argentina ao Reino Unido[5]. Pela lógica da UNASUL-ALBA-CELAC, um conflito como o das Malvinas não seria deflagrado sem o aval dos demais países membros e menos ainda toleraríamos mais ditaduras militares como a Junta Militar que promovera um genocídio contra a própria população.

Somadas a essas experiências, o narcotráfico nos anos 90 mostrou-se um problema complexo e quase insuperável para os países da região, culminando na intervenção estadunidense na Colômbia nos anos 90[6], por meio de seu plano de suporte e equipamento ao governo local .Ainda temos relacionado a esse problema, a falência do estado peruano, na mesma década, acossado pelo auto golpe dado pelo presidente Fujimori[7]. A dinâmica securitária imposta pelo Plano Colômbia é muito preocupante; a intenção dos gringos era a de inversão de envio de recursos – do varejo do tráfico para o país dos carteis de Medellín, Cali e Norte do Valle; para, empréstimos dos gringos que alteram a lógica da soberania nacional colombiana. Logo, um trabalho coordenado entre agências latino-americanas sem passar pelo comando e a “colaboração” das agências imperialistas seria um triunfo no sentido de maior autonomia e menos dependência.

A partir desse panorama, agravado pelo escândalo da espionagem realizada pela NSA (National Security Agency), em 2013, a diplomacia brasileira trabalhou para que a União de Nações Sul Americanas (UNASUL) incorporasse em seu conjunto de objetivos, cuidar da formação dos quadros militares do alto oficialato dos países membros[8]. Como resultado, foi criada a EDSA, dentro do guarda chuva organizacional do Conselho de Defesa da UNASUL, em 2015[9]. Como é observável, a Escola durou pouco e chegou tarde, já na virada da correlação de forças, com a social-democracia perdendo espaço no Brasil e na Argentina e com a eleição do Equador se aproximando da traição que adveio.

Em termos de articulação diplomática, o Itamaraty operou bem. A fim de evitar críticas de busca pela hegemonia dentro da UNASUL, o que afastaria a maior parte dos membros do órgão, e como prova de boa fé, o Brasil apoiou a escolha da cidade de Quito, no Equador para ser a sede de ambos o Conselho de Defesa e da Escola de Defesa Sul americana[10]. Para o Brasil, a EDSA teria como finalidade, além dos objetivos citados, permitir uma instrução “limpa” de seus oficiais de alta graduação (de majores até generais).

Limpa de influências organizacionais, políticas e “ideológicas” que advém em grande medida dos estudos realizados por esses oficiais em lugares como a Escola Superior de Guerra, local marcadamente afeito a ideias de submissão geoestratégica e ideológica aos EUA[11]. Como resultado do comportamento anti-integracional das Forças Armadas Brasileiras, que enxergavam (e enxergam) com desdém e hostilidade a UNASUL e seus órgãos de defesa (CDS e EDSA), aliado a uma fobia exagerada a políticas consideradas “bolivarianas”, teceram pesadas e infundadas críticas à EDSA e a UNASUL como um todo[12]. Enquanto avançava a passo de ganso a conspiração da alta cúpula militar rumo às ameaças de golpe pelo Twitter e cresciam tanto a “nova direita” como a “extrema direita”, a diplomacia brasileira corria em paralelo no sentido da EDSA. Faltou inteligência no governo que estava por ser deposto.

Após o golpe com apelido de impeachment de Dilma Rousseff (politicamente orquestrado, com base jurídica frágil) em abril de 2016, o país iniciou um processo de afastamento e desidratação das organizações da UNASUL, afetando inclusive, a EDSA[13]. Em abril de 2019, o Brasil, juntamente com Argentina, Colômbia, Equador se retiraram definitivamente da organização sul-americana, marcando o fracasso do processo de integração e transformando a UNASUL em um diminuto bloco, contendo hoje a Venezuela, Suriname e Guiana, com o Peru tendo suspendido sua participação e a Bolívia tendo iniciado as tratativas de saída em novembro do mesmo ano[14].

O abandono da EDSA pelo Brasil e outros dos antigos membros da UNASUL relegou a Escola Militar Sul-americana a um ostracismo institucional gigantesco. Hoje, há apenas um curso ministrado pela Escola Superior de Guerra, datado de 2017[15]. Sem informações de atualização curricular ou se ainda é ministrado[16]. Ainda, o site oficial da EDSA não funciona, oque contrasta com o abandono dessa entidade pelos ex e atuais membros[17].

Com o estabelecimento de parcerias de Colômbia e Brasil com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 2018 e 2019 [18,19] respectivamente, o continente caminha para um maior afastamento dos mecanismos de integração regional, seja politicamente ou em defesa e segurança. A escolha das elites políticas e militares sul americanas por uma organização militar internacional tendo no próprio continente mecanismos semelhantes, com o bônus de não contar com a imposição neocolonial de uma liderança estrangeira, demonstra que a independência em âmbito internacional não é uma prioridade.

Novamente o componente “ideológico” – o da subserviência e não o da independência e autonomia -, somado aos distúrbios políticos causados por grupos e partidos alinhados a direita e extrema direita política em Brasil (a partir de 2015) e Bolívia (com o golpe de 2019), alinhados com governos convenientes com o desmonte das políticas de integração, como na Argentina (Governo Macri) e Colômbia (sucessivamente desde o Plano Colômbia, mas com ênfase após o governo do paramilitar e narcotraficante Álvaro Uribe Vélez e seus herdeiros políticos) solaparam mais uma vez os esforços políticos pela integração e a construção de um ambiente securitário mais propenso à integração latino-americana, o anti-imperialismo e autodeterminação de nossos países.

Definitivamente é o momento para que de uma vez por todas o conjunto das esquerdas deste Continente compreenda que não há “neutralidade” no tema das forças armadas e não basta deixa-las intactas como fizemos no Brasil por 30 anos de democracia liberal. A tradição castrense em nossos países é, majoritariamente, colonialista, pós-colonial e submissa. O complexo de vira-latas, comandando regimentos e organizações militares, é sempre danoso e como tal deve ser rechaçado. Como sabemos em nosso próprio território, é absurda a ideia de que as forças de Caxias, Eduardo Gomes e Tamandaré vão defender a soberania popular em Palmares e Pindorama. Como nos ensina José Gervasio Artigas, general de homens e mulheres livres, “somente podemos contar com nós mesmos”.

