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Ricardo Flores Magón

category brazil/guyana/suriname/fguiana | história | debate author Wednesday November 15, 2006 08:32author by evandro couto - Federação Anarquista Gaúcha Report this post to the editors

Precursor de uma Revolução na América Latina

Uma breve biografia de Ricardo Flores Magón, o partido mexicano do anarquismo e a ação revolucionária que abriu uma temporada revolta no México, em princiípios do século XX. O "magonismo" deita raízes e encarna no comunitarismo radical indígena daquele país; se faz expressão libertária de um setor do levante de Oaxaca que assistimos hoje.
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“Terra, Liberdade e Justiça”

“A Revolução mexicana se iniciou em 1906 com um projeto anarquista. O grupo que originalmente a concebeu, e que organizou as primeiras ações insurrecionais e de massas, havia começado a formar-se desde 1901, dentro de um movimento liberal que foi aderindo-se cada vez mais ao anarquismo, e vinculando-se de forma crescente às organizações operárias e camponesas. A direção revolucionária de princípios do século – encabeçada por Ricardo Flores Magón – empregou as mais variadas formas de luta para iniciar o processo. Estas iam desde a publicação de um jornal até o preparo, na clandestinidade, de greves e ações militares.”
Gonzáles Casanova: “Imperialismo e libertação na América Latina”.

Lutas contra a Ditadura de Porfírio Diaz e
primeiras prisões de Ricardo Flores Magón

Em 1900, havia nascido o Partido Liberal e seus clubes se multiplicaram em todo o país. No primeiro Congresso do Partido Liberal – 1900 – Ricardo Flores Magón pronunciou um discurso radical que atacava a fundo o regime de Porfírio Diaz. Poucos depois, e com acusação de difamação, a repressão caiu sobre o jornal “Regeneración” e Ricardo e Jesus Magón foram encarcerados.
Enrique Magón continuou a publicação e o governo decretou seu fechamento definitivo.
Uma vez liberado, Ricardo continuou, junto a seu irmão Enrique, seu trabalho jornalístico em “El hijo Del Ahuizote”.
A cargo dos Magón este jornal subiu enormemente sua tiragem, passou a 26.000 exemplares. Seu ataque ao regime e a um complô golpista valeram a Ricardo e Enrique uma nova prisão.
Sua prisão foi motivo de manifestações de rua.
Uns meses depois foram liberados.

Agitação contra o governo e apoio operário

Em 5 de fevereiro de 1904, um grupo do Partido Liberal com os Magón à frente celebram o dia da Constituição pendurando nas janelas de “El hijo Del Ahuizote” um cartaz enlutado com a consigna: “A constituição está morta”.
Desta forma, enquanto se celebravam as festas oficiais, a população se concentrou debaixo das janelas do semanário. Pela noite se apresentaram grupos de operários com o propósito de unirem-se ao Movimento de Flores Magón.
Estabelece-se esta data como a que Ricardo Flores Magón tomou contato direto com a problemática operária, cuja causa agitou todo o país. Pouco mais tarde, sua evolução política o levou ao anarquismo. Outro tanto passou, em grande parte, com o Partido Liberal que ele dirigia.
Pouco depois do episódio do cartaz, Flores Magón planejou a execução de uma ação maior. Diaz preparava o desfile de 2 de abril para celebrar a vitória de Puebla. Enviou agentes a recrutar operários e camponeses mediante o pagamento de um peso e um vaso de mezca. Os operários e camponeses foram distribuídos nas ruas adjacentes a Platero com o fim de que desembocassem a seu devido tempo para engrossar o desfile de honra ao Presidente. Flores Magón e outros militantes do Partido Liberal, se situaram em distintas esquinas e levaram as multidões contra o ditador. Ante o assombro da polícia e de Diaz, que esperava na sacada a multidão, desembocou gritando morte ao ditador. A magnitude e a violência da manifestação impediu que a polícia entrasse em ação e obrigou a Porfírio Diaz a retirar-se ao interior do palácio.

