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Teoria, Ideologia e Materialismo Histórico

category brazil/guyana/suriname/fguiana | movimento anarquista | policy statement author Saturday June 02, 2007 03:07author by Paranoi@ - Organização Socialista Libertária - Brasil/SPauthor email osl_sp at yahoo dot com dot br Report this post to the editors
O texto abaixo é fruto de um debate teórico realizado pela OSL-SP em conjunto com as organizações do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO), sobre o que é a teoria e a ideologia, e o que concebemos enquanto o materialismo.


Teoria, ideologia e materialismo histórico

Secretaria de Formação da Organização Socialista Libertária – Brasil/São Paulo


Teoria e ideologia

1. “A teoria aponta para a elaboração de instrumentos conceituais para pensar rigorosamente e conhecer profundamente a realidade concreta. É neste sentido que se pode falar da teoria como equivalente à ciência.” (Huerta Grande)

2. “A teoria é um instrumento, uma ferramenta, serve para fazer um trabalho, serve para produzir o conhecimento que necessitamos produzir” (Huerta Grande)

3. A práxis, entendida como transformação objetiva do processo social, isto é, transformação das relações entre homem-natureza (práxis produtiva) e homem-homem (práxis revolucionária), é o fundamento do conhecimento, o critério da verdade e a finalidade da teoria. Isto não quer dizer que a teoria só serve para a prática, como pensa o pragmatismo com sua concepção utilitarista, porque a relação entre teoria e prática é uma relação de unidade dialética em que a teoria não se reduz a prática, mas a complementa e também a faz avançar, tendo como limite sempre a sua realização através da ação humana. (Filosofia da Práxis)

4. A teoria socialista libertária nasceu da luta de classe dos trabalhadores: ela nasce enquanto elaboração consciente dos trabalhadores dos seus objetivos, dos meios e da compreensão da realidade no processo histórico. (Teoria dei Comunisti Anarchisti)

5. São dois elementos básicos para uma teoria socialista libertária: a análise da situação concreta, entendida como síntese de múltiplas determinações (econômicas, políticas, de idéias) que somente através do processo de abstração pode ser teorizado; e a análise da luta de classes no seu passado, presente e futuro, nas suas aspirações, nas suas compreensões, no seu processo histórico – é desta análise que deriva o projeto socialista libertário.

6. A teoria é a essência do partido socialista libertário: é a teoria que dá condições para se criar um programa, definindo objetivo estratégico, estratégia e as táticas. Um partido sem teoria não pode ser um partido, mas apenas indivíduos com afinidades ideológicas que não conseguem avançar na compreensão da realidade e na sua transformação.

7. “A ideologia, em troca, é composta de elementos de natureza não científica, que contribuem para dinamizar a ação, motivando-a, baseada em circunstâncias que, ainda que tendo relação com as condições objetivas, não derivam dela, no sentido estrito. A ideologia está condicionada pelas condições objetivas, ainda que não seja, determinada mecanicamente por elas” (Huerta Grande). A ideologia, assim como a teoria, nasceu da luta de classes: pode ser entendida como um conjunto de valores que ao invés de explicar a realidade, papel da teoria, motivam os sujeitos para a ação, para a luta. Por isso, a ideologia não é qualquer valor, mas valores que a própria experiência da luta de classes já demonstrou dinamizar o movimento de massas (ação direta, solidariedade...).

8. “O desenvolvimento teórico não é um problema acadêmico, não parte do zero. Se fundamenta, se motiva e se desenvolve a partir da existência de valores ideológicos, de uma prática política. Mais ou menos corretos, mais ou menos errôneos, estes elementos existem historicamente antes que a teoria, e motivaram seu desenvolvimento.” (Huerta Grande)

9. A atividade teórica não é práxis: a práxis é somente a transformação objetiva do processo social. A atividade teórica é a tentativa de compreensão da realidade que complementa a práxis, pois o conhecimento da realidade aprofunda a transformação sobre a mesma, mas não pode ser entendida como transformação das condições materiais a qual os homens estão submetidos e determinados. (Filosofia da Práxis)