Pedro Guedes é internacionalista e graduando em direito (E-mail pedro_0141@hotmail.com)

Bruno Lima Rocha, é militante socialista libertário e editor dos canais do Estratégia & Análise, a análise política para a esquerda mais à esquerda.
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Rafael Costa é desenhista e cartunista (E-mail- Rafael.martinsdacosta@yahoo.com.br. Instagram- @chargesecartuns)

Bibliografia:
1:https://cienciapolitica.org.br/index.php/system/files/documentos/eventos/2017/04/conselho-defesa-sul-americano-cds-balanco-e-perspectivas-714.pdf pág.09.
2:https://nuso.org/articulo/o-brasil-e-a-criacao-do-conselho-de-defesa-sul-americano-uma-convergencia-de-vantagens/
3:https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quais-foram-as-principais-guerras-entre-paises-da-america-do-sul/
4: https://noticias.r7.com/internacional/ultimo-confronto-militar-entre-sul-americanos-foi-ha-24-anos-23022019
5: https://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-guerra-das-malvinas
6: https://diplomatique.org.br/nas-fronteiras-do-plano-colombia/
7: http://almanaque.folha.uol.com.br/mundo_07abr1992.htm
8: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/04/150417_escola_defesa_unasul_mc
9:https://www.congresso2019.fomerco.com.br/resources/anais/9/fomerco2019/1568848319_ARQUIVO_548dd6afcd1e9e726d05136f23fbd025.pdf
10: https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/noticias/ultimas-noticias/07-06-2013-defesa-brasil-apoia-proposta-de-criacao-da-escola-de-defesa-sul-america...morim
11:https://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,escola-de-defesa--sul-americana,1721200
12:
13:https://gedes-unesp.org/suspensao-da-participacao-na-unasul-reflexos-sobre-a-seguranca-e-a-defesa-regional/
14:https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-04/brasil-formaliza-saida-da-unasul-para-integrar-prosul
15:https://www.esg.br/cursos-regulares/cad-sul
16:https://www.esg.br/cursos-regulares/cad-sul
17: http://www.unasursg.org/es/consejo-defensa-suramericano-unasur/
18:https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2019-08/estados-unidos-designam-oficialmente-brasil-como-aliado-extra-otan
19:https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/05/colombia-e-aceita-na-otan-e-se-torna-o-1o-pais-da-america-latina-na-alianca.shtml

brazil/guyana/suriname/fguiana / imperialismo / guerra / opinião / análise Thursday October 08, 2020 04:50 byBrunoL

Mais uma vez, infelizmente, o Brasil fez, na figura do presidente Jair Bolsonaro, um papel ridículo, colonizado e subalterno. Não contente com isso, ainda flertou com a apostasia. Neste artigo abordamos o tenebroso pronunciamento daquele que governa o país, mas se submete, até psicologicamente, aos desígnios do empresário picareta e presidente dos EUA, Donald Trump.

Por Bruno Beaklini (Bruno Lima Rocha Beaklini) e ilustração de Rafael Costa
Mais uma vez, infelizmente, o Brasil fez, na figura do presidente Jair Bolsonaro, um papel ridículo, colonizado e subalterno. Não contente com isso, ainda flertou com a apostasia. Neste artigo abordamos o tenebroso pronunciamento daquele que governa o país, mas se submete, até psicologicamente, aos desígnios do empresário picareta e presidente dos EUA, Donald Trump.
Vejamos. Na terça-feira, 22 de setembro, em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (em formato virtual), o chefe do Poder Executivo nacional pronunciou um discurso recheado de mentiras (ver na íntegra nesse link: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/09/22/leia-a-integra-do-discurso-de-bolsonaro-na-assembleia-geral-da-onu.htm) e potencialmente perigoso, no que diz respeito ao Oriente Médio. Especificamente vamos nos ater a este aspecto, exemplificando com trechos do discurso e comentários.
“Faço um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia. Também quero reafirmar minha solidariedade e apoio ao povo do Líbano pelas recentes adversidades sofridas.”
O presidente mentiroso, Jair Bolsonaro, citou a tragédia (acidente e negligência, eu diria) do Líbano em seu discurso e o fez logo na sequência da absurda alusão de que o planeta viveria uma onda de “cristofobia”. Ao não se referir à terra dos cedros como um país árabe, a alusão é evidente. A defesa das comunidades “cristãs” libanesas – maronitas, ortodoxas, melquitas e antioquinas como sendo um “bastião do Ocidente”, obviamente ao lado de Israel, fiel representante dos cruzados, mas agindo com seus próprios interesses. Como é de se esperar, trata-se de mais desinformação e propaganda chauvinista.
Indo nas raízes no Movimento Nacional Árabe é central o papel de jovens militantes oriundos de famílias de credo e organização social cristã do oriente. Ao contrário da disputa por adeptos, como nos países ocidentalizados, as comunidades são autocentradas e a ausência de uma sociedade civil “clássica” não permite facilmente a conversão. Logo, não se trata de defesa de sistemas de crenças, operando o pertencimento mais como identidade do que religiosidade.
Já a defesa da cristandade é uma blasfêmia profanadora da herança do Jesus histórico, e do papel fundamental que a Teologia da Libertação e a Teologia da Missão Integral, o movimento de Fé e Política e do ecumenismo radical têm para as lutas populares da América Latina. No Mundo Árabe, a afirmação é absurda, considerando também o elevado grau de perseguição que Israel promove contra a população palestina cristã (mais de 13% dos que residem nos Territórios Ocupados de 1948 e de 1967).
Em termos de alinhamento, ao afirmar que “é preciso combater a cristofobia”, automaticamente Bolsonaro se perfila com a direita pentecostal do cinturão bíblico dos EUA. Não bastasse se referenciar a Donald Trump em pleno discurso, o presidente do Brasil se coloca como defensor dos maiores financiadores dos assentamentos ilegais. Considerando que os Estados Unidos estão em plena corrida eleitoral e que o mandatário da Casa Branca pode perder o pleito, trata-se de, no mínimo, uma temeridade por parte da diplomacia brasileira.
O problema da alegação de “combater a cristofobia” no planeta coloca a luta dos povos em escala de cruzada reacionária, excrescência do pacto neoconservador e entre os tele evangelistas (pacto neocon-telecon de início dos anos ’90, reeditando as duas cruzadas conservadoras de Nixon e Reagan), e coloca o Brasil na periferia de um conflito que, definitivamente, não nos diz respeito. Ao citar no discurso “O Brasil está preocupado e repudia o terrorismo em todo o mundo” ao que necessariamente ele se refere? Ao terrorismo de Estado e apartheid israelense? Estaria denunciando as redes de inteligência dos Emirados e sauditas financiando células salafistas, muitas delas compostas por presidiários que permutam suas penas por engajamento no estrangeiro? Evidente que não.
Ou o discurso de “combate ao terrorismo” é apenas um prolongamento da chamada “Guerra ao terror” (GWOT na sigla em inglês), dando autorização tácita aos Estados Unidos para promoverem operações em todo o planeta? Se for isso então, na prática, Bolsonaro e seus assessores diretos apoiam a realização de ataques com aeronaves não tripuladas assassinando centenas de pessoas? Para quem estuda a política doméstica dos Estados Unidos, fica óbvia a correlação. A extrema direita do Partido Republicano, entre maluquices manipuladoras e o cinturão bíblico, tende a apoiar incondicionalmente as guerras dos EUA, incluindo as duas invasões ao Iraque e a do Afeganistão.
Na guerra narrativa tudo estaria justificado em termos de mentiras massificadas, alegando que se trata de “combater a cristofobia” em todos os níveis. Na prática é uma posição pró-EUA, alimentando a direita bíblica apoiadora do sionismo e a anexação da Cisjordânia e o cerco à Gaza, que resulta na versão mais recente de posições anti-árabes e islamofóbicas. Deste modo, o protofascista aliado de fariseus sonegadores repete conspirações “globalistas” e se posiciona em controversas posições “conspirativas”, sem base analítica alguma.
Ao contrário do que afirmou, “O Brasil é um país cristão e conservador”, nosso país é pluriétnico (sendo mais de 16 de milhões de pessoas árabe-brasileiras), com diversidade de gênero, de maioria afro-brasileira e pertence à América Latina e ao Sul Global. Não é a primeira vez que ouvimos uma estupidez neocolonial da boca do presidente e, pelo visto, está longe de ser a última.
Além da subserviência e o elogio da apostasia (islamofóbica), a fala de Jair Messias atende a um público interno – composto de fariseus sonegadores à frente de empresas de exploração da fé alheia –, bem como se coloca de forma igualmente subalterna ao gabinete do premiê israelense, Bejamin Netanyahu e seus comparsas criminosos da “guerra de 2012 e 2014”, incluindo o famigerado general Benny Gantz. O argumento da “cristofobia” é a ausência de política externa soberana, apenas copiando a justificativa doméstica de Donald Trump para promover sua política agressiva e beligerante.
É evidente que, se fosse ler um texto como esse, Bolsonaro entenderia pouco ou nada, ainda que, com petulância, discordasse de tudo. Como o Itamaraty tem excelentes quadros de carreira, suponho que existam boas almas para explicar ao presidente que o mundo é mais complexo do que a varanda de sua casa no condomínio. Também deveriam se esforçar para que o país cometa menos vexames internacionais e juras de obediência colonial a cada vez que o presidente ou seu chanceler se pronunciam.
Bruno Beaklini (Bruno Lima Rocha Beaklini), é militante socialista libertário de origem árabe-brasileira e editor dos canais do Estratégia & Análise, a análise política para a esquerda mais à esquerda.
Rafael Costa apoia a Causa Palestina, é desenhista e cartunista (E-mail- Rafael.martinsdacosta@yahoo.com.br. Instagram- @chargesecartuns)
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A versão original desse texto foi publicado primeiramente no Monitor do Oriente Médio (monitordooriente.com)