Motim contra a Ditadura desde a sacada do jornal

Pouco depois, esta multidão se dirigiu às oficinas de “El hijo Del Ahuizore”. Desde a sacada e na presença da polícia que permaneceu a expectativa, Ricardo Flores Magón denunciou os crimes do governo, as manobras para despojar aos camponeses das terras comunitárias, a exploração a que eram submetidos os operários e os métodos sangrentos de repressão que se usavam para interromper as greves.
Poucos dias depois, Enrique e Ricardo Flores Magón, Cravioto, Junn Sarabia y Satiago de la Veja foram detidos pela polícia e jogados em lúgubres calabouços da prisão de Belén. Sem luz e entre os ratos, Ricardo engenhou um meio para comunicar-se com o exterior, através de um buraco feito por antigos presos. Outros presos condenados por roubo e homicídio lhe proporcionaram velas, lápis e papel. Assim continuou Enrique, desde a prisão, a redação de “El hijo Del Ahuizote”.

Enrique Magón denuncia os despejos de terras feitos aos indígenas

Em um dos artigos, denunciou o despejo que haviam feito à nação indígena yaqui de suas terras. “Corra! Izabal e Torres, queriam estas terras e usaram um pretexto: a morte de um oficial. Os yaquis estão em guerra! O chefe yaqui Cajene foi perseguido e não conseguiram capturá-lo. Queimaram sua casa, seu povoado e raptaram as mulheres. Falsos agrimensores foram enviados a medir suas terras e disseram aos yaquis que o governo havia decidido dar suas terras aos estrangeiros. Os yaquis se defenderam.
Os resultados. Milhares de soldados mandados pelo criminoso presidente mortos pelos yaquis. Dezenas de milhares de yaquis assassinados. Yaquis prisioneiros, eles são vendidos às plantações de tabaco do Vaile Naciona,. Oaxaca ou às plantações de Henequén em Yucután.

Implacável perseguição à imprensa Magonista

Na cárcere tomam conhecimento do decreto lançado por Diaz: “Qualquer impressor que for encontrado imprimindo qualquer dos escritos dos Flores Magón será castigado com dois anos de cárcere, 5000 pesos de multa e o confisco de seu maquinário.”
O movimento de Magón recoletou dinheiro. Ricardo, desde a prisão, radicou a compra de oito imprensas que se distribuíram em distintas partes da cidade. Assim, clandestinamente, apareceram “El hijo Del Ahuizote”, “El nieto Del Ahuizote”, “El biznieto Del Ahuizote”, etc. A perseguição contra esta publicação foi implacável. A repressão foi confiscando edições e fechando imprensas.

Radicaliza-se o Partido Liberal e Flores Magón
A Revolução como necessidade para a justiça

A esta altura é que Ricardo Flores Magón e seu grupo entram em acordo que não só era necessário derrubar ao ditador e, sim, mudar as bases sociais que permitiam sua existência. Com esta convicção, da necessidade de uma revolução que mudasse as bases sociais e políticas do país, os Magón e seu grupo se encontraram livres no final do ano 1903.
Em janeiro de 1904, Ricardo e Enrique e Juan Sarabia se dirigiram a Laredo, Texas, a preparar o movimento do Partido Liberal que libertaria o México. Eram espiados pelas polícias norte-americanas e mexicana. Por segurança, se transladaram a San Antônio, Texas. “Regeneración” voltou a circular no México enviado desde os Estados Unidos. Valentemente denunciou o que ocorria no Valle Nacional: “Para todo o sempre, a escravidão estará vinculada ao nome de Porfírio Diaz e a mais bestial de suas obras: o Valle Nacional.
Por que morre um homem são aos oito meses no Valle Nacional? Porque é obrigado a trabalhar abaixo de um ardente sol e submetido a golpes sem piedade até o limite de suas forças. Porque a alimentação e os alojamentos são imundos e o convertem em presa para a malária. E pelo aterrador conhecimento de que nunca recobrará sua liberdade!”
Uma semana depois deste artigo, chegou até as portas da casa dos Flores Magón um assassino enviado desde o México. Enrique surpreendeu e golpeou ao assassino no momento em que este agredia a Sarabia com um punhal. A perseguição e espionagem contra os Magón e seu grupo não cessava nos EUA, havia acordo dos dois governos com tal propósito.
Em Missouri, os Flores Magón e seu grupo estruturaram a formulação do Partido Liberal, com as medidas políticas, sociais, agrícolas e industriais que se levariam a cabo no triunfo da revolução.
Em 1905, o Programa do Partido Liberal Mexicano se imprimiu com uma tiragem de 500 mil exemplares que se distribuíram em todo o México.
Chegou a Saint Louis o chefe político de Oaxaca, Esperón.
Este havia sido acusado por “Regeneración” de bandidagem.
Esperón havia se transladado para acusar de difamação e calúnia a Ricardo e a “Regeneración”. Finalmente, Ricardo e Enrique Magón, junto a Juan Sarabia, foi novamente encarcerado.