Materialismo Histórico

10. A teoria socialista libertária é o materialismo histórico: a tentativa de compreensão da realidade através da análise das situações concretas como totalidades, isto é, os fatos não existem por si só ou neles mesmos, mas são produtos de circunstâncias materiais (econômicas, políticas, de idéias...) que têm como centro a práxis social. Mas esta compreensão, por nascer da luta de classes e por ser a análise do desenvolvimento da luta de classes na sociedade capitalista, não se restringe a um método, mas é uma compreensão global da luta e das tarefas da luta da classe trabalhadora;

11. Duas proposições básicas para o materialismo histórico: 1) o ser e o pensamento não são a mesma coisa, mas não podem ser entendidos separadamente: a autonomia entre um e outro é apenas a autonomia da sua relação dialética; 2) a primazia do ser em relação ao pensamento e da realidade em relação ao ser, sendo mais determinante no processo histórico o que se passa na realidade do que o que foi pensada sobre ela. Esta é também a primazia da práxis em relação a teoria. (Huerta Grande, Filosofia da práxis)

12. O materialismo histórico trabalha com conceitos heurísticos, isto é, os conceitos (instrumentos da teoria) não são tipos-ideais ou modelos que se “encaixam” na realidade dos fatos, na empiria; pelo contrário, os conceitos devem ser produtos da análise histórica e devem ser transformados de acordo com a realidade com a qual está sendo trabalhado. A vida é sempre mais infinita do que o conhecimento que temos dela (Bakunin).

13. A pesquisa empírica é um importante elemento do materialismo histórico, mas a compreensão da realidade não se detém no nível da empiria, isto é, no nível do ser, do fato, do que é. O materialismo histórico compreende o material empírico no seu processo histórico e no estabelecimento de tendências do processo, buscando também o seu passado, as suas determinações no presente e o seu devir, o vir-a-ser.

14. Pelo nascimento da teoria ser o produto da luta de classes dos trabalhadores contra a exploração da sociedade capitalista-burguesa, o materialismo histórico é uma teoria crítica, isto é, ele não está preocupado somente com a explicação do concreto e sua justificação. O materialismo histórico está preocupado com a compreensão do real para a sua transformação a partir do ponto de vista dos trabalhadores, baseado na experiência das suas lutas anteriores e nas lutas atuais dos trabalhadores.

15. Por ter um método de compreensão global da luta de classes e não ser apenas um método que poderia servir para qualquer conteúdo, o materialismo histórico não pode ser entendido apenas como crítica da política ou crítica da economia. Ele tem que ao mesmo tempo fazer a crítica da política e conseguir compreender as dimensões econômicas da política, assim como a influência que o plano das idéias tem na economia e na política. O materialismo histórico é a crítica da sociedade capitalista burguesa. (Marxismo e Filosofia)

16. O materialismo histórico não é o materialismo dialético: o materialismo dialético é a tentativa de estabelecimento de leis a-históricas para a compreensão do mundo natural e social, que algumas destas leis podem até fazer sentido para a compreensão das situações concretas. O materialismo histórico é a crítica das relações sociais capitalista e a compreensão do mundo a partir do ponto de vista da luta de classe dos trabalhadores; neste sentido, o materialismo histórico tem uma historicidade e faz parte de um momento histórico que se transformado, terá que transformar a própria forma de pensar do ser social. (Teoria dei Comunisti Anarchisti)


Bibliografia

BAKUNIN, Mikhail. O conceito de liberdade. Porto: Res, 1975.
FAU. Huerta Grande (1972), retirado em: www.nodo50.org/fau/documentos/docum_historicos/huerta_grande.htm
FdCA. Teoria dei Comunisti Anarchisti, retirado em: www.fdca.it/organizzazione/teoria/teoriaCA/index.htm
KORSCH, Karl. Marxismo e Filosofia. Porto: Afrontamento, 1977.
Vasquez, Adolpho S. Filosofia da Práxis. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

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author by Nestor - Anarkismopublication date Wed Jun 06, 2007 00:22author address author phone Report this post to the editors

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