Ως αναρχικοί, υποστηρίζουμε την εργατική επανάσταση σε όλο τον κόσμο και αναλαμβάνουμε ως πρωταρχικό καθήκον μας την καταπολέμηση των καπιταλιστών όπου ζούμε. Εδώ στην Αυστραλία, πρέπει να πολεμήσουμε ενάντια στη στρατιωτική συμμαχία της Αυστραλιανής Κυβέρνησης με τις ΗΠΑ, συμπεριλαμβανομένης της Συνθήκης ANZUS, της ομάδας πληροφοριών 5 Eyes και της βάσης κατασκοπείας στο Pine Gap. Και πρέπει να αγωνιστούμε για να οικοδομήσουμε ένα εργατικό κίνημα που μπορεί να συνδεθεί με την εργατική τάξη σε ολόκληρη την περιοχή για να κάνει επανάσταση ενάντια τόσο στους καπιταλιστές όσο και στο κινεζικό λεγόμενο «Κομμουνιστικό» Κόμμα. Δεν υπάρχει άλλος τρόπος.

Κανένας πόλεμος στην Κίνα

Τα καπιταλιστικά μέσα ενημέρωσης στην Αυστραλία είναι γεμάτα ειδήσεις και απόψεις που έχουν σχεδιαστεί για να δημιουργήσουν φόβο και υποψία για την Κίνα και τη λεγόμενη «κομμουνιστική» κυβέρνηση. Για την προώθηση αυτής της ατζέντας, αναφέρονται πολλές πραγματικές και φερόμενες περιπτώσεις κακής συμπεριφοράς από το Πεκίνο. Αυτό έχει το επιθυμητό αποτέλεσμα. Η κοινή γνώμη στρέφεται εναντίον της Κίνας και δίνει στη Φιλελεύθερη Κυβέρνηση (υποβοηθούμενη από την Εργατική «Αντιπολίτευση») περισσότερο χώρο για να συνταχθεί με τις Ηνωμένες Πολιτείες στους αντι-Κινεζικούς στρατιωτικούς ελιγμούς.

Και εδώ είναι ο σύνδεσμος για τη μεγαλύτερη εικόνα. Οι Ηνωμένες Πολιτείες έχουν υιοθετήσει μια αυξανόμενη αντι-Κινεζική στάση τα τελευταία χρόνια επειδή φοβούνται να χάσουν την παγκόσμια κυριαρχία τους. Οι ΗΠΑ παραμένουν η πιο ισχυρή χώρα σε μεγάλο βαθμό, παρά την υποχώρηση της από τη συντριπτική της υπεροχή στη δεκαετία του 1950 και αντιμετωπίζοντας μια φθίνουσα θέση τις τελευταίες δεκαετίες. Η ΕΣΣΔ κατέρρευσε το 1991. Άλλοι πιθανοί ιμπεριαλιστικοί αντίπαλοι ανήλθαν σε απειλητική θέση, αλλά οι προκλήσεις τους εξαφανίστηκαν.