Solidariedade operária pela liberdade de Magón e Sarábia
A greve das minas de Cananea e a ação direta

Os protestos da parte do movimento operário norte americano e a intervenção do “Sr. Louis Post Dispatch” determinou que os presos fossem libertados mediante fiança.
Ricardo Flores Magón denunciou publicamente que a aliança dos dois governos se devia a que as inversões de EUA no México ascendiam a 500 milhões de dólares. Os negócios norte-americanos com a ilimitada ajuda de Diaz, dominavam a economia no México: American Smelting and Refining Co., Standartd Oil, American Sugar, Intercontinental Rubber Co., Wells Fargo Express, Southrern Pacific Railroad, etc.
Em 1º de julho de 1906, eclodiu a greve nas minas de Cananea, propriedade do coronel Green. Os líderes operários eram Manuel Diéguez e Estéban Calderón, ambos magonistas e organizadores deste movimento. Isto deu motivo a que Green demandara a “Regeneración”. Trabalhavam nas minas 6 mil mexicanos e 600 norte-americanos. Os mexicanos ganhavam 3 pesos diários e os norte-americanos 3 dólares diários e tenham trato especial.
Os operários organizaram uma manifestação que foi atacada a balaços por dois capatazes norte-americanos: os irmãos Metclaf. Rowan, chefe de polícia das minas, mandou disparar contra os grevistas e estes assaltaram os empenhos e se proveram de armas.
Galbraith, empregado de Green e cônsul norte-americano em Cananea, telegrafou a Washington: “Estalou a guerra de raças, mexicanos assassinaram a norte-americanos”. Green traz do Arizona 300 homens armados: vaqueiros, criadores de gado e mineiros.
Este, ao darem-se conta que haviam sido enganados, se retiraram. Entraram em Cananea mil soldados mexicanos, uma companhia de cavalaria e 200 rurais.
Em seguida, começou a matança. Os mineiros foram alinhados no cemitério e obrigados a cavar suas tumbas e logo foram assassinados. Os líderes foram enviados a San Juan de Ulúa.
A greve foi esmagadora.

Conspiração revolucionária desde o Canadá
O Partido Liberal organiza levantes armados

Green preparava uma acusação forjada contra os Flores Magón para leva-los para a fronteira e entrega-los às autoridades mexicanas. Estes ficaram sabendo e fugiram para o Canadá.
Green acusou a Librado Rivera e Antonio Villarreal de assassinato. Este último escapou de seus guardiães e Rivera depois foi libertado. Outros magonistas foram deportados.
Desde o Canadá, os Magón começaram a organizar as guerrilhas. O dinheiro era mandado por integrantes do Partido Liberal. As armas chegariam por barco. “Regeneración” seguia sendo distribuído no México. Portino Diaz ofereceu uma recompensa de 20 mil dólares para cada um dos irmãos Magón. As polícias federais e os detetives privados se lançaram à busca.
Os Magón mudaram de zona. Depois, desde Montreal terminaram a organização de 64 grupos para operar no país. Decidida a ação revolucionária, o Partido Liberal, por influência de Ricardo, mudou seu lema pelo de “Terra, Liberdade e Justiça”. Afim de lançar o levante, Ricardo e Juan Sarabia se dirigiram a El Paso, Texas. O movimento havia sido infiltrado e um dia antes do fixado, começaram os enfrentamentos. Se combateu em Gimenez, Coahuila, Acayucán, Veracruz e nas proximidades de Guerrero e Michoacán. Centenas de mortos teve o Partido Liberal. Juan Sarabia caiu e foi enviado a San Juan de Ulúa, Ricardo conseguiu fugir.