Το μεγάλο μέγεθος των ΗΠΑ, ο έλεγχός τους στους παγκόσμιους θεσμούς, οι πολυεθνικές εταιρείες και το τεράστιο μίσθωμά τους από την πνευματική ιδιοκτησία ανάγκασαν πρώτα τη Γερμανία, μετά την Ιαπωνία και τέλος την Ευρωπαϊκή Ένωση να παραμείνουν σε μια υποδεέστερη θέση. Η Γερμανία και η Ιαπωνία, που είναι σημαντικά μικρότερες στον πληθυσμό και έχουν κολλήσει σε χαμηλότερο κατά κεφαλήν ΑΕγχΠ, δεν έχουν καμία προοπτική να ξεπεράσουν τις ΗΠΑ. Η ΕΕ, αν και ένα πολλά υποσχόμενο έργο που είχε την απαραίτητη κλίμακα για να ανταγωνιστεί τις ΗΠΑ, έχει πέσει θύμα αδιάλειπτων συγκρούσεων μεταξύ των συστατικών της καπιταλιστικών τάξεων.

Η Κίνα είναι ένα διαφορετικό καζάνι. Με πληθυσμό πάνω από τέσσερις φορές μεγαλύτερο από αυτόν των ΗΠΑ, μπορεί να ξεπεράσει τις Ηνωμένες Πολιτείες χωρίς να γίνει τόσο πλουσιότερη. Ακόμα κι αν το κατά κεφαλήν ΑΕγχΠ της φτάσει το ανώτατο όριο του μισού από αυτό των ΗΠΑ, το συνολικό ΑΕγχΠ της Κίνας θα ήταν υπερδιπλάσιο από τις ΗΠΑ. Εκτός από την άσκηση ισχυρότερης οικονομικής επιρροής στην παγκόσμια οικονομία από ό, τι οι ΗΠΑ, θα μπορούσε να οικοδομήσει έναν ισχυρότερο στρατό με χαμηλότερο μερίδιο του ΑΕΠ αφιερωμένο στην αποπληρωμή του. Τα πλεονεκτήματα που επέτρεψαν στις ΗΠΑ να νικήσουν τους προηγούμενους διεκδικητές ενδέχεται να μην είναι αρκετά για να αποτρέψουν αυτό το σενάριο.

Αυτή η προοπτική, φυσικά, είναι απαράδεκτη για τους καπιταλιστές των ΗΠΑ. Ως αποτέλεσμα, έχουν ενωθεί ενάντια στην Κίνα. Ενώ το Κογκρέσο των ΗΠΑ διχάζεται πικρά κάτω από το καθεστώς του Τραμπ και βρίσκεται σε αδιέξοδο για σχεδόν κάθε άλλη ερώτηση, οι Δημοκρατικοί και οι Ρεπουμπλικάνοι έχουν επανειλημμένα συνδυαστεί για να ψηφίσουν αντι-Κινεζικά ψηφίσματα σχεδόν ομόφωνα. Αυτό δεν είναι μόνο ένα από τα προσωπικά φολκλόρ του Τραμπ.

Είναι απαραίτητο να πάμε λίγο πίσω και να δουμε ολόκληρη τη διεθνή εικόνα. Προκειμένου να διατηρηθεί η παγκόσμια κυριαρχία της, οι ιμπεριαλιστές των ΗΠΑ προσπαθούν να αποτρέψουν την Κίνα να γίνει ανεπτυγμένη χώρα και ο λαός της να αποκτήσει καλύτερο βιοτικό επίπεδο . Το να αναγκάσει την Κίνα να παραμείνει σκόπιμα υπανάπτυκτη, και έτσι να διατηρήσει το μεγαλύτερο μέρος του λαού της σε φτώχεια, θα ήταν έγκλημα συγκλονιστικών διαστάσεων. Είναι ένας στόχος που πιθανότατα θα απαιτούσε πόλεμο. Όλες οι ενέργειες των ΗΠΑ και της Αυστραλίας, καθώς και οι ενέργειες της Κίνας, πρέπει να εξεταστούν από αυτήν την προοπτική.

Τα παράπονα από Αυστραλούς πολιτικούς και τα μέσα ενημέρωσης σχετικά με τη συμπεριφορά της Κίνας έχουν ως επί το πλείστον χωριστεί σε δύο κατηγορίες: καταγγελίες για πραγματικά κακή συμπεριφορά από τους Σταλινικούς του Πεκίνου και καταγγελίες για παραβίαση της διεθνούς τάξης που βασίζεται σε κανόνες. Η καταστολή των Ουιγούρων και των Θιβετιανών πρέπει να είναι τα χειρότερα εγκλήματα του Πεκίνου. Και στις δύο περιπτώσεις το Πεκίνο πλημμυρίζει τον τοπικό πληθυσμό με εθνοτικούς μετανάστες Χαν που έχουν τεράστια προνόμια και δημιουργούν δεσπόζουσες οικονομικές θέσεις. Στην περίπτωση των Ουιγούρων, η καταστολή ισοδυναμεί με απόπειρα πολιτιστικής γενοκτονίας. Ένα κάπως μικρότερο έγκλημα, αν και απόλυτη ντροπή, είναι η καταστολή των πολιτικών ελευθεριών στο Χονγκ Κονγκ. Η παραβίαση του Πεκίνου από τη συμφωνία «μία χώρα, δύο συστήματα» δεν έχει σχεδιαστεί για να ενσωματώσει το Χονγκ Κονγκ στη Λαϊκή Δημοκρατία, αλλά να δώσει στο Χονγκ Κονγκ το χειρότερο και των δύο κόσμων – να συνδυάσει την πολιτική τυραννία του Πεκίνου με τον παράδεισο της ελεύθερης αγοράς των δισεκατομμυριούχων. Στη διαδικασία, φυσικά, εκτοξεύουν κάθε πιθανότητα εθελοντικής επανένωσης με την Ταϊβάν, την επαρχία που διατήρησε η δικτατορία Kuomintang το 1949 και η οποία στη συνέχεια είχε τη δική της πολιτική εξέλιξη.

Οι παραβιάσεις του Πεκίνου της διεθνούς τάξης βάσει κανόνων είναι πιο περίπλοκες. Αυτή η κατάσταση δεν προέκυψε απο το κενό. Εκφράζει τη θεσμοθετημένη δύναμη των Ηνωμένων Πολιτειών, τόσο στους κανόνες όσο και στους μηχανισμούς επιβολής τους. Είναι ιδιαίτερα θλιβερό να βλέπουμε τις ΗΠΑ να διαμαρτύρονται ότι η Κίνα παραβιάζει τη Σύμβαση των Ηνωμένων Εθνών για το Δίκαιο της Θάλασσας με τις οχυρώσεις της στη Θάλασσα της Νότιας Κίνας, δεδομένου ότι οι ΗΠΑ είναι ένα από τα λίγα κράτη που αρνήθηκαν να την υπογράψουν. Η υποτιθέμενη κλοπή πνευματικής ιδιοκτησίας στην Κίνα δεν είναι καθόλου έγκλημα. Η ιδιοκτησία είναι κλοπή και η πνευματική ιδιοκτησία είναι ίσως το χειρότερο είδος κλοπής, δεδομένου ότι είναι η νομική προστασία ενός αφύσικου μονοπωλίου που καταστρέφει τον κόσμο έτσι ώστε οι καπιταλιστές να μπορούν να εισπράττουν ενοίκιο. Τέλος, αν και πολλές από τις υποτιθέμενες κυβερνοεπιθέσεις της Κίνας είναι πραγματικά απαράδεκτες, πρέπει να σκεφτούμε τι δεν μας λένε. Όποιος πιστεύει ότι οι Ηνωμένες Πολιτείες δεν κάνουν το ίδιο, ή χειρότερα, στην Κίνα είναι τόσο αφελής που δεν πρέπει ποτέ να αγοράσουν μεταχειρισμένο αυτοκίνητο. Το Πεκίνο σιωπά απλώς για όλα αυτά, ώστε οι ΗΠΑ να μην ανακαλύψουν πόσα ξέρει το Πεκίνο.

Ωστόσο, ορισμένα παράπονα από τα αυστραλιανά μέσα ενημέρωσης αποκάλυψαν την πραγματική ατζέντα. Η πρωτοβουλία Belt and Road της Κίνας προσελκύει πολλά βόδια από καπιταλιστικούς πολιτικούς και ειδικούς, με πολύ λεπτές αιτιολογήσεις. Και πρόσφατα τα αυστραλιανά μέσα ενημέρωσης δημοσίευσαν αντιρρήσεις για τη βοήθεια της Κίνας σε χώρες του Νότιου Ειρηνικού για την καταπολέμηση του κοροναϊού. Αυτό που διαμαρτύρονται δεν είναι η κακή συμπεριφορά της Κίνας, αλλά η ανάπτυξη της Κίνας και η αυξανόμενη διεθνής εξέχουσα θέση που απολαμβάνει.

Τι πρέπει να κάνουν οι Αναρχικοί;

Η Αναρχική Κομμουνιστική Ομάδα της Μελβούρνης πιστεύει ότι ο στόχος των ΗΠΑ για την πρόληψη της ανάπτυξης της Κίνας είναι αβάσιμος. Οι αναρχικοί αντιτίθενται στην πολεμική κίνηση των ΗΠΑ και στην αντι-Κινεζική εκστρατεία στην οποία συμμετέχει. Στην Αυστραλία, τα μέσα μαζικής ενημέρωσης δαιμονούν τους Κινέζους καπιταλιστές επειδή είναι Κινέζοι και όχι ως καπιταλιστές και οι Αναρχικοί πρέπει να αντιταχθούν σε αυτό. Και ουσιαστικά, πολεμούμε τη συμμετοχή της αυστραλιανής κυβέρνησης στις προκλήσεις των ΗΠΑ εναντίον της Κίνας, όπως οι στρατιωτικές ασκήσεις τους στη Θάλασσα της Νότιας Κίνας.

Υπάρχουν περισσότερα. Σε αντίθεση με τους σταλινικούς (και ορισμένους τροτσκιστές), δεν κατασκευάζουμε δικαιολογίες για τα εγκλήματα του κινεζικού λεγόμενου «κομμουνιστικού» κόμματος. Το MACG παίρνει την πλευρά των λαών των Ουιγούρων και του Θιβέτ στην Κίνα που αγωνίζονται ενάντια στην εθνική σοβινιστική καταστολή του Πεκίνου και οι λαοί του Χονγκ Κονγκ αγωνίζονται ενάντια στην πολιτική τυραννία. Επισημαίνουμε, ωστόσο, ότι ο μόνος δρόμος προς την απελευθέρωση είναι να συμμαχήσουν με την κινεζική εργατική τάξη. Η προσφυγή στον αμερικανικό ιμπεριαλισμό είναι χειρότερη από άχρηστη. Αυτό θα υποστήριζε μόνο την πολεμική κίνηση των ΗΠΑ κατά της Κίνας και θα προκαλούσε τη δική τους καταστροφή στη διαδικασία.

Η κινεζική εργατική τάξη είναι τα κύρια θύματα του κινεζικού λεγόμενου «κομμουνιστικού» κόμματος και έχουν τα περισσότερα να κερδίσουν από την ανατροπή του. Η απελευθέρωσή τους απαιτεί μια σιδερένια δέσμευση για τα δημοκρατικά δικαιώματα και τα δικαιώματα των εθνικών μειονοτήτων. Μόνο οι Κινέζοι εργάτες έχουν τη δυνατότητα να νικήσουν το «Κομμουνιστικό» Κόμμα – και οι μόνοι που έχουν το δικαίωμα να πουν τι θα τους διαδεχθει.

Ως αναρχικοί, υποστηρίζουμε την εργατική επανάσταση σε όλο τον κόσμο και αναλαμβάνουμε ως πρωταρχικό καθήκον μας την καταπολέμηση των καπιταλιστών όπου ζούμε. Εδώ στην Αυστραλία, πρέπει να πολεμήσουμε ενάντια στη στρατιωτική συμμαχία της Αυστραλιανής Κυβέρνησης με τις ΗΠΑ, συμπεριλαμβανομένης της Συνθήκης ANZUS, της ομάδας πληροφοριών 5 Eyes και της βάσης κατασκοπείας στο Pine Gap. Και πρέπει να αγωνιστούμε για να οικοδομήσουμε ένα εργατικό κίνημα που μπορεί να συνδεθεί με την εργατική τάξη σε ολόκληρη την περιοχή για να κάνει επανάσταση ενάντια τόσο στους καπιταλιστές όσο και στο κινεζικό λεγόμενο «Κομμουνιστικό» Κόμμα. Δεν υπάρχει άλλος τρόπος.