Tentativa de seqüestro de Ricardo Flores Magón

O 7 de agosto de 1907 intentou seqüestrar a Flores Magón, Rivera e Villarreal a agência de detetives “Furlons’s Secrete Service Co.” com seu diretor Thomas Furlong à cabeça. O intento fracassou pela resistência que encontraram e porque a gente e juntou na rua quando sentiram os gritos de Magón e seus companheiros. O Embaixador do México em Washinton tratou de imediato de conseguir a deportação destes três militantes. Contratou advogados para estes fins. Mas fracassou em seu intento. Os operários fizeram manifestações de protesto, os comitês formados para defender aos perseguidos contrataram advogados. Ricardo e seus dois companheiros foram sentenciados a ano e meio de prisão e enviados à penitenciária de Arizona.

Outra tentativa armada: Enrique Magón a frente do Partido Liberal

Enrique seguiu junto a outros na direção do Partido Liberal. Manteve a publicação do jornal “Revolución” e organizou a 64 grupos para a ação revolucionária. Pouco depois, acompanhado de Práxedes Guerrero e Francisco Manrique se dirigiu à El Paso. Este segundo levantamento foi planejado para o 25 de junho de 1908. A noite de 24 sofreu um duro golpe do exército. Enrique acompanhado de 15 homens cruzou a fronteira e atacou Palomas. O ataque fracassou e nele morreu Francisco Manrique.
Depois de um ano em que estiveram incomunicáveis, Ricardo, Rivera e Villarreal foram libertados em agosto de 1910. No auditório do trabalho de Los Angeles se realizou um motim com 3 mil pessoas que apoiavam a luta destes combatentes.
O 20 de novembro de 1910, Práxedes Guerrero com 15 homens armados tomou Janos. Quando dizia: “por que um homem tem que possuir milhares de hectares enquanto vocês não possuem nenhum”, um disparo cortou seu ardente discurso agrarista.
A morte do secretário do Partido Liberal comoveu ao país.

Maderos oferece Vice-Presidência e Ministério aos Magón

Maderos ofereceu a Ricardo a vice-presidência da República e a Enrique o Ministério do Governo. “Todos os governantes são opressores” havia dito pouco antes Ricardo e conseqüente com suas idéias rechaçou a oferta de Maderos.
Mas, por sua vez, propôs a seguinte solução: a criação de uma Junta Revolucionária até que se consumasse a revolução. Logicamente, sua proposta não teve andamento.

Novo levantamento armado e tomada de alguns povoados

Em 30 de janeiro de 1911, Ricardo Flores Magón acompanhado de uma força de 19 homens, entre os quais se encontravam 4 operários norte-americanos, cruzou a fronteira e derrotou a 34 empregados aduaneiros, polícias e civis e tomou Mexicali. Dois norte-americanos que encabeçavam um grupo tomavam Tijuana. O resultado foi que centenas de pessoas se inscreveram no Partido Liberal. Leyva, um magonista, selecionou a 150 deles e foi ao encontro do Coronel Celso Veja. Este comunicou a Diaz que os magonistas com ajuda do governo norte-americano, se haviam apoderado da Baixa Califórnia.
Pouco depois, o governo norte-americano aprisionou aos irmãos Magón, Figueroa e Librado Rivera. Foram condenados a 2 anos de trabalho forçado. Ricardo continuou com a publicação desde a prisão de “Regeneración” e indicou a seus companheiros que unissem às forças de Zapata, Maderos e Villa.

Sobrevivem a envenenamento lento no cárcere
Forte apoio operário à causa “Magonista”

Em abril de 1914, notavelmente envelhecidos, os quatro recobraram sua liberdade. Um reconhecimento médico indicou que haviam sido envenenados lentamente na prisão.
Delegações de trabalhadores saíram a seu encontro na sua passagem pela Unión Americana. Organizaram-se motins que se efetuaram de costa a costa.
Carranza, que havia reunido um grande exército, chamou a seus irmãos Magón a que colaborassem com ele. Estes negaram-se terminantemente.
Em março de 1916, reuniu-se a Convenção de Querétaro.
Um conjunto de pessoas apresentaram o programa magonista de 1906 e conseguiram que a Constituição de 17 se cimentasse sobre o programa de Flores Magón. Tanto o artigo 27 como o 123 são o produto direto do magonismo.
Em 16 de maio de 1918, a Suprema Corte dos Estados Unidos sentenciou contra Enrique e este foi condenado a 3 anos de reclusão. Em 1919, um inspetor da Imigração se apresentou na penitenciária para interrogar a Enrique. Este, sem delongas, lhe manifestou sua condição de anarquista. Isto levantou grande agitação no Congresso e na Imprensa.

Nova prisão de Ricardo e Rivera
20 anos de prisão por oporem-se a guerra

Pouco depois que Enrique cumpriu sua pena e saiu em liberdade, foram encarcerados Ricardo e Librado Rivera. Estavam com penas de 20 e 15 anos. Haviam-se oposto à Guerra Mundial e haviam feito um manifesto dirigido aos trabalhadores. “A guerra não é de vocês, sim de industriais e comerciantes”, haviam dito.

Decretam a liberdade de Ricardo
Industriais organizam seu assassinato na prisão

Quase cego e muito doente, passou Ricardo esta última prisão.
Alvaro Obregón, que queria que o povo esquecesse seu crime, cometido na pessoa de Carranza, fez um gesto espetacular e pediu ao presidente Harding a liberdade de Flores Magón e Librado Rivera. Harding aceitou. A noite anterior à libertação os dois presos foram separados.
Flores Magón que estava só em uma cela foi estrangulado.
A execução, já que a ordem vinha de mais acima, foi realizada pelo capitão de vigilância da prisão de Leavenwort, conhecido como El Toro. Obedeceu ordens do Procurador Geral Daugherty e de Albert Fall, personagens que tinham enormes interesses petroleiros no México e consideravam um perigo a presença de Ricardo Flores Magón em seu país.

Justiça Popular: o assassino de Magón é executado

Ao assassino “El Toro” o matou poucos dias depois um prisioneiro mexicano de nome Martinez. A esta vingança se seguiu um tumulto no pátio da prisão: todos os prisioneiros mexicanos se haviam feito magonistas e cuspiram e pisotearam com fúria o corpo apunhalado de “El Toro”.

Multidões operárias despedem-se com dor militante de Ricardo Flores Magón

Alvaro Obregón reclamou o cadáver de Ricardo e seu irmão Enrique se negou a entrega-lo. Quando a Aliança de Trabalhadores Ferroviários da República Mexicana solicitou o cadáver, que estava embalsamado em Los Angeles, Enrique aceitou envia-lo.
Em todo o trajeto, as multidões se reuniram para velar o cadáver deste grande socialista libertário mexicano.
Torreón, Chihuahua, Aguascalientes, Querétaro se transformaram materialmente para receber e fazer guarda ante o corpo do herói dos trabalhadores. Organizaram motins que expressavam seu luto.
O corpo foi, finalmente, velado no salão de atos da Aliança de Trabalhadores Ferroviários. De todas as partes do país, vieram centenas de milhares de pessoas para despedirem-se de quem peleou implacavelmente durante tantos anos pelos direitos operários e camponeses e por justiça e liberdade. Um membro do gabinete de Alvaro Obregón enviou uma grande oferenda floral, que os operários jogaram violentamente na rua. O cadáver de Ricardo foi levado nos ombros pelos operários até o cemitério.

Uma questão de tática

Com respeito à relação entre anarquismo e o Partido Liberal, Ricardo Flores Magón diria em 1908: “Nenhuma revolução consegue fazer prevalecer depois do triunfo e fazer práticos os idéias que a inflamavam e isto se sucede porque se confia que o novo governo fará o que devia ter feito o povo durante a revolução...
Os ricos se rebelarão quando se trate de fazer prático o programa do Partido Liberal... Como anarquistas, sabemos bem tudo isso. Se desde o rpincípio tivéssemos nos chamado anarquistas, ninguém, a não ser uns quantos, nos haveria escutado. Sem nos chamarmos anarquistas, estamos colocando nos cérebros idéias de ódio contra a classe possuidora e contra a casta governamental. Nenhum partido liberal no mundo tem as tendências anticapitalistas do que o que está próximo a revolucionar o México e isto se tem conseguido sem dizer que somos anarquistas, e não o haveríamos conseguido nem se houvéssemos nos intitulado não já como anarquistas como somos e, sim, simplesmente socialistas. Tudo é, enfim, questão de tática”.

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