ΓΙΑ ΤΗΝ ΕΡΓΑΤΙΚΗ ΕΠΑΝΑΣΤΑΣΗ

Από το The Anvil, Vol. 9 No. 4, ενημερωτικό δελτίο της Αναρχικής Κομμουνιστικής Ομάδας Μελβούρνης: https://melbacg.files.wordpress.com/2020/08/anvil-vol-9-no-4-web.pdf

Μετάφραση: Rebelian για το https://www.alerta.grETWGjtGfEY3yjTmxDDOmqkfAkberTLL1QdT75DHaIlI

brazil/guyana/suriname/fguiana / imperialismo / guerra / opinião / análise Sunday September 13, 2020 04:54 byBrunoL

Essa campanha, de forte teor popular e participação direta – ainda que instrumentalizada pelo trabalhismo do governo eleito de Vargas - deu origem à decisão do Estado Brasileiro em criar a Petrobrás, em 1953[1]. De maneira geral, o entreguismo é caracterizado pela defesa da abdicação do uso dos recursos (naturais ou artificiais) que o país possui em prol do direito de uso destes mesmos recursos por uma potência estrangeira e suas empresas. Tal fenômeno é associado com algumas forças políticas. No período entre o final do Estado Novo e o golpe de 1º de abril de 1964, o partido político caracterizado como o mais entreguista era a União Democrática Nacional (UDN, abril de 1945-outubro de 1965). Dentro da extrema direita militar no período da Guerra Fria antes do golpe, havia um amplo setor Entreguista, meio caricato, para além da geração histórica da Escola Superior de Guerra (ESG).

Setembro de 2020, por Pedro Guedes e Bruno Lima Rocha – ilustração de Rafael Costa

O entreguismo dentro da política brasileira, não é um fenômeno novo, alternando maior ou menor proeminência, ao menos desde 1952, com o debate acalorado resultante da Campanha do Petróleo é Nosso. Essa campanha, de forte teor popular e participação direta – ainda que instrumentalizada pelo trabalhismo do governo eleito de Vargas - deu origem à decisão do Estado Brasileiro em criar a Petrobrás, em 1953[1]. De maneira geral, o entreguismo é caracterizado pela defesa da abdicação do uso dos recursos (naturais ou artificiais) que o país possui em prol do direito de uso destes mesmos recursos por uma potência estrangeira e suas empresas. Tal fenômeno é associado com algumas forças políticas. No período entre o final do Estado Novo e o golpe de 1º de abril de 1964, o partido político caracterizado como o mais entreguista era a União Democrática Nacional (UDN, abril de 1945-outubro de 1965). Dentro da extrema direita militar no período da Guerra Fria antes do golpe, havia um amplo setor Entreguista, meio caricato, para além da geração histórica da Escola Superior de Guerra (ESG).
Essa ideia é baseada na crença de que o Estado Brasileiro não seria capaz de gerenciar de maneira eficiente o uso desses recursos, agindo inclusive de maneira corrupta e patrimonialista [2]. Enquanto a iniciativa privada, mesmo a estrangeira, traria uma racionalidade nova, imaculada dos vícios que seriam exclusividade do Estado brasileiro [3]. O pano de fundo é pior. Para essa laia colonizada, não seriamos capazes de gerir nossos próprios recursos nem buscar as saídas coletivas para a vida contemporânea em sociedade. Parece que, segundo teses antigas como a do geógrafo holandês-estadunidense Nicolas Spykman, reproduzindo falácias do estrategista britânico Halford Mackinder, identificando na origem ibérica dos invasores de Palmares e Pindorama uma espécie de “vício de origem”, “mal interior”. O efeito ideológico desse sentido de crenças em alto nível decisório é proporcional à difusão do “viralatismo sociológico” que abunda no bolo fecal das mentalidades de deformadores de opinião subordinada. No mundo castrense, em parte, essa “tradição” coexiste com outras.
Na história brasileira, a potência estrangeira, com capacidade de produzir consenso dentro das elites brasileiras, e de se beneficiar da consolidação desse pensamento, são os Estados Unidos. No século XIX, a decadência do Império Português gerou uma vinculação dúbia com Lisboa-Coimbra e o Porto. Na sequência, oscilamos entre a pressão da marinha, bancos e indústrias inglesas e a projeção cultural e institucional da França. Na República Velha, a presença franco-inglesa começou a ser rivalizada com a dos Estados Unidos. Na década de 30 do século XX, a Operação Panamericana começa a ter suas influências a ponto de hegemonizar o andar de cima do país. Com base no ideário liberal (oligárquico e colonizado, não a matriz dos antigos liberais exaltados ou democratas radicais, ou do federalismo radical como na tradição artiguista e um pouco na matriz pernambucana) que em suma, defendem uma participação do Estado na economia em patamares mínimos, mesmo em áreas estratégicas, como tecnológica, infraestrutura, energia e defesa, por exemplo. Essas ideias são publicadas e difundidas no segmento civil da sociedade por think thanks, como o Instituto Millenium (ligado à Rede Globo de Televisão) ou o Instituto Mises Brasil [10]. Em termos de processo histórico e formação, há uma espécie de fábula sistematizada, onde não se estudam os passos tomados pelas potências para criarem, por exemplo, seus parques industriais ou então não se leva em conta o Sistema Internacional e a capacidade de criação de excedentes de poder por países que estão na Semiperiferia, ou quase potências, tal é o caso do Brasil.
Dentro dos círculos militares, a penetração dos ideais liberais e antinacionais foi acelerada em três momentos muito distintos. O primeiro foi nos anos subsequentes do início da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. Aqui, alguns dos alto-oficiais que lideraram as tropas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foram ensinados dentro parâmetros do National War College, dos Estados Unidos. Calcados em um nascente anticomunismo, estes militares assimilaram entre outras ideias que a melhor maneira de o Brasil se inserir dentro do Sistema Internacional, era de maneira atrelada aos interesses e objetivos dos EUA. Em 1949, a Escola Superior de Guerra foi criada, sendo o principal bastião dos ideários anticomunistas nas Forças Armadas [4]. Desta forma, reproduzimos na oficialidade a tese da “doutrina de segurança hemisférica” ou da “teoria das fronteiras ideológicas”. A metástase dessas ideias é tamanha que encontra efeito nos discursos do presidente Jair Messias Bolsonaro, incluindo o tétrico e mentiroso discurso do sete de setembro do corrente ano. Vale ressaltar que o processo de incorporação da alta oficialidade brasileira se deu após um período de influência germanófila e até mesmo filo-nazista, além de evidente filiação fascista, tal é o caso do conspirador Olímpio Mourão Filho, operador do autogolpe do Estado Novo em 1937 assim como o de 1º de abril de 1964.
O segundo momento foi durante os estágios iniciais do Golpe Cívico e Militar de 1964. Este período é importante de mencionar por que é aqui onde as linhas nacionalistas mais próximas das ideias progressistas e dos partidos políticos de esquerda dentre os militares de posições médias e altas (de majores a generais) vão ser expurgadas. Aqui, é fortalecida a ideia de que ações de cunho nacionalista, como estatizações, medidas de proteção de mercado, exclusividade do Estado em áreas economicamente sensíveis entre outras medidas, são “comunistas”, devendo assim, serem erradicadas das casernas e da sociedade [6]. O apoio estadunidense ao golpe – a escolha da embaixada dos EUA do primeiro ditador-presidente, o marechal Castelo Branco -, se deu a partir de financiamento dos grupos de oposição ao governo João Goulart, bem como pela promessa de suporte militar aos revoltosos [5].
Contudo, após o governo do marechal Castelo Branco, muitas dessas medidas serão tomadas pelos militares que escantearam os oficiais ideologicamente mais alinhados aos Estados Unidos das posições de poder no Regime Ditatorial Militar [11]. Na década de 1970, muitos destes militares desprestigiados iriam se aglutinar em torno do General Sylvio Frota, tentando derrubar o governo Geisel e a ala nacionalista conservadora do Exército, no que ficou conhecido como “Golpe dentro do Golpe”. Geisel a fim de evitar maior desgaste interno do Regime Ditatorial, demite Frota e isola os elementos do Exército próximos a ele [8]. O recalque da caserna, o “ciúme do poder”, o sentimento de revanche veio à tona. Na queda de braço entre Golbery e Meira Mattos, primeiro ganhou o primeiro e depois o FMI jogou ambos na lona, com a maxidesvalorização do cruzeiro e a derrota do governo Figueiredo. A subordinação se fez absoluta e parece que a meta do Brasil Potência virou um mito a ser reivindicado por viúvos do regime, como o cardiologista e eterno pretenso líder nacionalista da extrema direita, Enéas Carneiro (1938-2007).
O Terceiro momento importante para o entendimento do movimento entreguista nas Forças Armadas é a queda do Governo Dilma Rousseff, em 2016. Durante a crise política que culminou no processo de impeachment de inspiração golpista, o Alto Comando do Exército não apenas se manteve calado frente às movimentações de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), mas agiram para coagir o já frágil governo Dilma (via ameaças de quartelada pelo Twitter) [13] e segundo o áudio do Senador Jucá, agir em conjuntamente com o Supremo Tribunal Federal, a fim de concretizar a sucessão de Dilma com a posse do Vice Presidente, Michel Temer[7]. “Com o Supremo, com tudo”, incluía também uma fragilidade do estamento superior com mentalidade bananisteira, acuado pelas tuitadas do então ainda comandante geral do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas. Diante de uma evidente ofensiva jurídica contra a Petrobrás e visando a desindustrialização do país, generais, brigadeiros e almirantes nada fizeram além de surfar na onda do “anticomunismo” sem Guerra Fria ou na cruzada udenista, mas com uma vertente cada vez mais exibida de defesa de golpe de Estado através da “intervenção militar constitucional” e outras excrescências intelectuais. Na propaganda cibernética da extrema direita anterior ao golpe com apelido de impeachment em abril de 2016, era comum a presença de militares da ativa com declarações de realinhamento aos EUA e à subordinação estratégica ao Comando Sul da Superpotência.
Durante o governo de Temer, um programa calcado na entrega do patrimônio nacional foi colocado em prática, a “Ponte para o Futuro”. Em linhas gerais este programa previa a venda de empresas públicas, a concessão do uso e gerenciamento de estradas, portos, aeroportos entre outras ações. Isso foi feito sob a ideia de que o Estado estaria “inchado”, cheio de empresas públicas ineficientes e que os recursos de valor econômico (minas, portos, aeroportos e jazidas) não estariam sendo utilizados de maneira correta. Neste momento, não houve nenhum uma nota de oposição por parte dos oficiais de alto escalão das Forças Armadas, um contraste com a recente atividade de muitos oficiais militares até então, entre 2016 e 2017. Pela demonstração da via dos fatos, a prioridade não era a defesa da capacidade de desenvolvimento do país e sim fazer coro com a projeção de poder do Comando Sul e nas aventuras securitárias junto ao governo colombiano, ampliando a tensão com a Venezuela e realizando exercícios conjuntos na Amazônia.
Em 2018, um candidato que se apresentava como um “nacionalista”, de ideologia conservadora e entusiasta da ditadura militar se elegia presidente do país, Jair Messias Bolsonaro, pelo Partido Social Liberal (PSL). Como vice na sua chapa, estava o general reformado Hamilton Mourão, de quatro estrelas. Jair Messias foi um “péssimo militar”, segundo relato do ditador-presidente Ernesto Geisel. Foi praticamente expulso do Exército pela tentativa de atentado ocorrido na Praia Vermelha, RJ, na metade de década de ’80 do século XX. Bolsonaro se colocava como um “anti-geisel”. Assim, ele e seu clã estariam dispostos a desmontar todo o legado, como o que restou do parque industrial brasileiro, as linhas gerais de nossa política externa (pragmática, universalista e autônoma) [9]. Na “guerra cultural” que chafurdou o país, o debate em termos internacionais desceu às profundezas da mesquinharia intelectual, e parece que desse lodo não sai fácil. Considerando que em tese as Forças Armadas estariam dedicadas à defesa do país, e não à manutenção e preservação da ordem social injusta e racista.

As semelhanças entre Bolsonaro e o ex-general Sylvio Frota, residem principalmente no uso da força – modernamente na ameaça do uso da força - como meio de controlar o ambiente político[9]. É difícil pensar em como as Forças Armadas se deixaram levar por um ex-militar, apoiado por pentescostais campeões do pecado da usura, especuladores financeiros paraistas e ideólogos de baixíssimo nível, como Olavo de Carvalho. Mas diante da evidência dos fatos e no correr do período já cumprido do desgoverno da extrema-direita, se observamos apenas o alinhamento ideológico entre o Alto Comando das Três Forças e o núcleo do Bolsonarismo, é exatamente isso o que está ocorrendo. Há ainda, o interesse de militares da ativa e reformados em obter cargos na esfera civil e de participar do processo da tomada de decisão do Estado Brasileiro[12]. A relação de prebendas e postos de comandos civis em desvio de função com militares à frente evidenciam que diante da “segurança nacional”, o mais importante é “ser amigo dos amigos”.
A maior presença dos militares no governo Bolsonaro, atuando em todos os escalões da máquina pública explicita o retorno de oficiais militares não apenas ao governo, mas também no ambiente político[14]. Cuidando de articular o apoio ao governo, compor maiorias no Congresso Nacional, distribuir cargos entre os políticos do Centrão são tarefas que demonstram a tentativa da volta das Forças Armadas como um “Poder Moderador” no ambiente político nacional [15].Como se sabe, ao dedicarem-se a fazer política doméstica, não defendem nada e atuma pior ainda na “polititica” cotidiana.
Essa função que os militares tentam trazer para eles hoje remonta a uma tradição de intervenção na arena política que tem origem ao período posterior à Guerra do Paraguai, ou ao Genocídio do País Guarani. Mesmo vitoriosos no conflito – com o apoio explícito da Inglaterra - mas sem a atenção do Governo Imperial, os militares começam a se estruturar como um agente político organizado, que irá proclamar a república em 1889 através de um golpe de Estado; governar de maneira ditatorial até o início da República Velha; atravessar momentos de aventuras redentoras como o tenentismo; co-governar o Estado Novo através de Góis Monteiro e Gaspar Dutra; servir como instrumento de desestabilização permanente entre 1946 até deflagar o Golpe Civil e Militar de 1964[16].
Esperava-se que a Nova República, com a promulgação da Constituição de 1988, com uma elite política minimamente coesa e sociedade civil mais atenta, fossem inibir a volta dos militares a esse dúbio e perigoso papel. Ledo engano, aproveitando-se de uma crise econômica pesada – impulsionada pela péssima escolha do Chicago Boy Joaquim Levy para aplicar o receituário austericida -, descrença na política (através primeiro do pragmatismo dos governos social-democrata e na sequência com a terra arrasada promovida pelo Partido da Lava Jato) e um sentimento de saudosismo da supremacia do poder militar sobre a ordem civil, os militares ensaiam uma atuação cada vez maior na política brasileira. Essa presença se cristaliza na grande quantidade de militares da ativa e milicos reformados trabalhando em ministérios, secretarias, autarquias e empresas estatais.
A presença de tantos militares nos ministérios civis, com destaque no Ministério da Saúde, que liderados pelo general intendente Eduardo Pazuello - ainda como ministro interino -, foram incapazes de esboçar o mínimo. Milhares de milicos em desvio de função com postos civis e não sai uma estratégia minimamente eficaz de apoio aos estados e municípios durante a corrente pandemia de Covid-19! Até o momento de concluir a revisão desse texto, o país já sofria mais de 130 mil mortos pela pandemia e também em função do desgoverno e falta de assistência apropriada. Tamanho descalabro também é o retrato da intervenção não oficial do Exército no governo brasileiro.
A hipocrisia é do tamanho do entreguismo colonial. Essa presença mais ativa dos militares na política brasileira não impediu que a Base de Alcântara, no Maranhão fosse arrendada para os EUA quase que de graça e que a venda e desmembramento da Embraer fossem concretizadas. Tampouco impede o desmonte agressivo sobre a Petrobrás, com a liquidação da BR Distribuidora e a desativação de refinarias. Com oficiais militares profissionais assim, uma potência agressora não teria problema algum em invadir nosso país. Que vergonha.
Pedro Guedes é graduado em Relações Internacionais pela Universidade do vale do Rio dos Sinos. Graduando de direito pela PUC/RS. Sócio da C&G Consultoria e membro do Grupo Capital e Estado. Contato: pedro_0141@hotmail.com

Bruno Lima Rocha é militante socialista libertário e editor dos canais do Estratégia & Análise, a análise política para a esquerda mais à esquerda.
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Rafael Costa é desenhista e cartunista (E-mail- Rafael.martinsdacosta@yahoo.com.br. Instagram- @chargesecartuns)

Fontes Consultadas:
[1]http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/entreguismo
[2]https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi17039808.htm
[3]https://www.institutomillenium.org.br/arminio-fraga-estado-brasileiro-ainda-e-gordo-quebrado-e-ineficiente/
[4]https://www.esg.br/a-esg/historico
[5]https://istoe.com.br/1217_OS+EUA+NO+GOLPE+DE+64/
[6]https://www.bbc.com/portuguese/amp/brasil-46532955
[7] https://theintercept.com/2016/05/23/novo-abalo-politico-no-brasil-e-hora-da-midia-comecar-a-dizer-golpe/
[8]http://memorialdademocracia.com.br/card/geisel-enquadra-rivais-no-exercito
[9]https://www1.folha.uol.com.br/amp/colunas/celso-rocha-de-barros/2018/10/bolsonaro-representa-faccao-das-forcas-armadas-que-ganhou-poder-com-a-tortura...shtml
[10] https://diplomatique.org.br/think-tanks-ultraliberais-e-nova-direita-brasileira/
[11] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/06/ditadura-formou-geracao-de-militares-que-hoje-povoam-governo-bolsonaro.shtml
[12] https://www.conjur.com.br/2020-jul-17/mil-militares-exercem-funcoes-civis-governo-federal
[13]https://www.dw.com/pt-br/militares-n%C3%A3o-mudaram-modo-de-pensar-depois-da-ditadura/a-53679430
[14] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51646346
[15] https://www.conjur.com.br/2020-jul-31/forcas-armadas-nao-sao-poder-moderador-agu-stf
[16] https://revistaforum.com.br/politica/historico-das-verdadeiras-intervencoes-militares-no-brasil/

international / imperialism / war / feature Tuesday September 08, 2020 21:09 byMelbourne Anarchist Communist Group
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As Anarchists, we argue for workers’ revolution across the world and take as our primary duty the fight against the capitalists where we live. Here in Australia, we must fight against the Australian Goverment’s military alliance with the US, including the ANZUS Treaty, the 5 Eyes intelligence group and the spy base at Pine Gap. And we must fight to build a labour movement that can link up with the working class across the region to make revolution against both the capitalists and the Chinese so-called “Communist” Party. There is no other way.

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